Neste momento a polícia está fazendo uma operação na Comunidade de Acari. Policiais do BOPE encapuzados e sem identificação espalham o terror entre os morados. São denúncias de insultos e revistas aleatórias, além de invasão e destruição de residências sem mandados.
Sugerimos que os moradores registrassem a operação, mas fomos advertidos que é comum que os policiais roubem os celulares quando verificam a tentativa de filmagem.
A violência da polícia é tamanha que chegaram a jogar um copo de café quente no rosto de um rapaz de 17 anos. Completaram a violência ameaçando: "Se abrir a boca para alguém, vai se foder!"
Desde às 5 da manhã, o caveirão aéreo sobrevoou a Comunidade, espalhando ainda mais medo da eminência de tiros de grosso calibre que atravessam as paredes das casas.
Moradores impotentes se reúnem na casa de parentes. O apoio mútuo é o único consolo neste momento de medo e tensão.
Como Acari é uma favela distante e não aparece no noticiário, os policiais sentem-se mais livres para abusar da população.
"Aqui não é favela de zona sul. Ninguém aqui vai virar Amarildo, nem DG." Douglas Rafael da Silva Pereira (DG) era dançarino da Rede Globo e foi morto na madrugada de 22 de abril no Pavão-Pavãozinho.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA
PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Prisões
Dia 15 de outubro de 2013, eu e mais de 70 pessoas foram presas, outra centena levada para a delegacia. Naquela semana, teríamos a privatização de Libra, com valor estimado de até R$ 3 trilhões [1], equivalente a tudo o que o Brasil produz em um ano.
Com a Petrobras ocupada por manifestantes e o Sindipetro colaborando com a ocupação da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, governo estadual e judiciários sofreram uma enorme pressão para prender os manifestantes e, assim, garantir a privatização do campo de petróleo
Índios
A base do governo Dilma é composta da bancada ruralista (ou da bala), que recebe gordos investimentos do BNDES. A grilagem de terra tem ceifado a vida de muitos índios, que ficam no caminho do agronegócio. Para se ter uma ideia, no período FHC morriam em média 21 índios assassinados por ano. Dilma fez esse número aumentar em 150%.
Além disso, Belo Monte, que não trará a energia prometida, mas servirá apenas para encher os bolsos das empreiteiras e dos amigos de Sarney-Lobão, está destruindo a vida de inúmeros índios que vivem perto da usina.
Terra
Ao apoiar o agronegócio, Dilma também estancou qualquer possibilidade de realizar a reforma agrária. Hoje temos 120 mil famílias sem-terra acampadas, mas Dilma assenta apenas 30 mil por ano. No governo FHC, eram assentadas 45 mil famílias por ano, em média.
Copa
A Copa do Mundo foi um verdadeiro sucesso para as empreiteiras que patrocinaram as campanhas. Só no Maracanã, o preço da reforma foi de R$ 1,2 bilhões, R$800 milhões acima do valor inicial. Essa roubalheira foi financiada com o nosso dinheiro.
Além dos roubos, tivemos vários amigos sendo perseguidos, investigados, processados, ossos quebrados, presos, difamados, expostos e torturados. A Força de Segurança Nacional infiltrou um araponga no meio do movimento social.
Fuzil da guerrilheira
Também não votarei na Dilma por respeito às pessoas que estão sofrendo ou morrendo em decorrência da política do governo federal, como:
- Moradores da Maré, que sofrem com a ocupação militar;
- 217 mil presos que aguardam julgamento no Brasil;
- 15 pessoas que desapareceram por dia no Estado do Rio de Janeiro;
- 120 travestis mortos por ano no Brasil que é líder mundial da categoria;
- 1 milhão de mulheres que fazem aborto clandestino e 250 mil que são internadas no SUS por complicações decorrentes de tal procedimento;
Como escolher entre o menos pior neste caso?
Como votar em quem me ataca ferozmente?
[1] http://www.offshore-technology.com/projects/libra-oil-field-santos-basin/
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Prisões
Dia 15 de outubro de 2013, eu e mais de 70 pessoas foram presas, outra centena levada para a delegacia. Naquela semana, teríamos a privatização de Libra, com valor estimado de até R$ 3 trilhões [1], equivalente a tudo o que o Brasil produz em um ano.
Com a Petrobras ocupada por manifestantes e o Sindipetro colaborando com a ocupação da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, governo estadual e judiciários sofreram uma enorme pressão para prender os manifestantes e, assim, garantir a privatização do campo de petróleo
Índios
A base do governo Dilma é composta da bancada ruralista (ou da bala), que recebe gordos investimentos do BNDES. A grilagem de terra tem ceifado a vida de muitos índios, que ficam no caminho do agronegócio. Para se ter uma ideia, no período FHC morriam em média 21 índios assassinados por ano. Dilma fez esse número aumentar em 150%.
Além disso, Belo Monte, que não trará a energia prometida, mas servirá apenas para encher os bolsos das empreiteiras e dos amigos de Sarney-Lobão, está destruindo a vida de inúmeros índios que vivem perto da usina.
Terra
Ao apoiar o agronegócio, Dilma também estancou qualquer possibilidade de realizar a reforma agrária. Hoje temos 120 mil famílias sem-terra acampadas, mas Dilma assenta apenas 30 mil por ano. No governo FHC, eram assentadas 45 mil famílias por ano, em média.
Copa
A Copa do Mundo foi um verdadeiro sucesso para as empreiteiras que patrocinaram as campanhas. Só no Maracanã, o preço da reforma foi de R$ 1,2 bilhões, R$800 milhões acima do valor inicial. Essa roubalheira foi financiada com o nosso dinheiro.
Além dos roubos, tivemos vários amigos sendo perseguidos, investigados, processados, ossos quebrados, presos, difamados, expostos e torturados. A Força de Segurança Nacional infiltrou um araponga no meio do movimento social.
Fuzil da guerrilheira
Também não votarei na Dilma por respeito às pessoas que estão sofrendo ou morrendo em decorrência da política do governo federal, como:
- Moradores da Maré, que sofrem com a ocupação militar;
- 217 mil presos que aguardam julgamento no Brasil;
- 15 pessoas que desapareceram por dia no Estado do Rio de Janeiro;
- 120 travestis mortos por ano no Brasil que é líder mundial da categoria;
- 1 milhão de mulheres que fazem aborto clandestino e 250 mil que são internadas no SUS por complicações decorrentes de tal procedimento;
Como escolher entre o menos pior neste caso?
Como votar em quem me ataca ferozmente?
[1] http://www.offshore-technology.com/projects/libra-oil-field-santos-basin/
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA
TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA
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Vídeo: Ellan Lustosa | Cinza Sem Filtro
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Nesta terça-feira 30 de setembro, tivemos o lançamento da
Campanha Unificada: Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.
O evento ocorreu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no campus Praia Vermelha.
Contamos com a presença especial de Marilene Silva, mãe de Caio Silva, uma das vítimas do julgamento prévio e tendencioso que colocou dois manifestantes na cadeia. O Estado e o monopólio da imprensa transformaram um acidente em homicido doloso (quando há a intenção de matar). Mesmo sabendo que o rojão-de-vara sem a vara não tem direção definida, o Judiciário decidiu punir os dois rapazes para que sirvam de exemplo, em uma tentativa covarde de amedrontar outros manifestantes.
Vale lembrar que quase 90% das agressões contra jornalistas são provocadas por policiais [1]. Além disso, o cinegrafista Santiago Andrade estava filmando sozinho naquele dia, sem um colega que o auxiliasse com a segurança, em uma área de risco. Pior ainda é o fato da Rede Bandeirantes não ter disponibilizado equipamento de segurança. Só a Bandeirantes já teve 2 cinegrafistas mortos nos últimos anos [2]. Este monopólio de imprensa, que ignora a segurança de seus funcionários, foi o grande responsável pela condenação antecipada dos jovens.
Outro fato importante é que Caio e Fábio se entregaram, com a esperança de aguardar o julgamento em liberdade. É tradição do Judiciário permitir que o réu se defenda em liberdade, neste caso. Entretanto, existem muitas evidências de que o Judiciário não está tratando este julgamento. Fica clara a vontade de transformar o caso em um exemplo, em uma tentativa covarde de intimidar outros manifestantes.
Além disso, Marilene relata que o filho está muito transtornado com a morte do cinegrafista. Sendo esta morte um peso maior do que a própria prisão.
Chamar a Penitenciária de Bangu de prisão é um eufemismo. A sociedade sabe que este lugar é uma câmara de tortura. Chamaremos de justiça quando dois jovens, acusados de participar de um acidente, são condenados a mais de 7 meses de tortura em Bangu?
Estes jovens, como muitos outros, foram às ruas para reclamar do preço das passagens. Uma luta que a sociedade apoiou. O Estado, no entanto, não aceita esse tipo rebeldia e condena quem protesta a penas desumanas. Note que a prisão para dar exemplo escancara o Estado de Exceção que vivemos.
A senhora Marilene nos lembrou ainda que nossos governantes são os mesmos que lutaram contra a ditadura, neste caso a dupla de facínoras corruptos PT+PMDB. A vida nos prega peças, das mais irônicas. Os que nos governam agora, são os mesmos que lutaram contra o regime autoritário iniciado em 64. Parece que a única lição que tiveram foi aprender a controlar e oprimir.
Seriam este Estado, a Polícia Militar e a imprensa mercantil compatíveis com a democracia?
Todos os fatos nos mostram que não, pois estes poderes criminalizam a política das ruas. Como protestar sabendo que a justiça tem ânsia em nos condenar?
Toda essa opressão um dia voltará contra os algozes. PM e PMDB deveriam ter aprendido com a ditadura que é muito difícil governar sem o povo. Não há governo que segure o povo unido.
Todo apoio a Caio e Fábio!
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=gVfJ2GI-Bu4
[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
[2] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cinegrafista-da-band-morre-com-tiro-em-favela-do-rio,795294
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Vídeo: Ellan Lustosa | Cinza Sem Filtro
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Nesta terça-feira 30 de setembro, tivemos o lançamento da
Campanha Unificada: Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.
O evento ocorreu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no campus Praia Vermelha.
Contamos com a presença especial de Marilene Silva, mãe de Caio Silva, uma das vítimas do julgamento prévio e tendencioso que colocou dois manifestantes na cadeia. O Estado e o monopólio da imprensa transformaram um acidente em homicido doloso (quando há a intenção de matar). Mesmo sabendo que o rojão-de-vara sem a vara não tem direção definida, o Judiciário decidiu punir os dois rapazes para que sirvam de exemplo, em uma tentativa covarde de amedrontar outros manifestantes.
Vale lembrar que quase 90% das agressões contra jornalistas são provocadas por policiais [1]. Além disso, o cinegrafista Santiago Andrade estava filmando sozinho naquele dia, sem um colega que o auxiliasse com a segurança, em uma área de risco. Pior ainda é o fato da Rede Bandeirantes não ter disponibilizado equipamento de segurança. Só a Bandeirantes já teve 2 cinegrafistas mortos nos últimos anos [2]. Este monopólio de imprensa, que ignora a segurança de seus funcionários, foi o grande responsável pela condenação antecipada dos jovens.
Outro fato importante é que Caio e Fábio se entregaram, com a esperança de aguardar o julgamento em liberdade. É tradição do Judiciário permitir que o réu se defenda em liberdade, neste caso. Entretanto, existem muitas evidências de que o Judiciário não está tratando este julgamento. Fica clara a vontade de transformar o caso em um exemplo, em uma tentativa covarde de intimidar outros manifestantes.
Além disso, Marilene relata que o filho está muito transtornado com a morte do cinegrafista. Sendo esta morte um peso maior do que a própria prisão.
Chamar a Penitenciária de Bangu de prisão é um eufemismo. A sociedade sabe que este lugar é uma câmara de tortura. Chamaremos de justiça quando dois jovens, acusados de participar de um acidente, são condenados a mais de 7 meses de tortura em Bangu?
Estes jovens, como muitos outros, foram às ruas para reclamar do preço das passagens. Uma luta que a sociedade apoiou. O Estado, no entanto, não aceita esse tipo rebeldia e condena quem protesta a penas desumanas. Note que a prisão para dar exemplo escancara o Estado de Exceção que vivemos.
A senhora Marilene nos lembrou ainda que nossos governantes são os mesmos que lutaram contra a ditadura, neste caso a dupla de facínoras corruptos PT+PMDB. A vida nos prega peças, das mais irônicas. Os que nos governam agora, são os mesmos que lutaram contra o regime autoritário iniciado em 64. Parece que a única lição que tiveram foi aprender a controlar e oprimir.
Seriam este Estado, a Polícia Militar e a imprensa mercantil compatíveis com a democracia?
Todos os fatos nos mostram que não, pois estes poderes criminalizam a política das ruas. Como protestar sabendo que a justiça tem ânsia em nos condenar?
Toda essa opressão um dia voltará contra os algozes. PM e PMDB deveriam ter aprendido com a ditadura que é muito difícil governar sem o povo. Não há governo que segure o povo unido.
Todo apoio a Caio e Fábio!
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=gVfJ2GI-Bu4
[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
[2] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cinegrafista-da-band-morre-com-tiro-em-favela-do-rio,795294
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Liberdade para Rafael Braga. Para Fábio e Caio Não?
CAIO, RAFAEL E FÁBIO: VÍTIMAS DO SISTEMA
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Muito criticamos a manipulação da mídia mercantil que criminaliza a manifestação popular. Entretanto, essa manipulação não atinge apenas coxinhas que assistem o Jornal da Goebbles. Fico surpreendido mesmo quando esse discurso incriminatório atinge manifestantes de longa data.
Aqui no Rio, temos três detentos considerados presos políticos: Rafael Braga, Fabio Raposo e Caio Silva Rangel. O primeiro, foi preso apenas por ser negro, catador e estar no meio da maior manifestação da história do Brasil. Os dois outros foram acusados de assassinar o cinegrafista Santiago Andrade utilizando um rojão.
