Neste domingo, dois garotos foram mortos por policiais da UPP, no Complexo do Alemão [1].Ao saber da notícia, eu confesso que tratei com um certo distanciamento. Eram mais duas pessoas que eu não conhecia, não faziam parte do meu círculo de amigos. Eis o relato de um amigo da vítima:
"Menino sonhador, queria ser jogador de futebol, me chamava de tio."
Depois de ler isso, a sensação foi diferente. Atingiu como que alguém batesse com o dedo no meu peito. Coloquei-me no lugar daquele rapaz que sente a morte do Lucas, aquele garoto que brincava na rua, jogava bola e era sonhador. Agora o Lucas está morto.
Fiquei curioso com o caso e, pesquisando, deparei-me com as fotos dos dois garotos:
https://www.facebook.com/coletivomariachi/posts/418579638281893
Desta vez foi mais difícil encarar o brilho no olhar dos garotos, vibrantes e saudáveis. Agora a sensação já foi de nó na garganta, difícil de engolir e aperto pra respirar.
Outro amigo do rapaz escreveu apenas: "Luquinha :'( "
Esta pequena escrita me fez lembrar como eu muitas vezes disse entusiasmado "Luquinha!", "Biel!", ou "Marquinho!", ao reencontrar um deses moleques do bairro que só querem brincar.
Lucas e Gabriel parecem com qualquer outro garoto que joga videogame, joga bola com os amigos, ou corre pra lanchonete no domingo a noite pra comer um hambúrguer.
Toda mãe ou pai fala que uma de suas maiores preocupações é com o bem-estar do filho. Fico imaginando com as mães e pais destes meninos ficarão esta noite. Não há lágrimas que lavem a dor de uma perda assim.
"Quando uma mãe que você conhece enterra seu filho, jovem e promissor, você lamenta profundamente. Quando isso acontece com mães que você não conhece, você lamenta profundamente mesmo assim." - Michele Weldon [2]
[1] - https://www.facebook.com/coletivomariachi/posts/418579638281893
[2] - http://articles.chicagotribune.com/2012-03-25/opinion/ct-perspec-0325-bury-20120325_1_mother-and-son-death-investigation-young-black-men/2

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