NEM MANIFESTANTE ELE É
O que eu mais ouço é dizerem que o caso do Rafael é diferente porque nem manifestante ele era. Implícito neste pensamento está a criminalização da manifestação. Manifestante ou não, as pessoas deveriam ter um tratamento igual pela "Justiça". Manifestar não é crime, lembra?
Ao diferenciarmos Caio e Fábio por serem manifestantes, estamos caindo como palhaços na armadilha do Estado e da mídia mercantil. Pior ainda, estamos aceitando a nossa própria criminalização.
AUMENTAR A REPRESSÃO OU ENFRENTAR A MÁFIA DO TRANSPORTE?
Em janeiro e fevereiro deste ano, as manifestações estavam crescendo, o aumento da passagem já havia ocorrido e os catracaços eram diários.
As alternativas do governo eram: reprimir as manifestações violentamente ou voltar atrás nos aumentos. Qualquer das opções seria um desastre. Colocamos o governo em um dilema de decisão, contra a parede. Se reprimissem, a população poderia voltar às ruas como em junho de 2013. Se abaixassem os preços, teriam que enfrentar as máfias do transporte público.
A MORTE QUE SALVOU O GOVERNO
A morte do Santiago salvou o governo do dilema. Depois disso, a opção pela repressão violenta estava clara e justificada. Centenas de manifestantes foram investigados e ameaçados. A defesa dos rapazes foi criminalizada.
Colocaram um advogado da milícia para supostamente defendê-los, mas o tal Dr. Jonas Tadeu Nunes apenas acusou e forjou provas. Este carrasco ainda tentou incriminar os que defendiam os garotos, como no caso de acusar Elisa Quadros e Marcelo Freixo. Ligar para o Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ALERJ se tornou crime, ser presidente da CDH se tornou crime.
Quando um manifestante me fala que o caso é diferente porque houve uma morte, eu digo que você está fazendo o jogo da mídia e do governo. Usar a morte para justificar um tratamento diferente de Caio e Fábio é agir como os nossos carrascos.
FÁBIO E CAIO FIZERAM BESTEIRA
Já me falaram também que Caio e Fábio fizeram besteira. Vindo da Rede Bobo, eu não me surpreenderia. Fico estarrecido quando esta afirmação vem de um manifestante.
Primeiro, o que ocorreu foi um acidente. Um rojão-de-vara-sem-vara não possui direção definida. Portanto, eles não poderiam planejar tal ato.
Segundo, o Fábio é visto apenas entregando o rojão pra alguém. Se o incidente não poderia ser planejado, como o Fábio teria controle do que aconteceria? Tudo indica que ele não queria acender o rojão. Pelo simples fato de entregar o rojão na mão de alguém o Fábio merece ficar 7 meses sofrendo torturas na cadeia? Qual o tamanho da besteira que ele fez?
Já no caso do Caio, temos a acusação feita pelo seu advogado de defesa (na época, o Dr. Jonas Tadeu). Somente pelo motivo do acusador ser o advogado de defesa, já temos indícios de que o Caio caiu em uma armadilha. Nas entrevistas à "jornalista" da Rede Goebbles, que viajou com a Polícia Civil, Caio aparece visivelmente atordoado, dizendo que teme pela própria vida.
Pra piorar, a perícia que identifica o Caio como ascendedor do rojão foi forjada nos estúdios da Rede Goebbles [1].
Ou seja, Caio não teve direito a defesa, foi acusado pelo próprio advogado e incriminado pela Globo. Qual a besteira que ele fez?
Quem diz que Caio e Fábio fizeram besteira são a mídia mercantil e o órgãos de repressão do Estado. Você concorda com eles?
PARE DE CRIMINALIZAR A MANIFESTAÇÃO
Por tudo isso, eu gostaria de chamar a atenção de todos os manifestantes que de uma forma ou de outra ajudam a criminalizar a manifestações: pare! Pare de ajudar o governo! Pare de ajudar a mídia mercantil!
Caio, Rafael e Fábio são vítimas de um governo dos ricos, corrupto, racista e fascista. Temos que vencê-los no campo das ideias também.
Liberdade para Caio, Rafael e Fábio!
[1] - http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/perito-confirma-que-caio-souza-lancou-rojao-que-matou-cinegrafista.html
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Muito criticamos a manipulação da mídia mercantil que criminaliza a manifestação popular. Entretanto, essa manipulação não atinge apenas coxinhas que assistem o Jornal da Goebbles. Fico surpreendido mesmo quando esse discurso incriminatório atinge manifestantes de longa data.
Aqui no Rio, temos três detentos considerados presos políticos: Rafael Braga, Fabio Raposo e Caio Silva Rangel. O primeiro, foi preso apenas por ser negro, catador e estar no meio da maior manifestação da história do Brasil. Os dois outros foram acusados de assassinar o cinegrafista Santiago Andrade utilizando um rojão.
NEM MANIFESTANTE ELE É
O que eu mais ouço é dizerem que o caso do Rafael é diferente porque nem manifestante ele era. Implícito neste pensamento está a criminalização da manifestação. Manifestante ou não, as pessoas deveriam ter um tratamento igual pela "Justiça". Manifestar não é crime, lembra?
Ao diferenciarmos Caio e Fábio por serem manifestantes, estamos caindo como palhaços na armadilha do Estado e da mídia mercantil. Pior ainda, estamos aceitando a nossa própria criminalização.
AUMENTAR A REPRESSÃO OU ENFRENTAR A MÁFIA DO TRANSPORTE?
Em janeiro e fevereiro deste ano, as manifestações estavam crescendo, o aumento da passagem já havia ocorrido e os catracaços eram diários.
As alternativas do governo eram: reprimir as manifestações violentamente ou voltar atrás nos aumentos. Qualquer das opções seria um desastre. Colocamos o governo em um dilema de decisão, contra a parede. Se reprimissem, a população poderia voltar às ruas como em junho de 2013. Se abaixassem os preços, teriam que enfrentar as máfias do transporte público.
A MORTE QUE SALVOU O GOVERNO
A morte do Santiago salvou o governo do dilema. Depois disso, a opção pela repressão violenta estava clara e justificada. Centenas de manifestantes foram investigados e ameaçados. A defesa dos rapazes foi criminalizada.
Colocaram um advogado da milícia para supostamente defendê-los, mas o tal Dr. Jonas Tadeu Nunes apenas acusou e forjou provas. Este carrasco ainda tentou incriminar os que defendiam os garotos, como no caso de acusar Elisa Quadros e Marcelo Freixo. Ligar para o Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ALERJ se tornou crime, ser presidente da CDH se tornou crime.
Quando um manifestante me fala que o caso é diferente porque houve uma morte, eu digo que você está fazendo o jogo da mídia e do governo. Usar a morte para justificar um tratamento diferente de Caio e Fábio é agir como os nossos carrascos.
FÁBIO E CAIO FIZERAM BESTEIRA
Já me falaram também que Caio e Fábio fizeram besteira. Vindo da Rede Bobo, eu não me surpreenderia. Fico estarrecido quando esta afirmação vem de um manifestante.
Primeiro, o que ocorreu foi um acidente. Um rojão-de-vara-sem-vara não possui direção definida. Portanto, eles não poderiam planejar tal ato.
Segundo, o Fábio é visto apenas entregando o rojão pra alguém. Se o incidente não poderia ser planejado, como o Fábio teria controle do que aconteceria? Tudo indica que ele não queria acender o rojão. Pelo simples fato de entregar o rojão na mão de alguém o Fábio merece ficar 7 meses sofrendo torturas na cadeia? Qual o tamanho da besteira que ele fez?
Já no caso do Caio, temos a acusação feita pelo seu advogado de defesa (na época, o Dr. Jonas Tadeu). Somente pelo motivo do acusador ser o advogado de defesa, já temos indícios de que o Caio caiu em uma armadilha. Nas entrevistas à "jornalista" da Rede Goebbles, que viajou com a Polícia Civil, Caio aparece visivelmente atordoado, dizendo que teme pela própria vida.
Pra piorar, a perícia que identifica o Caio como ascendedor do rojão foi forjada nos estúdios da Rede Goebbles [1].
Ou seja, Caio não teve direito a defesa, foi acusado pelo próprio advogado e incriminado pela Globo. Qual a besteira que ele fez?
Quem diz que Caio e Fábio fizeram besteira são a mídia mercantil e o órgãos de repressão do Estado. Você concorda com eles?
PARE DE CRIMINALIZAR A MANIFESTAÇÃO
Por tudo isso, eu gostaria de chamar a atenção de todos os manifestantes que de uma forma ou de outra ajudam a criminalizar a manifestações: pare! Pare de ajudar o governo! Pare de ajudar a mídia mercantil!
Caio, Rafael e Fábio são vítimas de um governo dos ricos, corrupto, racista e fascista. Temos que vencê-los no campo das ideias também.
Liberdade para Caio, Rafael e Fábio!
[1] - http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/perito-confirma-que-caio-souza-lancou-rojao-que-matou-cinegrafista.html
sábado, 13 de setembro de 2014
SP: PM obriga jornalista do Mariachi a deletar suas fotos
Hoje, 13 de setembro, ocorreu o Ato Contra a Farsa Eleitoral, que começou às 15h em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Estavam reunidos manifestantes de vários movimentos populares que se uniram para denunciar que as eleições foram montadas e controladas pelos ricos. Deixando a maioria do povo sem possibilidades reais de participação no poder.
Já na concentração para o ato, os manifestantes pintaram cavaletes e santinhos, dando um novo significado para as propagandas dos políticos.
Quando a manifestação decidiu sair em marcha, a tropa de choque já a cercou, fazendo uma barreira para isolá-los. Mesmo com a intimidação, o ato partiu para a Rua da Consolação. Na Av. Ipiranga, um manifestante colou nas costas de um policial um adesivo com os dizeres "Eleição é farsa. Não vote, lute!".
Essa atitude enfureceu o PM que partiu para cima de todos os fotógrafos que tentaram registrar a colagem. Desta vez, o PM escolheu um jornalista do Coletivo Mariachi para externar sua raiva. Órfão da Ditadura, o PM exigiu que o fotógrafo apresentasse documento de "fé pública" e rejeitou a validade do crachá de jornalista.
A VOLTA DA CENSURA
O ápice da repressão ocorreu quando o policial exigiu que o jornalista eliminasse as suas fotos.
"Ela colou ali e você passou o pano."
Nesta frase, o PM tenta dizer que o jornalista consente com a atitude da manifestante que supostamente colou o adesivo.
Fica claro a prepotência e autoritarismo da polícia contra a atividade jornalística. Retornamos a época da censura, quando o Estado reprimia a atividade de imprensa.
Fica a pergunta: se a polícia pode censurar jornalistas, vivemos em um Estado verdadeiramente democrático? Se um órgão do Estado não tolera atitudes simples como a colagem de adesivo, imagina o que ela faria longe das câmeras, em um bairro de periferia.
Por tudo isso, a PM mostrou a sua incompatibilidade com a democracia.
NÃO ACABOU
TEM QUE ACABAR
EU QUERO O FIM
DA POLÍCIA MILITAR
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Já na concentração para o ato, os manifestantes pintaram cavaletes e santinhos, dando um novo significado para as propagandas dos políticos.
Quando a manifestação decidiu sair em marcha, a tropa de choque já a cercou, fazendo uma barreira para isolá-los. Mesmo com a intimidação, o ato partiu para a Rua da Consolação. Na Av. Ipiranga, um manifestante colou nas costas de um policial um adesivo com os dizeres "Eleição é farsa. Não vote, lute!".
Essa atitude enfureceu o PM que partiu para cima de todos os fotógrafos que tentaram registrar a colagem. Desta vez, o PM escolheu um jornalista do Coletivo Mariachi para externar sua raiva. Órfão da Ditadura, o PM exigiu que o fotógrafo apresentasse documento de "fé pública" e rejeitou a validade do crachá de jornalista.
A VOLTA DA CENSURA
O ápice da repressão ocorreu quando o policial exigiu que o jornalista eliminasse as suas fotos.
"Ela colou ali e você passou o pano."
Nesta frase, o PM tenta dizer que o jornalista consente com a atitude da manifestante que supostamente colou o adesivo.
Fica claro a prepotência e autoritarismo da polícia contra a atividade jornalística. Retornamos a época da censura, quando o Estado reprimia a atividade de imprensa.
Fica a pergunta: se a polícia pode censurar jornalistas, vivemos em um Estado verdadeiramente democrático? Se um órgão do Estado não tolera atitudes simples como a colagem de adesivo, imagina o que ela faria longe das câmeras, em um bairro de periferia.
Por tudo isso, a PM mostrou a sua incompatibilidade com a democracia.
NÃO ACABOU
TEM QUE ACABAR
EU QUERO O FIM
DA POLÍCIA MILITAR
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Midiativismo em debate
NÃO GOSTA DA MÍDIA? SEJA A MÍDIA!
No dia 20 de outubro, mídiativistas de diversos coletivos participaram de uma discussão na Assembleia Popular do Grande Méier. Discutimos o trabalho do midiativista e a influência transformadora na sociedade.
O TRABALHO DO MIDIATIVISTA
Parte do trabalho do midiativista passa por cobrir as manifestações. Nelas, a polícia mostra seu caráter de classe ao atacar os manifestantes. Tais ataques, quando filmados, tem uma grande capacidade de transformar a opinião das massas, colocando em cheque a legitimidade do Estado e sua polícia.
Por exemplo, em junho de 2013, uma jornalista teve o olho atingido por uma bala de borracha, disparada pela Polícia Militar (PM). Esta imagem deixou clara para uma parcela grande da população quem era violento. O Estado ficou nu!
Além dessa agressão, os midiativistas registraram a PM atacando covardemente advogados e jornalistas. Hoje, 28 de agosto, tivemos o julgamento do Major Pinto e o Tenente Bruno Andrade pela tentativa de forjar flagrante contra um adolescente de 15 anos durante uma manifestação, flagrado por um cinegrafista. Assim, o registro das manifestações garante não só a integridade física dos manifestantes, mas também impede abusos maiores pela PM.
MOMENTO HISTÓRICO E NOVAS TECNOLOGIAS
O midiativismo surge em um momento histórico de grandes transformações no tráfego da informação. Vivemos a popularização da internet de alta velocidade, podendo disseminar vídeos em tempo real. Ao mesmo tempo, as redes sociais fazem a ligação entre o real e o virtual, entre amigos, colegas de trabalho ou de escola.
Neste cenário, as mídias tradicionais, como jornais, TVs e rádios não tiveram tempo (nem capacidade) de ocupar todos os espaços na rede, deixando uma lacuna a ser preenchida. Jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos ocuparam estes espaços. Entretanto, o mais surpreendente a participação de cidadãos comuns das mais variadas profissões.
Aliado a isso, ocorre uma convulsão social no Brasil, que foi às ruas questionar as relações de poder, reivindicando o aumento das garantias sociais e maior participação nas decisões.
Assim, juntou-se o desejo de mudança com ferramentas mais democráticas. O resultado foi a criação do midiativismo. Este não pretende apenas informar. Depois de pouco tempo escrevendo textos políticos, percebi que não existe informação isenta. Pra mim, ficou claro que quem domina a informação pode relatar o mesmo fato, mas transmitir uma mensagem completamente diferente. O midiativismo, portanto, já no seu nascimento é um discurso transformador, pois põe a prova o discurso oficial.
TRANSFORMAR O QUE?
Os meios de comunicação, hoje, são controlados por empresas que dependem de publicidade e, portanto, de outras empresas. Assim, ao contrariar um patrocinador, um jornal pode enfrentar problemas. O resultado trágico disso é que as matérias são pautadas pelos que compram espaço de publicidade, nunca contrariando os interesses das grandes empresas.
Estes grandes empresários são, por essência, capitalistas. Além disso, eles controlam não só a mídia, mas também muitos políticos e se fundamentam em um discurso fascista. Parte desse discurso passa por repetir uma visão patriarcal, machista, racista e homofóbico, esquecendo assim a divisão de classes. "O nosso problema são as vagabundas, os negros e os gays", dizem.
Ao fazer o discurso contra-hegemônico, a mídia livre ataca esta estrutura de poder.
CONTRAPOR O DISCURSO HEGEMÔNICO
As agressões policiais constituem o maior risco a nossa atividade. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), durante a Copa do Mundo, 88% dos casos registrados de violência contra jornalistas foram provocados por policiais, dos quais 44% foram intencionais[1].
Ou seja, o pior inimigo do jornalismo é o Estado, que usa a Polícia como braço armado.
Mesmo com evidências mostrando que a Polícia ataca sistematicamente os jornalistas, houve um caso emblemático que levou uma ideia diferente à população - o caso Santiago Andrade. Este acidente foi amplamente divulgado pela mídia mercantil como intencional, o que permitiu ao Judiciário acusar os manifestantes Caio e Fábio de homicídio doloso.
Neste episódio, apesar do intenso trabalho, as mídias independentes não conseguiram contrapor o discurso hegemônico e a população se convenceu de que aqueles dois jovens representavam um perigo à sociedade.
DEMOCRACIA INCOMPLETA
A democracia conquistada pelos brasileiros em 1984 nasceu com dois antigos tumores: a Polícia Militar e a mídia mercantil. Esses dois braços de poder dos ricos têm atacado, de forma sistemática, o povo pobre do nosso país. Crias da ditadura, elas sofrem dos mesmos problemas do regime totalitário: são fascistas, racistas, machistas, etc.
Neste sentido, o midiativismo vem para aprofundar nossa democracia. Ao denunciar a violência policial e fazer o discurso contra-hegemônico, estamos enfrentando estes dois poderes. Assim, a democracia só terá um caráter mais popular quando a mídia mercantil e a PM estiverem extintas. Para isso, o trabalho das mídias independentes será fundamental.
Você também está insatisfeito com a mídia mercantil? Então seja você a nova mídia!
[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
No dia 20 de outubro, mídiativistas de diversos coletivos participaram de uma discussão na Assembleia Popular do Grande Méier. Discutimos o trabalho do midiativista e a influência transformadora na sociedade.
O TRABALHO DO MIDIATIVISTA
Parte do trabalho do midiativista passa por cobrir as manifestações. Nelas, a polícia mostra seu caráter de classe ao atacar os manifestantes. Tais ataques, quando filmados, tem uma grande capacidade de transformar a opinião das massas, colocando em cheque a legitimidade do Estado e sua polícia.
Por exemplo, em junho de 2013, uma jornalista teve o olho atingido por uma bala de borracha, disparada pela Polícia Militar (PM). Esta imagem deixou clara para uma parcela grande da população quem era violento. O Estado ficou nu!
Além dessa agressão, os midiativistas registraram a PM atacando covardemente advogados e jornalistas. Hoje, 28 de agosto, tivemos o julgamento do Major Pinto e o Tenente Bruno Andrade pela tentativa de forjar flagrante contra um adolescente de 15 anos durante uma manifestação, flagrado por um cinegrafista. Assim, o registro das manifestações garante não só a integridade física dos manifestantes, mas também impede abusos maiores pela PM.
MOMENTO HISTÓRICO E NOVAS TECNOLOGIAS
O midiativismo surge em um momento histórico de grandes transformações no tráfego da informação. Vivemos a popularização da internet de alta velocidade, podendo disseminar vídeos em tempo real. Ao mesmo tempo, as redes sociais fazem a ligação entre o real e o virtual, entre amigos, colegas de trabalho ou de escola.
Neste cenário, as mídias tradicionais, como jornais, TVs e rádios não tiveram tempo (nem capacidade) de ocupar todos os espaços na rede, deixando uma lacuna a ser preenchida. Jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos ocuparam estes espaços. Entretanto, o mais surpreendente a participação de cidadãos comuns das mais variadas profissões.
Aliado a isso, ocorre uma convulsão social no Brasil, que foi às ruas questionar as relações de poder, reivindicando o aumento das garantias sociais e maior participação nas decisões.
Assim, juntou-se o desejo de mudança com ferramentas mais democráticas. O resultado foi a criação do midiativismo. Este não pretende apenas informar. Depois de pouco tempo escrevendo textos políticos, percebi que não existe informação isenta. Pra mim, ficou claro que quem domina a informação pode relatar o mesmo fato, mas transmitir uma mensagem completamente diferente. O midiativismo, portanto, já no seu nascimento é um discurso transformador, pois põe a prova o discurso oficial.
TRANSFORMAR O QUE?
Os meios de comunicação, hoje, são controlados por empresas que dependem de publicidade e, portanto, de outras empresas. Assim, ao contrariar um patrocinador, um jornal pode enfrentar problemas. O resultado trágico disso é que as matérias são pautadas pelos que compram espaço de publicidade, nunca contrariando os interesses das grandes empresas.
Estes grandes empresários são, por essência, capitalistas. Além disso, eles controlam não só a mídia, mas também muitos políticos e se fundamentam em um discurso fascista. Parte desse discurso passa por repetir uma visão patriarcal, machista, racista e homofóbico, esquecendo assim a divisão de classes. "O nosso problema são as vagabundas, os negros e os gays", dizem.
Ao fazer o discurso contra-hegemônico, a mídia livre ataca esta estrutura de poder.
CONTRAPOR O DISCURSO HEGEMÔNICO
As agressões policiais constituem o maior risco a nossa atividade. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), durante a Copa do Mundo, 88% dos casos registrados de violência contra jornalistas foram provocados por policiais, dos quais 44% foram intencionais[1].
Ou seja, o pior inimigo do jornalismo é o Estado, que usa a Polícia como braço armado.
Mesmo com evidências mostrando que a Polícia ataca sistematicamente os jornalistas, houve um caso emblemático que levou uma ideia diferente à população - o caso Santiago Andrade. Este acidente foi amplamente divulgado pela mídia mercantil como intencional, o que permitiu ao Judiciário acusar os manifestantes Caio e Fábio de homicídio doloso.
Neste episódio, apesar do intenso trabalho, as mídias independentes não conseguiram contrapor o discurso hegemônico e a população se convenceu de que aqueles dois jovens representavam um perigo à sociedade.
DEMOCRACIA INCOMPLETA
A democracia conquistada pelos brasileiros em 1984 nasceu com dois antigos tumores: a Polícia Militar e a mídia mercantil. Esses dois braços de poder dos ricos têm atacado, de forma sistemática, o povo pobre do nosso país. Crias da ditadura, elas sofrem dos mesmos problemas do regime totalitário: são fascistas, racistas, machistas, etc.
Neste sentido, o midiativismo vem para aprofundar nossa democracia. Ao denunciar a violência policial e fazer o discurso contra-hegemônico, estamos enfrentando estes dois poderes. Assim, a democracia só terá um caráter mais popular quando a mídia mercantil e a PM estiverem extintas. Para isso, o trabalho das mídias independentes será fundamental.
Você também está insatisfeito com a mídia mercantil? Então seja você a nova mídia!
[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Marina Silva, Ecocapitalista e seu Dono de Escravos
O PSB acabou de oficializar Marina Silva como candidata a presidência da República e esta já decola nas pesquisas eleitorais [1]. Conhecida pelo seu discurso ecológico-capitalista, ela já foi ministra do Meio Ambiente por sete anos, quando tivemos a aprovação dos transgênicos. Em 2004, o vice de Marina, Beto Albuquerque, esteve envolvido no desenvolvimento da Medida Provisória que autorizou o plantio de soja transgênica no Brasil [2]. Marina, também como ministra, defendeu a transposição do Rio São Francisco em 2007 [3].
A campanha do PSB, agora encabeçada por Marina, é a terceira mais rica. Eis os patrocinadores que investiram mais de R$ 1 milhão [4]:
A campanha do PSB, agora encabeçada por Marina, é a terceira mais rica. Eis os patrocinadores que investiram mais de R$ 1 milhão [4]:
- Arosuco Aromas e Sucos LTDA;
- JBS S/A;
- Copersucar S/A;
- Cosan Lubrificantes e Especialidades S/A.
Faremos agora uma pequena investigação sobre estes grandes doadores.
A Arosuco financia PT, PMDB e PSDB [5]. Ela pertence à Ambev do homem mais rico do Brasil [6],
Jorge Paulo Lemann. Ele comprou a sorveteria Diletto de Verônica Serra, filha de José Serra, por 17 vezes o faturamento de uma sorveteria sem lucratividade estimada[7]. Ele também foi investigado por um buraco de US$ 200 milhões nas contas do Banco Garantia [8].
Continuemos. O dono da JBS, Joesley Batista, também um dos homens mais ricos do Brasil, é acusado de sonegação fiscal e empréstimos cruzados [9]. Além disso, a Polícia Federal o investiga por evasão de divisas e de financiar "caixa 2" de campanha político-partidária [10].
O nosso campeão do crime é o dono da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, a segundo empresário mais rico do mundo em "energia verde" [12]. Ele é acusado de fazer parte de um cartel para aumentar o preço de combustíveis [13]. Além disso, ele está em outro inquérito por crime ambiental e contra o patrimônio genético [14]. Por fim, ele é acusado de ter 28 ESCRAVOS em sua fazenda no Pará [15].
Em suma, nos seus 7 anos a frente do Ministério do Meio Ambiente, Marina não foi capaz de enfrentar problemas ambientais graves e, agora, se alia a um notório agrocriminoso. Já seu patrocinadores sofrem das tradicionais doenças das grandes fortunas - a corrupção. Um chega até a ser proprietário de escravos.
Neste cenário, uma eventual eleição de Marina na presidência não representaria reais mudanças no paradigma político do Brasil. Não esperemos que ela enfrente os poderosos. Parece que os políticos que poderiam fazer transformações reais, nunca teriam chance no sistema eleitoral que temos.
Eleição é farsa!
Não vote, Lute!
Eleição é farsa!
Não vote, Lute!
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Cartum: Carlos Latuff
Cartum: Carlos Latuff
[1] - http://www.infomoney.com.br/mercados/eleicoes/noticia/3533350/ibope-divulga-primeira-pesquisa-apos-confirmacao-marina-proxima-semana
[2] - http://www.cartacapital.com.br/politica/beto-albuquerque-3550.html
[3] - http://reporterbrasil.org.br/2007/03/marina-silva-defende-transposicao-do-rio-sao-francisco/
[4] - http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/veja-as-doacoes-feitas-para-a-campanha-de-eduardo-campos/
[5] - http://www.donosdocongresso.com.br/donatarios/?doador=03134910
[6] - http://noticias.r7.com/economia/fotos/sem-eike-lista-de-bilionarios-traz-o-dono-da-ambev-e-do-banco-safra-entre-os-brasileiros-mais-ricos-05032014#!/foto/3
[7] - http://www.brasil247.com/pt/247/economia/96697/Por-que-Lemann-e-Ver%C3%B4nica-pagaram-tanto-pelo-picol%C3%A9.htm
[8] - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,ERT156504-15259-156504-3934,00.html
[9] - http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pf-indicia-joesley-batista-e-katia-rabello-por-emprestimos-cruzados-entre-empresas-imp-,1131884
[10] - http://www.brasilnoticia.com.br/justica/policia-federal-descobre-vinculo-de-wesley-batista-com-lavagem-de-dinheiro/18538
[11] - http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/bioagroenergia/2012/11/07/copersucar-nos-eua-o-pulo-do-gato/
[12] - http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/noticia/2410475/dono-cosan-esta-entre-mais-ricos-mundo-que-investem-energia
[13] - http://www.aredacao.com.br/noticias/7506/aprovado-relatorio-que-indicia-25-suspeitos-de-cartel
[14] - http://www.sermateczaninionline.com.br/posts/tj-sp-manda-trancar-acao-penal-contra-rubens-ometto/
[15] - http://reporterbrasil.org.br/2010/04/fazenda-com-30-mil-cabecas-de-gado-mantinha-28-escravos/
domingo, 10 de agosto de 2014
Marcha das Vadias 2014
A Marcha das Vadias teve, neste ano, um motivo especial. No final de 2013, o IPEA divulgou que 1 em cada 4 brasileiros acham que mulheres merecem ser atacadas por usarem roupas curtas[1]. Afinal, é muito difícil de se controlar e não estuprar alguém de mini-saia. Isso explica porquê são estupradas 50 mil mulheres no Brasil, todos os anos.
"Nada pode ser motivo de estupro!"
Com esta frase, a organização da Marcha termina um lindo manifesto, que vale a pena ler na íntegra [2].
Viver em uma cultura do estupro não é fácil. Nela, as mulheres não têm direito ao próprio corpo. Se você é mulher, negra e mora em comunidade, cuidado! Outros 'motivos' para perder o direito sobre o seu corpo incluem profissão, identidade de gênero e orientação sexual.
Entretanto, nem tudo são espinhos. Como chefe do Executivo, temos uma presidenta (com ênfase no "a") que insiste em falar de melhorias para a mulher. Vejamos o quanto a presidenta se preocupa com as mulheres. Enquanto o Brasil pretende investir 10% do PIB para a educação até 2024, sabe qual o valor investido na Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)?
- 0,004% do PIB!
Em 2013, a SPM teve um orçamento de R$191 milhões, o que representa 0,7% dos valores repassados aos outros órgãos [3]. Isso mostra como evitar a violência contra a mulher não é, nem de longe, prioridade.
Outras reivindicações da Marcha incluem:
- regulamentação da prostituição;
- humanização, qualidade e segurança do atendimento aos casos de aborto legal no SUS;
- ampliação do acesso e a boa qualidade dos serviços de saúde integral para as mulheres e gestantes;
- acesso a informação e métodos de qualidade sobre contracepção e planejamento familiar;
- autonomia da mulher sobre seus corpos;
- aborto legal, seguro, raro e gratuito;
- partos seguros e sem violência física ou psicológica.
Vale a pena lembrar também, que o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo [4]. Segundo o projeto Transgender Europe’s Trans Murder Monitoring, em 2013, o Brasil contabilizou 95 mortes, 138% acima do segundo colocado, o México com 40.
Como se não pudesse piorar, poucos dias antes da marcha, três mulheres foram estupradas por uma gangue de Policias Militares [5], por estarem próximas a um local de uso de crack. Bancados pelo dinheiro público, estes policiais consideraram que a pena por usar crack é o estupro, executado por eles próprios. Não sabiam que duas das mulheres estupradas eram mãe e filha, que estavam lá para convencer a amiga a abandonar o uso de drogas.
Já passou da hora de tomarmos uma atitude frente a essa violência. Transformar a cultura de uma sociedade não é fácil. Por isso, devemos tomar essa responsabilidade em nossas mãos. Pressionar governos para que adequem as leis no sentido de diminuir a violência. Aumentar o orçamento dos programas que enfrentam a violência contra a mulher e pessoa trans. Criemos uma educação da não-violência contra a mulher. Não podemos permitir o machismo ou transfobia nos nossos círculos de amigos.
Nossos corpos, nossas regras!
-----------------------------------
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Foto: Érica Rocha | Mídia Independente Coletiva - MIC
[1] - http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres_novo.pdf
[2] - http://marchadasvadiasrio.blogspot.com.br/2014/08/normal-0-false-false-false-es-mx-ja-x.html
[3] - http://www.cfemea.org.br/images/stories/analise_spm.pdf
[4] - http://www.tgeu.org/node/435
[5] - http://www2.tupi.am/programas/Jornalismo/85106/PMs-sao-acusados-de-espancar-usuarios-de-crack-e-estuprar-tres-mulheres-na-comunidade-do-Jacare-[5] - http://www2.tupi.am/programas/Jornalismo/85106/PMs-sao-acusados-de-espancar-usuarios-de-crack-e-estuprar-tres-mulheres-na-comunidade-do-Jacare-
"Nada pode ser motivo de estupro!"
Com esta frase, a organização da Marcha termina um lindo manifesto, que vale a pena ler na íntegra [2].
Viver em uma cultura do estupro não é fácil. Nela, as mulheres não têm direito ao próprio corpo. Se você é mulher, negra e mora em comunidade, cuidado! Outros 'motivos' para perder o direito sobre o seu corpo incluem profissão, identidade de gênero e orientação sexual.
Entretanto, nem tudo são espinhos. Como chefe do Executivo, temos uma presidenta (com ênfase no "a") que insiste em falar de melhorias para a mulher. Vejamos o quanto a presidenta se preocupa com as mulheres. Enquanto o Brasil pretende investir 10% do PIB para a educação até 2024, sabe qual o valor investido na Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)?
- 0,004% do PIB!
Em 2013, a SPM teve um orçamento de R$191 milhões, o que representa 0,7% dos valores repassados aos outros órgãos [3]. Isso mostra como evitar a violência contra a mulher não é, nem de longe, prioridade.
Outras reivindicações da Marcha incluem:
- regulamentação da prostituição;
- humanização, qualidade e segurança do atendimento aos casos de aborto legal no SUS;
- ampliação do acesso e a boa qualidade dos serviços de saúde integral para as mulheres e gestantes;
- acesso a informação e métodos de qualidade sobre contracepção e planejamento familiar;
- autonomia da mulher sobre seus corpos;
- aborto legal, seguro, raro e gratuito;
- partos seguros e sem violência física ou psicológica.
Vale a pena lembrar também, que o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo [4]. Segundo o projeto Transgender Europe’s Trans Murder Monitoring, em 2013, o Brasil contabilizou 95 mortes, 138% acima do segundo colocado, o México com 40.
Como se não pudesse piorar, poucos dias antes da marcha, três mulheres foram estupradas por uma gangue de Policias Militares [5], por estarem próximas a um local de uso de crack. Bancados pelo dinheiro público, estes policiais consideraram que a pena por usar crack é o estupro, executado por eles próprios. Não sabiam que duas das mulheres estupradas eram mãe e filha, que estavam lá para convencer a amiga a abandonar o uso de drogas.
Já passou da hora de tomarmos uma atitude frente a essa violência. Transformar a cultura de uma sociedade não é fácil. Por isso, devemos tomar essa responsabilidade em nossas mãos. Pressionar governos para que adequem as leis no sentido de diminuir a violência. Aumentar o orçamento dos programas que enfrentam a violência contra a mulher e pessoa trans. Criemos uma educação da não-violência contra a mulher. Não podemos permitir o machismo ou transfobia nos nossos círculos de amigos.
Nossos corpos, nossas regras!
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Foto: Érica Rocha | Mídia Independente Coletiva - MIC
[1] - http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres_novo.pdf
[2] - http://marchadasvadiasrio.blogspot.com.br/2014/08/normal-0-false-false-false-es-mx-ja-x.html
[3] - http://www.cfemea.org.br/images/stories/analise_spm.pdf
[4] - http://www.tgeu.org/node/435
[5] - http://www2.tupi.am/programas/Jornalismo/85106/PMs-sao-acusados-de-espancar-usuarios-de-crack-e-estuprar-tres-mulheres-na-comunidade-do-Jacare-[5] - http://www2.tupi.am/programas/Jornalismo/85106/PMs-sao-acusados-de-espancar-usuarios-de-crack-e-estuprar-tres-mulheres-na-comunidade-do-Jacare-
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Controle Social pelo Terror
Dizem que vivemos no tal Estado Democrático de Direito. Nele, temos direita à manifestação livre, sem sermos agredidos pela polícia. Outro princípio é o da presunção da inocência, o velho "inocente até que se prove o contrário".
Entretanto, as jornadas de junho de 2013 colocaram o governo contra a parede: ou ele acata as reivindicações do povo, ou manifestantes continuariam tomando ruas e prédios públicos.
Devemos lembrar também que temos uma polícia "cria da ditadura", que vê o povo como inimigo e potencial terrorista.
Assim, quando o povo tomou as ruas, a resposta dos governos foi usar a repressão policial, atirando balas e bombas, que cegaram e mataram muitos manifestantes.
O resultado deste terror foi que muitos pais e mães já não permitiam que seus filhos arriscassem suas vidas nas passeatas. A mídia abraçou o terror, exibindo repetidamente imagens de violência e colocando a culpa nos que protestavam.
Mesmo com todo esse medo disseminado, governos e mídia não foram capazes de retirar todos das ruas. As demandas foram além dos 20 centavos, queríamos mais investimentos em saúde e educação.
Frente a isso, o Estado não teve alternativa. Se a violência Polícia Militar não foi suficiente, ele podem acionar a Polícia Civil.
As polícias começaram com a tática comum das ditaduras: escutas, grampos e violações de correspondências. No Rio de Janeiro, usaram a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), que invadiu casas de ativistas, com mandados de prisão por crime de lei de proteção a propriedade intelectual de programa de computador [1]. Na verdade, estes arapongas invadem a privacidade de ativistas buscando pequenos delitos que incriminem.
Depois do uso desse tipo de tática repressiva, muitos manifestantes começaram a medir cada palavra escrita em rede social, falada ao telefone. Mesmo assim, na prisão da final da Copa do Mundo, as acusações diziam que a palavra 'caneta' era código para rojão, 'drinque' virou coquetel molotov e 'livro' virou bomba. A Polícia Civil ainda roubou da casa de manifestantes grampeadores, jornais, bandeiras e camisetas, que seriam usadas como provas de grupo criminoso armado. Talvez temessem que manifestantes grampeassem uma bandeira na testa de político corrupto.
Desde o ano passado, centenas de manifestantes foram detidos, presos e torturados pelos motivos mais banais. Jornalistas agredidos, espancados e presos. Advogados tiveram os telefones grampeados, violando princípios da Constituição. Garotas foram torturadas nas cadeias.
Neste cenário, muitos manifestantes, jornalistas e advogados já temem dormir em casa. Acordam às 5:00 com medo da visita da Polícia Civil. O que farão com meu filho se eu for preso? Quem cuidará da minha família?
Bem vindo ao Estado de Terror!
[1] - https://www.youtube.com/watch?v=SIf4HD7ppJk
Entretanto, as jornadas de junho de 2013 colocaram o governo contra a parede: ou ele acata as reivindicações do povo, ou manifestantes continuariam tomando ruas e prédios públicos.
Devemos lembrar também que temos uma polícia "cria da ditadura", que vê o povo como inimigo e potencial terrorista.
Assim, quando o povo tomou as ruas, a resposta dos governos foi usar a repressão policial, atirando balas e bombas, que cegaram e mataram muitos manifestantes.
O resultado deste terror foi que muitos pais e mães já não permitiam que seus filhos arriscassem suas vidas nas passeatas. A mídia abraçou o terror, exibindo repetidamente imagens de violência e colocando a culpa nos que protestavam.
Mesmo com todo esse medo disseminado, governos e mídia não foram capazes de retirar todos das ruas. As demandas foram além dos 20 centavos, queríamos mais investimentos em saúde e educação.
Frente a isso, o Estado não teve alternativa. Se a violência Polícia Militar não foi suficiente, ele podem acionar a Polícia Civil.
As polícias começaram com a tática comum das ditaduras: escutas, grampos e violações de correspondências. No Rio de Janeiro, usaram a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), que invadiu casas de ativistas, com mandados de prisão por crime de lei de proteção a propriedade intelectual de programa de computador [1]. Na verdade, estes arapongas invadem a privacidade de ativistas buscando pequenos delitos que incriminem.
Depois do uso desse tipo de tática repressiva, muitos manifestantes começaram a medir cada palavra escrita em rede social, falada ao telefone. Mesmo assim, na prisão da final da Copa do Mundo, as acusações diziam que a palavra 'caneta' era código para rojão, 'drinque' virou coquetel molotov e 'livro' virou bomba. A Polícia Civil ainda roubou da casa de manifestantes grampeadores, jornais, bandeiras e camisetas, que seriam usadas como provas de grupo criminoso armado. Talvez temessem que manifestantes grampeassem uma bandeira na testa de político corrupto.
Desde o ano passado, centenas de manifestantes foram detidos, presos e torturados pelos motivos mais banais. Jornalistas agredidos, espancados e presos. Advogados tiveram os telefones grampeados, violando princípios da Constituição. Garotas foram torturadas nas cadeias.
Neste cenário, muitos manifestantes, jornalistas e advogados já temem dormir em casa. Acordam às 5:00 com medo da visita da Polícia Civil. O que farão com meu filho se eu for preso? Quem cuidará da minha família?
Bem vindo ao Estado de Terror!
[1] - https://www.youtube.com/watch?v=SIf4HD7ppJk
terça-feira, 29 de julho de 2014
A Calúnia
A CALÚNIA
-------------
Sabe quando você está assistindo um filme e, no meio, percebe que a estória é muito mirabolante? Parece que o autor não soube como conectar os fatos e inventou qualquer coisa. Pois nas últimas semanas, no Rio de Janeiro, a vida tem imitado a arte.
Neste quadro de Botticelli "A Calúnia", um homem inocente é arrastado diante do rei pelas personificações da Calúnia, Malícia, Fraude e Inveja. São seguidos pelo Remorso, a esquerda. Uma velha que vira o rosto para a Verdade. A nudez da Verdade a conecto com o jovem inocente, cujas mãos atadas mostram um apelo a um poder maior. Cochichando no ouvido do rei estão Ignorância e Desconfiança.
Já a calúnia que levou à prisão de dezenas de ativistas inclui corações partidos, traições, planos incendiários, personagens principais e secundários. Seria cômico se isso tudo não implicasse pessoas presas, torturadas e difamadas.
Para entender a profundidade do poço de vergonha que polícia civil, juiz e Ministério Público cavaram, eu listei alguns dos fatos mais interessantes do processo. Ajude a completar a lista nos comentários!
Malícia:
- Escuta em advogada: proibido pela lei nº 11.767/08 [1], fere o Estado Democrático de Direito, uma vez que ataca o direito de defesa.
- Sigilo do processo: o processo não pôde ser apreciado pelo advogado de defesa, nem pelo desembargador responsável por avaliar o pedido de habeas corpus. Entretanto, a Rede Goebbles teve acesso a todo o processo, incluindo escutas. Delegado e jornalistas poderias responder pelos crimes, se houvesse justiça.
- Crime inexistente: os manifestantes foram presos por planejar cometer crimes, conhecido como "crime de pensamento". Ou seja, o delegado "previu" que crimes ocorressem, por isso prendeu todo mundo.
- Sininho foi presa em Porto Alegre, o que indica o conluio entre o Secretário Estadual de Segurança Beltrame e o Ministro da Justiça Cardozo. Pezão (PMDB) e Dilma (PT) se mostram unidos para reprimir.
Inveja e Remorso:
As principais testemunhas de acusação são pessoas que tinham razões pessoais para prejudicar alguns manifestantes.
- Clayton: rapaz vulnerável, com visíveis problemas mentais, confessou ser apaixonado por Sininho e se arrepender das acusações;
- Felipe Bráz: foi expulso do movimento por atitudes machistas. Em entrevista[2], chamou o Desembargador Siro Darlan de "viado" e mostrou estar muito feliz com a prisão da Sininho. Além disso, responde à pergunta da jornalista com "Pô, você deve ser muito gatinha, mas por que eu falaria isso pra você?".
- Anne Josephine: companheira de Game Over, que foi traída quando este namorou com Sininho.
Ignorância:
- Inquérito coloca o filósofo Bakunin, morto em 1876, como potencial suspeito.
- Em um depoimento, Sininho foi acusada de carregar 3 galões com 10 litros de gasolina cada um. Essa mulher é forte mesmo!
Fraude:
- Escutas mencionavam canetas, livros, drinques e pisca-pisca. Estes foram interpretados pela polícia como sendo rojões e coquetéis molotov.
- Arma apreendida tinha licença e não era dos acusados, mas do pai de uma das presas. Ao chegar na delegacia, a arma foi incluída como prova contra todos, pois estava com a licença vencida.
- Outras provas incluem: saca-rolhas, grampeador, fita adesiva, caixa de papelão, revistas, jornais, bandeiras, camisetas pretas e mouse;
- Ligação entre Sininho e o pai, onde ela diz que não queria ir para Minas Gerais, pois "o negócio lá estava pegando fogo". Ou seja, ela foi incriminada por estar com receio de ser incriminada. Além disso, o verbo "bombar" e "patriotada nojenta" também incriminam os subversivos.
- Comprar quentinhas para manifestantes também está proibido.
- Outra acusação foi a de a advogada Eloisa Samy realizar reuniões em casa.
- Os mandados de prisão indicavam crimes contra a propriedade intelectual, como possuir software pirata [3]. Só ao chegar na delegacia, os presos descobriram que estavam sendo indiciados por formação de quadrilha armada.
- Ministério Público leu o processo de 2.000 páginas e indiciou manifestantes em apenas 2 horas.
Calúnia
- A Rede Goebbles foi a grande articuladora que, em conluio com delegado e juiz, transformou a atividade política em crime.
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Imagem: Calunnia (Botticelli)
[1] - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11767.htm
[2] - http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-24/ex-lider-da-fip-e-a-principal-testemunha-em-inquerito-contra-ativistas.html
[3] - http://youtu.be/SIf4HD7ppJk
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Sabe quando você está assistindo um filme e, no meio, percebe que a estória é muito mirabolante? Parece que o autor não soube como conectar os fatos e inventou qualquer coisa. Pois nas últimas semanas, no Rio de Janeiro, a vida tem imitado a arte.
Neste quadro de Botticelli "A Calúnia", um homem inocente é arrastado diante do rei pelas personificações da Calúnia, Malícia, Fraude e Inveja. São seguidos pelo Remorso, a esquerda. Uma velha que vira o rosto para a Verdade. A nudez da Verdade a conecto com o jovem inocente, cujas mãos atadas mostram um apelo a um poder maior. Cochichando no ouvido do rei estão Ignorância e Desconfiança.
Já a calúnia que levou à prisão de dezenas de ativistas inclui corações partidos, traições, planos incendiários, personagens principais e secundários. Seria cômico se isso tudo não implicasse pessoas presas, torturadas e difamadas.
Para entender a profundidade do poço de vergonha que polícia civil, juiz e Ministério Público cavaram, eu listei alguns dos fatos mais interessantes do processo. Ajude a completar a lista nos comentários!
Malícia:
- Escuta em advogada: proibido pela lei nº 11.767/08 [1], fere o Estado Democrático de Direito, uma vez que ataca o direito de defesa.
- Sigilo do processo: o processo não pôde ser apreciado pelo advogado de defesa, nem pelo desembargador responsável por avaliar o pedido de habeas corpus. Entretanto, a Rede Goebbles teve acesso a todo o processo, incluindo escutas. Delegado e jornalistas poderias responder pelos crimes, se houvesse justiça.
- Crime inexistente: os manifestantes foram presos por planejar cometer crimes, conhecido como "crime de pensamento". Ou seja, o delegado "previu" que crimes ocorressem, por isso prendeu todo mundo.
- Sininho foi presa em Porto Alegre, o que indica o conluio entre o Secretário Estadual de Segurança Beltrame e o Ministro da Justiça Cardozo. Pezão (PMDB) e Dilma (PT) se mostram unidos para reprimir.
Inveja e Remorso:
As principais testemunhas de acusação são pessoas que tinham razões pessoais para prejudicar alguns manifestantes.
- Clayton: rapaz vulnerável, com visíveis problemas mentais, confessou ser apaixonado por Sininho e se arrepender das acusações;
- Felipe Bráz: foi expulso do movimento por atitudes machistas. Em entrevista[2], chamou o Desembargador Siro Darlan de "viado" e mostrou estar muito feliz com a prisão da Sininho. Além disso, responde à pergunta da jornalista com "Pô, você deve ser muito gatinha, mas por que eu falaria isso pra você?".
- Anne Josephine: companheira de Game Over, que foi traída quando este namorou com Sininho.
Ignorância:
- Inquérito coloca o filósofo Bakunin, morto em 1876, como potencial suspeito.
- Em um depoimento, Sininho foi acusada de carregar 3 galões com 10 litros de gasolina cada um. Essa mulher é forte mesmo!
Fraude:
- Escutas mencionavam canetas, livros, drinques e pisca-pisca. Estes foram interpretados pela polícia como sendo rojões e coquetéis molotov.
- Arma apreendida tinha licença e não era dos acusados, mas do pai de uma das presas. Ao chegar na delegacia, a arma foi incluída como prova contra todos, pois estava com a licença vencida.
- Outras provas incluem: saca-rolhas, grampeador, fita adesiva, caixa de papelão, revistas, jornais, bandeiras, camisetas pretas e mouse;
- Ligação entre Sininho e o pai, onde ela diz que não queria ir para Minas Gerais, pois "o negócio lá estava pegando fogo". Ou seja, ela foi incriminada por estar com receio de ser incriminada. Além disso, o verbo "bombar" e "patriotada nojenta" também incriminam os subversivos.
- Comprar quentinhas para manifestantes também está proibido.
- Outra acusação foi a de a advogada Eloisa Samy realizar reuniões em casa.
- Os mandados de prisão indicavam crimes contra a propriedade intelectual, como possuir software pirata [3]. Só ao chegar na delegacia, os presos descobriram que estavam sendo indiciados por formação de quadrilha armada.
- Ministério Público leu o processo de 2.000 páginas e indiciou manifestantes em apenas 2 horas.
Calúnia
- A Rede Goebbles foi a grande articuladora que, em conluio com delegado e juiz, transformou a atividade política em crime.
--------
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Imagem: Calunnia (Botticelli)
[1] - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11767.htm
[2] - http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-24/ex-lider-da-fip-e-a-principal-testemunha-em-inquerito-contra-ativistas.html
[3] - http://youtu.be/SIf4HD7ppJk
sábado, 12 de julho de 2014
Queridos amigos, fiquem tranquilos pois eu não fui preso hoje
Todos manifestantes estão correndo risco de prisão neste momento.
Hoje pela manhã foram expedidos 29 mandos, que resultaram na prisão de 36 pessoas.
19 destes, tinham seus nomes no mandado do juiz o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal da Capital. Outros 16 dormiam nas casas dos manifestantes, e 1 é o pai de uma das ativistas que tinha uma arma de fogo com licença vencida em casa.
As prisões dos 19 acusados foram determinadas pelo artigo 288 do Código Penal (Organização Criminosa), pois o juiz entendeu que existem evidências de que os indiciados se organizam para provocar manifestações violentas. Este artigo é o mais usado para colocar os ativistas políticos na prisão, pois abre margem para juízes e delegados interpretarem da forma que quiser, sem medo de punição.
Este juiz Nicolau (lembra alguém?), mesmo que comprovada a arbitrariedade do mandado, ficará protegido pela estrutura do sistema e falta de clareza na lei. Ou seja, nosso sistema permite criar presos políticos sem que os responsáveis sejam punidos.
Como sonhar em uma sociedade que criminaliza a livre expressão?
Todas estas prisões são arbitrárias, sendo que as provas encontradas consistem de máscaras de gás, panfletos, jornais, camisetas pretas (anarquistas), etc. Alguém deveria avisar o delegado responsável pela operação que a ditadura já acabou e que não se pode perseguir alguém por suas idéias políticas expressas no material encontrado. Assim, delegado e juiz deveriam utilizar outra desculpa legal para as prisões.
Ainda, foi apreendida uma arma do pai de um militante com licença vencida, que está sendo usada para incriminar os manifestantes. A militante, no caso, tem 16 anos. Seu pai também foi preso.
Além destes, há mais 16 detidos por ação cautelar, que estavam dormindo na casa dos ativistas presos. Se seu amigo é ativista político, cuidado! Não durma na casa dele>
Frente a esta grotesca afronta a nossa Constituição e a dignidade humana, peço que o você, meu amigo, se posicione publicamente para defender as liberdades democráticas. Todos manifestantes estão correndo risco de prisão neste momento.
Manifeste-se!
Ligue ou envie mensagem para o seu vereador, deputado, senador, presidente da associação de bairro, sindicato, grêmio estudantil, etc.
O povo brasileiro não pode permitir mais presos políticos! Ditadura nunca mais!
Hoje pela manhã foram expedidos 29 mandos, que resultaram na prisão de 36 pessoas.
19 destes, tinham seus nomes no mandado do juiz o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal da Capital. Outros 16 dormiam nas casas dos manifestantes, e 1 é o pai de uma das ativistas que tinha uma arma de fogo com licença vencida em casa.
As prisões dos 19 acusados foram determinadas pelo artigo 288 do Código Penal (Organização Criminosa), pois o juiz entendeu que existem evidências de que os indiciados se organizam para provocar manifestações violentas. Este artigo é o mais usado para colocar os ativistas políticos na prisão, pois abre margem para juízes e delegados interpretarem da forma que quiser, sem medo de punição.
Este juiz Nicolau (lembra alguém?), mesmo que comprovada a arbitrariedade do mandado, ficará protegido pela estrutura do sistema e falta de clareza na lei. Ou seja, nosso sistema permite criar presos políticos sem que os responsáveis sejam punidos.
Como sonhar em uma sociedade que criminaliza a livre expressão?
Todas estas prisões são arbitrárias, sendo que as provas encontradas consistem de máscaras de gás, panfletos, jornais, camisetas pretas (anarquistas), etc. Alguém deveria avisar o delegado responsável pela operação que a ditadura já acabou e que não se pode perseguir alguém por suas idéias políticas expressas no material encontrado. Assim, delegado e juiz deveriam utilizar outra desculpa legal para as prisões.
Ainda, foi apreendida uma arma do pai de um militante com licença vencida, que está sendo usada para incriminar os manifestantes. A militante, no caso, tem 16 anos. Seu pai também foi preso.
Além destes, há mais 16 detidos por ação cautelar, que estavam dormindo na casa dos ativistas presos. Se seu amigo é ativista político, cuidado! Não durma na casa dele>
Frente a esta grotesca afronta a nossa Constituição e a dignidade humana, peço que o você, meu amigo, se posicione publicamente para defender as liberdades democráticas. Todos manifestantes estão correndo risco de prisão neste momento.
Manifeste-se!
Ligue ou envie mensagem para o seu vereador, deputado, senador, presidente da associação de bairro, sindicato, grêmio estudantil, etc.
O povo brasileiro não pode permitir mais presos políticos! Ditadura nunca mais!
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Diários de Gaza: Nosso Quarto Dia de Devastação
Por Najlaa Ataallh, editado por Evelyn Teo, traduzido por Gustavo Dopcke, via The Palestine
– Como há devastação... como nosso olhos testemunham parados uma cena macabra, dia após dia, no nosso caminho para o trabalho e escola... acostumados a isso
Sim, nós temos os instinto inato de lidar com as forças da natureza, mas o que está na frente dos nossos olhos está além do limite humano. Partes de corpos espalhados em todas as direções... Piscinas de sangue estão misturando, atando um humano ao outro...
Os números e figuras que se espalham através das páginas das redes sociais... Onde podemos preservar e recuperar o valor da dignidade humana...
No quarto dia, repentinamente, você começa a se perguntar como estes dias passaram. Você não pode sentir, nem mesmo contar o tempo. A verdade é: você é jogado para fora do ciclo deste universo. Você é empurrado em um cantinho menor que um ponto, no mapa do mundo.
Depois do quarto dia, o número de mártires passou de 80 e o número de feridos, 600.
Engula sua saliva. Não por medo, pois nunca existirá a ausência do medo, mas pela crença em ter o direito a sentir medo. O medo lhe engole mesmo assim, como outros sentimentos, quando você lê o número de mártires. Procurando por notícias na Internet (quando se tem eletricidade), você começa a dizer: "Este é o Ahmed. Este é o Mahmoud, Khaled, ...". Então você suspira sem acreditar: "Esta é uma mulher. Meu Deus! Todos os membros da família pereceram!". Então você se encontra gritando: "Meu Deus! São todas crianças!".
Engula sua saliva. Não por medo, pois nunca existirá a ausência do medo, mas pela crença em ter o direito a sentir medo. O medo lhe engole mesmo assim, como outros sentimentos, quando você lê o número de mártires. Procurando por notícias na Internet (quando se tem eletricidade), você começa a dizer: "Este é o Ahmed. Este é o Mahmoud, Khaled, ...". Então você suspira sem acreditar: "Esta é uma mulher. Meu Deus! Todos os membros da família pereceram!". Então você se encontra gritando: "Meu Deus! São todas crianças!".
Você continua procurando sem descanso, impaciente por encontrar sua esperança e, em um minuto, você agradece e louva Deus. A tristeza não atinge seu coração diretamente, por você não conhecer nenhum dos mártires. Você sentirá uma pequena briza no peito. Um momento de paz lhe envolve.
De repente, você ouve um ruído muito alto. A casa está dançando? Não. A casa está tremendo e balançando. Não a julgue. A verdade é que a casa está com medo. Ela está com medo de perder sua longa e enraizada história pela colisão de um míssil. Correndo e se lançando em direção a sua mãe, você diz: "O que está acontecendo!?". Você pára de respirar por segundos, tentando processar o que você acabou de ouvir. Você confirma em choque: "Você disse que Houda e seus pais estão na casa!?".
Você cai de joelhos instantaneamente. Perde o chão sem acreditar. Não sabe se está em choque, com medo ou pânico...
De repente, você ouve um ruído muito alto. A casa está dançando? Não. A casa está tremendo e balançando. Não a julgue. A verdade é que a casa está com medo. Ela está com medo de perder sua longa e enraizada história pela colisão de um míssil. Correndo e se lançando em direção a sua mãe, você diz: "O que está acontecendo!?". Você pára de respirar por segundos, tentando processar o que você acabou de ouvir. Você confirma em choque: "Você disse que Houda e seus pais estão na casa!?".
Você cai de joelhos instantaneamente. Perde o chão sem acreditar. Não sabe se está em choque, com medo ou pânico...
Momentos depois, um som arranha o seu ouvido enquanto outro consola. Pessoas estão tentando espiar pela janela. Olhando para cima, você vê um míssil simples, feito de um punhado de dólares, voando no céu, na esperança de interceptar o míssil que veio do jato F-16. Mantenha seus olhos no chão e escute o que está pairando no seu coração quando o foguete é interceptado pela Cúpula de Ferro.
Caia de joelhos e mantenha seus ouvidos no chão. O som do silêncio é quebrado pela compactação do strike aéreo e fogo cruzado da artilharia, competindo com o som vindo da televisão anunciando: "Haifa foi atingida por um foguete R-160".
Caia de joelhos e mantenha seus ouvidos no chão. O som do silêncio é quebrado pela compactação do strike aéreo e fogo cruzado da artilharia, competindo com o som vindo da televisão anunciando: "Haifa foi atingida por um foguete R-160".
Satisfação. Seu coração está dançando enquanto a tristeza cai sobre outros rostos e você diz: "Haifa".
quinta-feira, 26 de junho de 2014
A Foto, o Fato e o Raxa
Ontem, uma criança morreu na favela. Na verdade, quem a matou foi a polícia, segundo a mãe do pequeno[1]. Luiz era uma garoto risonho e deveria iluminar com alegria o lar. O pequenino só morreu porque o Estado brasileiro decidiu que as comunidades carentes são zonas de guerra e lá podem usar armas de grosso calibre indiscriminadamente. Ao decidir pela Guerra ao Pobre, quer dizer Guerra às Drogas apenas nos bairros pobres, o Estado de Direito foi suspenso e, com ele, o respeito à vida do cidadão.
Simplificando, o fato é que o Estado matou uma criança de 3 anos ao tentar controlar pessoas pobres.
Atrelado a este Fato está A Foto. Que foi tirada no hospital e mostra o que restou de um corpinho. Depois, foi postada em uma página qualquer e logo se espalhou. Chegando na redação do nosso Coletivo, tivemos horas de discussões sobre se e como a foto seria publicada. Nesse processo, pensamos em tratamentos que amenizassem o impacto da imagem, o que fez que eu a visse muitas vezes. Assim, a imagem colou na minha retina e está tatuada no meu cérebro.
A indignação elevou a tensão do corpo e da mente. Ontem eu experimentei os limites disso ao ponto de ficar extremamente fatigado, mas sem conseguir dormir.
Muitas vezes, o mídia-ativismo passa por transmitir essa indignação para o público com o objetivo de colocar energia em prol da transformação da sociedade. Um fato como esse tem causado pouca comoção entre na população anestesiada. Assim, a foto teria um efeito mais chocante. Por outro lado, explorar a dor de uma família é indecente e impregnar a mente dos seguidores da página com essa imagem é brutal.
Por fim, a imagem foi publicana neste canal, mas tomado o cuidado de borrar a violência.
O resultado prático disso foi gerar uma incrível discussão dentro da página do Coletivo. Alguns assinantes se posicionaram contra. Bradavam "insensíveis", "parecem a Rede Globo" e "falta de ética". Enquanto outros apoiavam "discussão corajosa", "temos que mostrar" e "a realidade é dura mesmo".
Vale perceber outro Fato: os apoiadores (da publicação da foto) já estavam convencidos da necessidade de lutar por uma sociedade mais justa. Eram pessoas que já sabiam que a guerra não é contra as drogas, mas contra os pobres. Para estes, a publicação foi "chover no molhado", esclarecer o esclarecido. Já os que se indignaram eram companheiros de luta, alguns de longa data. Foram até chamados de "coxinhas" e "recalcados", as mulheres, de "patricinhas". Uma reprodução stalinista do "desqualifique o argumentador e não o argumento".
Assim, a publicação dA Foto criou uma divisão entre os companheiros mais e menos resistentes à imagem. A sociedade acordou ainda injusta, não trouxemos companheiros para a nossa causa, mas os que lutavam por melhorias acordaram mais divididos.
E quanto aos culpados pela morte da criança? Ah... deixa eles pra lá. Estão a vibrar com a nossa briga.
Simplificando, o fato é que o Estado matou uma criança de 3 anos ao tentar controlar pessoas pobres.
Atrelado a este Fato está A Foto. Que foi tirada no hospital e mostra o que restou de um corpinho. Depois, foi postada em uma página qualquer e logo se espalhou. Chegando na redação do nosso Coletivo, tivemos horas de discussões sobre se e como a foto seria publicada. Nesse processo, pensamos em tratamentos que amenizassem o impacto da imagem, o que fez que eu a visse muitas vezes. Assim, a imagem colou na minha retina e está tatuada no meu cérebro.
A indignação elevou a tensão do corpo e da mente. Ontem eu experimentei os limites disso ao ponto de ficar extremamente fatigado, mas sem conseguir dormir.
Muitas vezes, o mídia-ativismo passa por transmitir essa indignação para o público com o objetivo de colocar energia em prol da transformação da sociedade. Um fato como esse tem causado pouca comoção entre na população anestesiada. Assim, a foto teria um efeito mais chocante. Por outro lado, explorar a dor de uma família é indecente e impregnar a mente dos seguidores da página com essa imagem é brutal.
Por fim, a imagem foi publicana neste canal, mas tomado o cuidado de borrar a violência.
O resultado prático disso foi gerar uma incrível discussão dentro da página do Coletivo. Alguns assinantes se posicionaram contra. Bradavam "insensíveis", "parecem a Rede Globo" e "falta de ética". Enquanto outros apoiavam "discussão corajosa", "temos que mostrar" e "a realidade é dura mesmo".
Vale perceber outro Fato: os apoiadores (da publicação da foto) já estavam convencidos da necessidade de lutar por uma sociedade mais justa. Eram pessoas que já sabiam que a guerra não é contra as drogas, mas contra os pobres. Para estes, a publicação foi "chover no molhado", esclarecer o esclarecido. Já os que se indignaram eram companheiros de luta, alguns de longa data. Foram até chamados de "coxinhas" e "recalcados", as mulheres, de "patricinhas". Uma reprodução stalinista do "desqualifique o argumentador e não o argumento".
Assim, a publicação dA Foto criou uma divisão entre os companheiros mais e menos resistentes à imagem. A sociedade acordou ainda injusta, não trouxemos companheiros para a nossa causa, mas os que lutavam por melhorias acordaram mais divididos.
E quanto aos culpados pela morte da criança? Ah... deixa eles pra lá. Estão a vibrar com a nossa briga.
[1] - http://extra.globo.com/casos-de-policia/crianca-foi-baleada-em-costa-barros-enquanto-dormia-morte-gerou-protesto-violento-13012470.html
domingo, 22 de junho de 2014
Lucas e Gabriel, descansem em paz
Neste domingo, dois garotos foram mortos por policiais da UPP, no Complexo do Alemão [1].Ao saber da notícia, eu confesso que tratei com um certo distanciamento. Eram mais duas pessoas que eu não conhecia, não faziam parte do meu círculo de amigos. Eis o relato de um amigo da vítima:
"Menino sonhador, queria ser jogador de futebol, me chamava de tio."
Depois de ler isso, a sensação foi diferente. Atingiu como que alguém batesse com o dedo no meu peito. Coloquei-me no lugar daquele rapaz que sente a morte do Lucas, aquele garoto que brincava na rua, jogava bola e era sonhador. Agora o Lucas está morto.
Fiquei curioso com o caso e, pesquisando, deparei-me com as fotos dos dois garotos:
https://www.facebook.com/coletivomariachi/posts/418579638281893
Desta vez foi mais difícil encarar o brilho no olhar dos garotos, vibrantes e saudáveis. Agora a sensação já foi de nó na garganta, difícil de engolir e aperto pra respirar.
Outro amigo do rapaz escreveu apenas: "Luquinha :'( "
Esta pequena escrita me fez lembrar como eu muitas vezes disse entusiasmado "Luquinha!", "Biel!", ou "Marquinho!", ao reencontrar um deses moleques do bairro que só querem brincar.
Lucas e Gabriel parecem com qualquer outro garoto que joga videogame, joga bola com os amigos, ou corre pra lanchonete no domingo a noite pra comer um hambúrguer.
Toda mãe ou pai fala que uma de suas maiores preocupações é com o bem-estar do filho. Fico imaginando com as mães e pais destes meninos ficarão esta noite. Não há lágrimas que lavem a dor de uma perda assim.
"Quando uma mãe que você conhece enterra seu filho, jovem e promissor, você lamenta profundamente. Quando isso acontece com mães que você não conhece, você lamenta profundamente mesmo assim." - Michele Weldon [2]
[1] - https://www.facebook.com/coletivomariachi/posts/418579638281893
[2] - http://articles.chicagotribune.com/2012-03-25/opinion/ct-perspec-0325-bury-20120325_1_mother-and-son-death-investigation-young-black-men/2
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul é desvinculado da Brigada Militar
Atendendo o pedido da Associações representativas dos integrantes do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar, Assembléia Legislativa aprova o desmembramento e emancipação do Corpo de Bombeiros [1].
Em todo o país, apenas São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia ainda subordinam os bombeiros às polícias militares. Em reportagem da Folha [2], São Paulo também estuda separar as duas corporações.
Enquanto isso, a proposta de polícia desmilitarizada (PEC 51 [3]) tramita de forma esquisita no Senado. Na reunião do dia 10 de junho de 2014, a Mesa do Senado aprovou o requerimento que junta a PEC 51 com outras seis. Em pauta desde setembro de 2013, a PEC 51 ainda não foi discutida. O fim da Polícia Militar continua sendo uma das maiores exigências das Jornadas de Junho.
Texto: Gustavo Dopcke / Coletivo Mariachi
[1] - http://www.al.rs.gov.br/legislativo/ExibeProposicao/tabid/325/SiglaTipo/PEC/NroProposicao/232/AnoProposicao/2014/Default.aspx?Dod=17%2F06%2F2014
[2] - http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/06/1473363-comando-da-pm-estuda-separar-corpo-de-bombeiros-da-corporacao.shtml
[3] - http://www.senado.leg.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=114516
Em todo o país, apenas São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia ainda subordinam os bombeiros às polícias militares. Em reportagem da Folha [2], São Paulo também estuda separar as duas corporações.
Enquanto isso, a proposta de polícia desmilitarizada (PEC 51 [3]) tramita de forma esquisita no Senado. Na reunião do dia 10 de junho de 2014, a Mesa do Senado aprovou o requerimento que junta a PEC 51 com outras seis. Em pauta desde setembro de 2013, a PEC 51 ainda não foi discutida. O fim da Polícia Militar continua sendo uma das maiores exigências das Jornadas de Junho.
Texto: Gustavo Dopcke / Coletivo Mariachi
[1] - http://www.al.rs.gov.br/legislativo/ExibeProposicao/tabid/325/SiglaTipo/PEC/NroProposicao/232/AnoProposicao/2014/Default.aspx?Dod=17%2F06%2F2014
[2] - http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/06/1473363-comando-da-pm-estuda-separar-corpo-de-bombeiros-da-corporacao.shtml
[3] - http://www.senado.leg.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=114516
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Enquanto você grita gol
Deram-lhe o circo
e você esbravejou,
esqueceu o suor da semana,
o salário finado,
a fila da doença,
o livro da criança
Enquanto você grita gol
manifestante apanha
PM bate
P2 atira
pau come
Você descansa na cama
a vândala na luta cansa
passa a noite na DP
acusada de portar coco
lata de batuque
e pedra solúvel
O Choque atirou
comeu lanche bichado
dormiu no chão
chegou em casa de ônibus
O circo chegou
pra alegria do ricaço
o VIP do Maraca
vaiou a presidenta
e riu do palhaço
Lá se foram nossos 30 bilhões
no bolso das empresas
Na tela da TV
comprada a prestação
a Copa ali do lado
o Garoto na rua
assiste Globo na Sony
toma Coca
paga com Visa
A festa foi no seu quintal
você pagou a conta
assistiu de longe
comerem o seu bolo
Enquanto você grita gol
enganaram um trouxa
que aceitou trocar
a terra e paixão
pelo espelho da Suíça
O índio mais esperto
quebrou o espelho
resiste e rexiste
na árvore da aldeia
A festa é sua
olhe para o seu presente
o espelho irá mostrar
a cara pintada
do palhaço verde-amarelo
que ri idiota
de sua própria falta
desgaçado sem graça
e você esbravejou,
esqueceu o suor da semana,
o salário finado,
a fila da doença,
o livro da criança
Enquanto você grita gol
manifestante apanha
PM bate
P2 atira
pau come
Você descansa na cama
a vândala na luta cansa
passa a noite na DP
acusada de portar coco
lata de batuque
e pedra solúvel
O Choque atirou
comeu lanche bichado
dormiu no chão
chegou em casa de ônibus
O circo chegou
pra alegria do ricaço
o VIP do Maraca
vaiou a presidenta
e riu do palhaço
Lá se foram nossos 30 bilhões
no bolso das empresas
Na tela da TV
comprada a prestação
a Copa ali do lado
o Garoto na rua
assiste Globo na Sony
toma Coca
paga com Visa
A festa foi no seu quintal
você pagou a conta
assistiu de longe
comerem o seu bolo
Enquanto você grita gol
enganaram um trouxa
que aceitou trocar
a terra e paixão
pelo espelho da Suíça
O índio mais esperto
quebrou o espelho
resiste e rexiste
na árvore da aldeia
A festa é sua
olhe para o seu presente
o espelho irá mostrar
a cara pintada
do palhaço verde-amarelo
que ri idiota
de sua própria falta
desgaçado sem graça
sábado, 14 de junho de 2014
Abertura surrealista da Copa
A Copa do Mundo começou na quinta-feira, dia dos namorados. Entretanto, FIFA e os Governos não despertaram nenhum grande amor da população. Apesar de vibrarem com os lances dentro de campo, a performance da maior empresa de futebol do mundo deixou muito a desejar. A maioria dos brasileiros se contentou com o "Melhor Copa mal-feita do que nenhuma Copa". Outros não quiseram e ainda não aceitam a Copa enfiada garganta abaixo.
Nas últimas contas, esta festa já custou mais de R$ 30 bilhões [1], sem contar os custos sociais do projeto, como as 170.000 pessoas removidas de suas casas [2]. Os que não foram jogados de casa para a rua receberam um imóvel do Minha Casa Minha Vida, custo que não entra nas contas da Copa. Governos estaduais e municipais também investiram pesadamente para garantir uma "boa imagem" para os turistas, incluindo a retirada forçada de moradores de rua [3].
Para mostrar sua indignação, muitos brasileiros saíram às ruas. Não para vibrar com a estréia da seleção anfitriã, mas para denunciar a quadrilha formada pelo Estado brasileiro e sua sócia, a FIFA. Foram placas com "FIFA go home!" e gritos "Da Copa, eu abro mão; eu quero mais dinheiro pra saúde e educação".
No Rio de Janeiro, as manifestações começaram às 10 da manhã, com professores em greve há um mês, que saíram da Candelária em direção à Lapa [4]. Lá, a covardia dos cães de guarda do Estado, a PMERJ, foi mais uma vez ultrajante. Chegaram a arrastar um professor pelos cabelos.
Depois deste ato, os manifestantes se concentraram em Copacabana, onde se realizou o FIFA Fun Fest, mais um evento particular pago com dinheiro público. O ato foi pacífico a maior parte do tempo, apesar da presença de policiais não identificados vestidos de Robocop.
O clima ficou tenso quando um vândalo decidiu pegar um coco, segundo a PM. O vândalo foi agarrado nas areias próximas a praia, mas o coco ainda não foi encontrado. Na sequência, outro vândalo pegou uma pedra. Quando questionado sobre a falta de evidência material do crime, o PM disse que "a pedra se dissolveu".
Depois de evitar o porte de coco e pedra, a PM decidiu que estava "na hora de começar a coça"[5]. Para acabar com o ato pacífico, a PM agiu em pequenos focos, espancando manifestantes ao longo da Avenida Atlântica. A ação engenhosa dispersou rapidamente os manifestes. Dois integrantes do Coletivo Mariachi foram espancados e detidos, acusados de "jogar lixo no chão" e de "desobediência".
Alguns policiais militares se empenharam em desfazer a imagem de monstros sanguinários. No vídeo do Mariachi (assista http://youtu.be/E7Pa3pQirGU), eles tomam um cuidado quase que paternal com um lixeira. Além disso, ainda ensaiaram uma música do Trem da Alegria:
"Piuí Piuí, Piuí Abacaxi
Choque choque choque, choque por aí
Eu quero ter a tua companhia, vem viajar comigo no camburão"
[1] - https://br.esporteinterativo.yahoo.com/noticias/custo-copa-brasil-pode-atingir-r-30-bilh%C3%B5es-110000315--spt.html
[2] - http://www.portalpopulardacopa.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=367&Itemid=269
[3] - http://noticias.band.uol.com.br/cidades/minasgerais/noticia/100000686346/Militares-admitem-retirar-moradores-de-rua-na-Copa.html
[4] - https://www.facebook.com/coletivomariachi/photos/a.298908203582371.1073741829.280853248721200/414082482064942/?type=1
[5] - http://youtu.be/E7Pa3pQirGU?t=6m8s
Nas últimas contas, esta festa já custou mais de R$ 30 bilhões [1], sem contar os custos sociais do projeto, como as 170.000 pessoas removidas de suas casas [2]. Os que não foram jogados de casa para a rua receberam um imóvel do Minha Casa Minha Vida, custo que não entra nas contas da Copa. Governos estaduais e municipais também investiram pesadamente para garantir uma "boa imagem" para os turistas, incluindo a retirada forçada de moradores de rua [3].
Para mostrar sua indignação, muitos brasileiros saíram às ruas. Não para vibrar com a estréia da seleção anfitriã, mas para denunciar a quadrilha formada pelo Estado brasileiro e sua sócia, a FIFA. Foram placas com "FIFA go home!" e gritos "Da Copa, eu abro mão; eu quero mais dinheiro pra saúde e educação".
No Rio de Janeiro, as manifestações começaram às 10 da manhã, com professores em greve há um mês, que saíram da Candelária em direção à Lapa [4]. Lá, a covardia dos cães de guarda do Estado, a PMERJ, foi mais uma vez ultrajante. Chegaram a arrastar um professor pelos cabelos.
Depois deste ato, os manifestantes se concentraram em Copacabana, onde se realizou o FIFA Fun Fest, mais um evento particular pago com dinheiro público. O ato foi pacífico a maior parte do tempo, apesar da presença de policiais não identificados vestidos de Robocop.
O clima ficou tenso quando um vândalo decidiu pegar um coco, segundo a PM. O vândalo foi agarrado nas areias próximas a praia, mas o coco ainda não foi encontrado. Na sequência, outro vândalo pegou uma pedra. Quando questionado sobre a falta de evidência material do crime, o PM disse que "a pedra se dissolveu".
Depois de evitar o porte de coco e pedra, a PM decidiu que estava "na hora de começar a coça"[5]. Para acabar com o ato pacífico, a PM agiu em pequenos focos, espancando manifestantes ao longo da Avenida Atlântica. A ação engenhosa dispersou rapidamente os manifestes. Dois integrantes do Coletivo Mariachi foram espancados e detidos, acusados de "jogar lixo no chão" e de "desobediência".
Alguns policiais militares se empenharam em desfazer a imagem de monstros sanguinários. No vídeo do Mariachi (assista http://youtu.be/E7Pa3pQirGU), eles tomam um cuidado quase que paternal com um lixeira. Além disso, ainda ensaiaram uma música do Trem da Alegria:
"Piuí Piuí, Piuí Abacaxi
Choque choque choque, choque por aí
Eu quero ter a tua companhia, vem viajar comigo no camburão"
[1] - https://br.esporteinterativo.yahoo.com/noticias/custo-copa-brasil-pode-atingir-r-30-bilh%C3%B5es-110000315--spt.html
[2] - http://www.portalpopulardacopa.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=367&Itemid=269
[3] - http://noticias.band.uol.com.br/cidades/minasgerais/noticia/100000686346/Militares-admitem-retirar-moradores-de-rua-na-Copa.html
[4] - https://www.facebook.com/coletivomariachi/photos/a.298908203582371.1073741829.280853248721200/414082482064942/?type=1
[5] - http://youtu.be/E7Pa3pQirGU?t=6m8s
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Os seguranças da FIFA
Vivemos o clima de Copa do Mundo, o Brasil está vestido de verde e amarelo por todos os lados e, por todos os cantos, vemos protestos contrário a realização do mundial. Em abril deste ano, 41% dos brasileiros se diziam contra a realização da Copa [1].
Estes protestos deixaram a FIFA com receio de perder parte dos R$ 10 bilhões que esperam lucrar com o mundial [2]. Como impedir que os que são contrários tumultuem o evento de alguma forma?
A resposta para tal pergunta vem do secretário geral da FIFA, Jerome Valcke: "menos democracia é melhor para organizar uma copa do mundo". [3]
Em sintonia com a FIFA, o estado Brasileiro se organizou de uma forma inédita para garantir os lucros das empresas. O Comando Especial de Policiamento para a Copa (CEP-COPA) foi criado em vários estados para atuar exclusivamente em apoio à FIFA. [4]
Ontem, 12 de junho, na abertura do evento, os brasileiros puderam sentir na pele o quão empenhado o Estado brasileiro está em reprimir quem se opõe à Copa. No Rio de Janeiro, dois integrantes do Coletivo Mariachi foram brutalmente espancados pela polícia [5]. Na delegacia, foram enquadrados por "jogar lixo no chão" e "desacato". Obviamente, os policiais não poderia acusá-los de "manifestação" ou "mídia-ativismo". Os nossos colegas prestaram queixa por agressão. Entretanto, tendo em vista que nenhum policial foi punido em protestos até hoje, não esperamos que o próprio estado reprima seus cães de guarda.
Resumindo a estória, o CEP-COPA é a policia privada criada para proteger a FIFA. São homens pagos pelo brasileiro, pra lutar contra brasileiros e garantir os lucros da FIFA.
[1] - http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2014/06/1467905-51-dos-brasileiros-aprovam-realizacao-da-copa-no-brasil.shtml
[2] - http://esportes.r7.com/futebol/noticias/fifa-vai-ter-lucro-de-r-10-bilhoes-com-copa-do-mundo-20130327.html
[3] - http://www.reuters.com/article/2013/04/24/us-soccer-fifa-idUSBRE93N18F20130424
[4] - http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-05/pm-de-sao-paulo-cria-comando-exclusivo-para-atuar-na-copa-do-mundo
[5] - http://youtu.be/LTg5kytovsg
quinta-feira, 29 de maio de 2014
O gênio capitalista: transformando presos em lucro
A concentração de renda é uma marca do sistema que vivemos. Segundo o IBGE, em 2012, um em cada cinco brasileiros vive com menos de 1/2 salário mínimo mensais. Em valores de hoje, menos de R$362. Neste cenário, torna-se natural que uma parcela destas pessoas se revoltem contra o sistema, incorrendo em crimes como comércio de entorpecentes, que responde por 27% dos encarcerados [1]. Para conter esses revoltados, o Estado brasileiro mantém 548.003 presos, ou seja, 1 em cada 348 habitantes.
Se contarmos as pessoas mortas ou desaparecidas pelas ações da polícia, este número poderia aumentar muito. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) [2], aproximadamente 6 mil pessoas desaparecem anualmente, somente no Rio de Janeiro, tendo como caso mais emblemático o do pedreiro e pai de família Amarildo.
Por muito tempo, o destino destes indesejados tem sido a morte ou cadeias superlotadas e torturas sistemáticas. Entretanto, o cenário pode mudar nos próximos anos pois vários estados brasileiros pretendem implementar Parcerias Público Privadas (PPP) para criação dos chamados "presídios terceirizados", onde a iniciativa privada controla toda a gestão da penitenciária [3,4].
Além de lucrar com a gestão, os empresários ainda podem instalar linhas industrias dentro do presídio. No caso específico da penitenciária de Ribeirão das Neves, a intenção é transformá-la “pólo de EPI” (equipamento de proteção individual), colocando os presos para fabricar sirenes, alarmes, circuitos de segurança, coturnos e botas de proteção, uniformes e artigos militares.
Ao transformar o detento em trabalhador, abre-se outra janela, pois este trabalhador pode consumir produtos e serviços como assistência médica, odontológica e jurídica.
Neste "paraíso" capitalista, transformou-se o indesejado que onerava o estado em um trabalhador-consumidor. Genial, não?
Texto: Gustavo Dopcke / Coletivo Mariachi
[1] - http://www.infopen.gov.br/
[2] - http://www.isp.rj.gov.br/
[3] - http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-construira-3-complexos-de-prisoes-privadas,1075138,0.htm
[4] - http://apublica.org/2014/05/quanto-mais-presos-maior-o-lucro/
Se contarmos as pessoas mortas ou desaparecidas pelas ações da polícia, este número poderia aumentar muito. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) [2], aproximadamente 6 mil pessoas desaparecem anualmente, somente no Rio de Janeiro, tendo como caso mais emblemático o do pedreiro e pai de família Amarildo.
Por muito tempo, o destino destes indesejados tem sido a morte ou cadeias superlotadas e torturas sistemáticas. Entretanto, o cenário pode mudar nos próximos anos pois vários estados brasileiros pretendem implementar Parcerias Público Privadas (PPP) para criação dos chamados "presídios terceirizados", onde a iniciativa privada controla toda a gestão da penitenciária [3,4].
Além de lucrar com a gestão, os empresários ainda podem instalar linhas industrias dentro do presídio. No caso específico da penitenciária de Ribeirão das Neves, a intenção é transformá-la “pólo de EPI” (equipamento de proteção individual), colocando os presos para fabricar sirenes, alarmes, circuitos de segurança, coturnos e botas de proteção, uniformes e artigos militares.
Ao transformar o detento em trabalhador, abre-se outra janela, pois este trabalhador pode consumir produtos e serviços como assistência médica, odontológica e jurídica.
Neste "paraíso" capitalista, transformou-se o indesejado que onerava o estado em um trabalhador-consumidor. Genial, não?
Texto: Gustavo Dopcke / Coletivo Mariachi
[1] - http://www.infopen.gov.br/
[2] - http://www.isp.rj.gov.br/
[3] - http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-construira-3-complexos-de-prisoes-privadas,1075138,0.htm
[4] - http://apublica.org/2014/05/quanto-mais-presos-maior-o-lucro/
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Ministro dos esportes e os patrocinadores das eleições
Ministro dos esportes usa o jornal O Globo para dizer que Anistia Internacional Brasil errou ao denunciar abusos do Estado[1]. Ao defender manifestantes, a Anistia estaria aplaudindo saques e vandalismo. Ou seja, de uma forma semi-complicada, ele associa manifestação a vandalismo. Alguma novidade?
Assim, Aldo Rebelo mostra todo seu caráter autoritário, onde os interesses do Estado estão acima dos direitos do cidadão. Portanto, usa o mesmo discurso dos militares para justificar a repressão nos anos de chumbo. Aldo representa, assim, o viés mais autoritário do PCdoB.
A quem interessa o autoritarismo do Estado? Quem ganha com a violência policial?
O Estado que temos está empenhado em garantir os lucros dos bancos, que só com os juros da dívida consomem 5% de tudo o que o Brasil produz [2]. Outro cliente do Estado são as empreiteiras, que atingem altíssima lucratividade, através de obras superfaturadas, como as obras da Copa. São estas empresas que irão patrocinar a campanha política de Aldo Rebelo nestas eleições. Aí vemos o interesse do excelentíssimo ministro em apoiar a brutalidade policial contra os que se manifestam contra a Copa e as obras superfaturadas.
Segundo Eduardo Bresciani, do Estadão, Aldo já recebeu dinheiro das seguintes empresas: Itau, Ambev, Grupo Pão de Açúcar, Mendes Júnior, Odebrecht, e Camargo Corrêa [3]. Sem este patrocínio, seria difícil se eleger em outubro deste ano.
Entende, agora, porquê o ministro defende a violência policial?
[1] - http://oglobo.globo.com/opiniao/a-bola-fora-da-anistia-internacional-12536297
[2] - http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2013/08/31/juros-da-divida-consomem-tanto-dinheiro-publico-quanto-a-educacao/
[3] - http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,novo-ministro-do-esporte-recebeu-doacoes-de-patrocinadores-da-cbf,791321,0.htm
Assim, Aldo Rebelo mostra todo seu caráter autoritário, onde os interesses do Estado estão acima dos direitos do cidadão. Portanto, usa o mesmo discurso dos militares para justificar a repressão nos anos de chumbo. Aldo representa, assim, o viés mais autoritário do PCdoB.
A quem interessa o autoritarismo do Estado? Quem ganha com a violência policial?
O Estado que temos está empenhado em garantir os lucros dos bancos, que só com os juros da dívida consomem 5% de tudo o que o Brasil produz [2]. Outro cliente do Estado são as empreiteiras, que atingem altíssima lucratividade, através de obras superfaturadas, como as obras da Copa. São estas empresas que irão patrocinar a campanha política de Aldo Rebelo nestas eleições. Aí vemos o interesse do excelentíssimo ministro em apoiar a brutalidade policial contra os que se manifestam contra a Copa e as obras superfaturadas.
Segundo Eduardo Bresciani, do Estadão, Aldo já recebeu dinheiro das seguintes empresas: Itau, Ambev, Grupo Pão de Açúcar, Mendes Júnior, Odebrecht, e Camargo Corrêa [3]. Sem este patrocínio, seria difícil se eleger em outubro deste ano.
Entende, agora, porquê o ministro defende a violência policial?
[1] - http://oglobo.globo.com/opiniao/a-bola-fora-da-anistia-internacional-12536297
[2] - http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2013/08/31/juros-da-divida-consomem-tanto-dinheiro-publico-quanto-a-educacao/
[3] - http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,novo-ministro-do-esporte-recebeu-doacoes-de-patrocinadores-da-cbf,791321,0.htm
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Holofotes no Brasil: a luta é internacional e de esquerda
Os protestos do 15M no Brasil trouxeram de volta a população às ruas. No Rio, as câmeras mostraram alguns empurrões, porretadas e spray de pimenta [1]. Já em São Paulo, as manifestações começaram cedo e até o Datena comentou: "Chega de tanto desperdício de dinheiro!"[2]. Enquanto o sudeste esquenta com tantas greves, no Recife o exército vai às ruas para substituir a polícia em greve [3].
Neste cenário, o governo tenta mostrar força, chegando ao ponto dos marqueteiros do Planalto afirmarem que a 'super-quinta' foi um fracasso [4]. Ao mesmo tempo que os trabalhadores brasileiros mostram seu descontentamento com o Estado, na Turquia o clima é de luto pela morte de mais de 200 mineiros [5].
O que todos estes acontecimentos têm em comum?
Primeiro, para quem esteve no 15M no Rio de Janeiro, o destaque foi a presença maciça da imprensa internacional. Às vésperas da Copa do Mundo, os olhos do mundo se voltaram para nós. Neste sentido, poderíamos usar os holofotes para fortalecer a luta.
Quais as similaridades entre as mortes dos trabalhadores nos estádios da Copa e dos mineiros na Turquia? Dentro da lógica capitalista, não é interessante aumentar a segurança no trabalho, pois isso implica reduzir lucros. Brasileiros e turcos foram explorados até a morte, literalmente. Talvez seja a hora de declararmos o nosso apoio à luta dos povos do mundo contra a exploração.
Este discurso que coloca a pessoa humana acima do lucro é o que temos de mais revolucionário. Por outro lado, a reclamação do Datena é uma tentativa da direita de capitalizar sobre a indignação geral da população. Ao colocar a culpa das mazelas da Copa sobre os governantes, a direita perdoa os empresários, que foram os grandes beneficiários do evento.
Assim, se o objetivo último das manifestações é melhorar a vida do povo, não podemos deixar a direita sequestrar as reclamações legítimas da população, para favorecer suas ânsias eleitorais. Uma forma de fazer isso é deixar claro quem são os culpados das mazelas: Fifa, governos e, principalmente, os empresários. Sem isso, o povo irá votar em um Aécio Traficante Graúdo ou no Coronel Dudu Campos, achando que esse ato fará a vida melhorar.
Em suma, temos a oportunidade de tornar a nossa luta internacional, usando a presença da imprensa internacional a nosso favor. Ao mesmo tempo, devemos deixar bem claro que as nossas reivindicações não são as mesmas da direita.
Sugestões de cartaz para a próxima manifestação:
"RIP Turkish miners.
It was not an accident!"
"Empreiteiras que lucram com a corrupção na Copa:
Odebrecht, Camargo Correia, OAS, Andrade Gutierrez"
[1] - http://youtu.be/pJJY1kDy29M
[2] - http://youtu.be/fIejMdzFGKo
[3] - http://youtu.be/vEXn_qff6cY
[4] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,para-dilma-super-quinta-de-protestos-foi-um-fracasso,1167260,0.htm
[5] - http://www.publico.pt/mundo/noticia/mais-de-200-mortos-confirmados-na-turquia-centenas-continuam-encurralados-1635859#/0
Neste cenário, o governo tenta mostrar força, chegando ao ponto dos marqueteiros do Planalto afirmarem que a 'super-quinta' foi um fracasso [4]. Ao mesmo tempo que os trabalhadores brasileiros mostram seu descontentamento com o Estado, na Turquia o clima é de luto pela morte de mais de 200 mineiros [5].
O que todos estes acontecimentos têm em comum?
Primeiro, para quem esteve no 15M no Rio de Janeiro, o destaque foi a presença maciça da imprensa internacional. Às vésperas da Copa do Mundo, os olhos do mundo se voltaram para nós. Neste sentido, poderíamos usar os holofotes para fortalecer a luta.
Quais as similaridades entre as mortes dos trabalhadores nos estádios da Copa e dos mineiros na Turquia? Dentro da lógica capitalista, não é interessante aumentar a segurança no trabalho, pois isso implica reduzir lucros. Brasileiros e turcos foram explorados até a morte, literalmente. Talvez seja a hora de declararmos o nosso apoio à luta dos povos do mundo contra a exploração.
Este discurso que coloca a pessoa humana acima do lucro é o que temos de mais revolucionário. Por outro lado, a reclamação do Datena é uma tentativa da direita de capitalizar sobre a indignação geral da população. Ao colocar a culpa das mazelas da Copa sobre os governantes, a direita perdoa os empresários, que foram os grandes beneficiários do evento.
Assim, se o objetivo último das manifestações é melhorar a vida do povo, não podemos deixar a direita sequestrar as reclamações legítimas da população, para favorecer suas ânsias eleitorais. Uma forma de fazer isso é deixar claro quem são os culpados das mazelas: Fifa, governos e, principalmente, os empresários. Sem isso, o povo irá votar em um Aécio Traficante Graúdo ou no Coronel Dudu Campos, achando que esse ato fará a vida melhorar.
Em suma, temos a oportunidade de tornar a nossa luta internacional, usando a presença da imprensa internacional a nosso favor. Ao mesmo tempo, devemos deixar bem claro que as nossas reivindicações não são as mesmas da direita.
Sugestões de cartaz para a próxima manifestação:
"RIP Turkish miners.
It was not an accident!"
"Empreiteiras que lucram com a corrupção na Copa:
Odebrecht, Camargo Correia, OAS, Andrade Gutierrez"
[1] - http://youtu.be/pJJY1kDy29M
[2] - http://youtu.be/fIejMdzFGKo
[3] - http://youtu.be/vEXn_qff6cY
[4] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,para-dilma-super-quinta-de-protestos-foi-um-fracasso,1167260,0.htm
[5] - http://www.publico.pt/mundo/noticia/mais-de-200-mortos-confirmados-na-turquia-centenas-continuam-encurralados-1635859#/0
segunda-feira, 24 de março de 2014
Lares, cadastros e cafezinhos
O
projeto para a transformação da região portuária deverá consumir
investimentos em torno de R$ 8,2 bilhões, por parte da prefeitura
[1]. Isso se encaixa no modelo de "Cidade-Balneário"
pretendida pelos administradores atuais. Os principais beneficiários
desse modelo serão as tradicionais empreiteiras Odebrecht,
Carioca Christiani-Nielsen Engenharia e OAS Engenharia [2].
O
prefeito fez com que ficássemos muito mais tempo nos engarrafamentos
e multiplicou a nossa dívida em 3 vezes. Mas não parou por aí! Muito ambicioso na sua tarefa de dificultar a vida dos cariocas,
Eduardo Paes está realizando inúmeras remoções, que tiram as
pessoas de suas casas e as jogam, muitas vezes, na rua. Claro que os
afetados não foram os moradores dos bairros nobres, mas o pobres
ocupantes de casas próximas às obras do Porto.
Um caso
específico é a remoção dos moradores da ocupação dos galpões
da Av. Francisco Bicalho 49. Nos dois galpões, haviam 499 famílias
que foram desalojadas em duas fases. Na primeira fase, em dezembro de
2013, 200 famílias foram expulsas de suas casas. Como indenização,
o município ofereceu um cheque de R$1.200, mais a promessa da
inclusão no sistema de financiamento federal do Minha Casa, Minha
Vida. Ou seja, além de endividar o município em bilhões, ainda
precisou utilizar recursos federais (que também são do povo) para
concluir o plano de enriquecer os empresários.
No dia 27 de fevereiro, um
carro da Polícia Civil dispara tiros em direção ao galpão. O
recado está claro: se não saírem por bem, sairão na bala. Assim,
algumas pessoas já saem de suas casas e dormem na casa de parentes.
Quando voltam para seus lares no dia seguinte, 28 de fevereiro, são
impedidas de entrar e recolher seus pertences.
Dois casos
trágicos ilustram a nossa estória: uma jovem 18 anos, com 3 filhos,
é impedida de voltar ao lar, perdendo inclusive documentos. Estes
documentos são necessários para entrar no programa de habitação
do governo federal. Assim, com três filhos, a jovem fica sem lar,
sem documentos, sem móveis e sem a perspectiva de dias melhores.
Qual será o futuro dessas quatro pessoas? Morar na calçada?
Já
um senhor, que tinha 5 filhos e esposa, foi trabalhar no dia 28 de
fevereiro e, quando voltou, não tinha mais geladeira, televisão,
cama, nem lar. Tudo que conseguiu com seu trabalho árduo foi
destruído. Qual será o futuro destes sete cariocas? Poderão ficar na casa de parentes? Ou terão que dormir na calçada?
![]() |
| Guarda Municipal com cães é chamada para dissuadir os manifestantes a desocuparem a frente da Prefeitura. |
![]() |
| Funcionários da prefeitura oferecem cafezinho aos manifestantes, após acordo com a prefeitura ser fechado. |
No
dia 11 de março, muitas destas famílias, que foram agredidas e
usurpadas de seus bens pela prefeitura, fecharam uma das vias da Av.
Pres. Getúlio Vargas em frente à prefeitura. Cobravam uma solução
para o problema.
Saíram de lá com uma promessa: entrarão no
programa de habitação do governo federal. Ou seja, depois de
expulsar pessoas de seus lares, a prefeitura paga com a inscrição
em um programa federal. No final da noite do dia 11, após aceitarem
a proposta, a prefeitura ofereceu inclusive um cafezinho para as
pessoas que protestavam.
Cuidado: se o seu lar está nas áreas de investimentos dos empresários, você pode ser expulso! Mas não se preocupe, a prefeitura irá lhe dar um cadastro e um cafezinho.
------------------------------
Fotos de Katja Schilirò
[1]
-
http://portomaravilha.com.br/conteudo/canalInvestidor/prospecto-sem-marcas-de-revisao-4-termo-aditivo-8-1-14.pdf
[2]
- http://www.portonovosa.com/pt-br/estrutura-acionaria
[3]
- http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/3027604/DLFE-246831.pdf/RESCGM7.7.5._2.7..9..2.0.0.7.comanexo.pdf
[4]
-
http://mail.camara.rj.gov.br/APL/Legislativos/scpro1316.nsf/6a8bd790cdd0b0270325775900511db3/18aa339da55232ee03257bf600714cb7?OpenDocument
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