quinta-feira, 29 de maio de 2014

O gênio capitalista: transformando presos em lucro

A concentração de renda é uma marca do sistema que vivemos. Segundo o IBGE, em 2012, um em cada cinco brasileiros vive com menos de 1/2 salário mínimo mensais. Em valores de hoje, menos de R$362. Neste cenário, torna-se natural que uma parcela destas pessoas se revoltem contra o sistema, incorrendo em crimes como comércio de entorpecentes, que responde por 27% dos encarcerados [1]. Para conter esses revoltados, o Estado brasileiro mantém 548.003 presos, ou seja, 1 em cada 348 habitantes.

Se contarmos as pessoas mortas ou desaparecidas pelas ações da polícia, este número poderia aumentar muito. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) [2], aproximadamente 6 mil pessoas desaparecem anualmente, somente no Rio de Janeiro, tendo como caso mais emblemático o do pedreiro e pai de família Amarildo.

Por muito tempo, o destino destes indesejados tem sido a morte ou cadeias superlotadas e torturas sistemáticas. Entretanto, o cenário pode mudar nos próximos anos pois vários estados brasileiros pretendem implementar Parcerias Público Privadas (PPP) para criação dos chamados "presídios terceirizados", onde a iniciativa privada controla toda a gestão da penitenciária [3,4].

Além de lucrar com a gestão, os empresários ainda podem instalar linhas industrias dentro do presídio. No caso específico da penitenciária de Ribeirão das Neves, a intenção é transformá-la “pólo de EPI” (equipamento de proteção individual), colocando os presos para fabricar sirenes, alarmes, circuitos de segurança, coturnos e botas de proteção, uniformes e artigos militares.

Ao transformar o detento em trabalhador, abre-se outra janela, pois este trabalhador pode consumir produtos e serviços como assistência médica, odontológica e jurídica.

Neste "paraíso" capitalista, transformou-se o indesejado que onerava o estado em um trabalhador-consumidor. Genial, não?

Texto: Gustavo Dopcke / Coletivo Mariachi

[1] - http://www.infopen.gov.br/
[2] - http://www.isp.rj.gov.br/
[3] - http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-construira-3-complexos-de-prisoes-privadas,1075138,0.htm
[4] - http://apublica.org/2014/05/quanto-mais-presos-maior-o-lucro/

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Ministro dos esportes e os patrocinadores das eleições

Ministro dos esportes usa o jornal O Globo para dizer que Anistia Internacional Brasil errou ao denunciar abusos do Estado[1]. Ao defender manifestantes, a Anistia estaria aplaudindo saques e vandalismo. Ou seja, de uma forma semi-complicada, ele associa manifestação a vandalismo. Alguma novidade?

Assim, Aldo Rebelo mostra todo seu caráter autoritário, onde os interesses do Estado estão acima dos direitos do cidadão. Portanto, usa o mesmo discurso dos militares para justificar a repressão nos anos de chumbo. Aldo representa, assim, o viés mais autoritário do PCdoB.

A quem interessa o autoritarismo do Estado? Quem ganha com a violência policial?

O Estado que temos está empenhado em garantir os lucros dos bancos, que só com os juros da dívida consomem 5% de tudo o que o Brasil produz [2]. Outro cliente do Estado são as empreiteiras, que atingem altíssima lucratividade, através de obras superfaturadas, como as obras da Copa. São estas empresas que irão patrocinar a campanha política de Aldo Rebelo nestas eleições. Aí vemos o interesse do excelentíssimo ministro em apoiar a brutalidade policial contra os que se manifestam contra a Copa e as obras superfaturadas.

Segundo Eduardo Bresciani, do Estadão, Aldo já recebeu dinheiro das seguintes empresas: Itau, Ambev, Grupo Pão de Açúcar, Mendes Júnior, Odebrecht, e Camargo Corrêa [3]. Sem este patrocínio, seria difícil se eleger em outubro deste ano.

Entende, agora, porquê o ministro defende a violência policial?

[1] - http://oglobo.globo.com/opiniao/a-bola-fora-da-anistia-internacional-12536297
[2] - http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2013/08/31/juros-da-divida-consomem-tanto-dinheiro-publico-quanto-a-educacao/
[3] - http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,novo-ministro-do-esporte-recebeu-doacoes-de-patrocinadores-da-cbf,791321,0.htm

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Holofotes no Brasil: a luta é internacional e de esquerda

Os protestos do 15M no Brasil trouxeram de volta a população às ruas. No Rio, as câmeras mostraram alguns empurrões, porretadas e spray de pimenta [1]. Já em São Paulo, as manifestações começaram cedo e até o Datena comentou: "Chega de tanto desperdício de dinheiro!"[2]. Enquanto o sudeste esquenta com tantas greves, no Recife o exército vai às ruas para substituir a polícia em greve [3].

Neste cenário, o governo tenta mostrar força, chegando ao ponto dos marqueteiros do Planalto afirmarem que a 'super-quinta' foi um fracasso [4]. Ao mesmo tempo que os trabalhadores brasileiros mostram seu descontentamento com o Estado, na Turquia o clima é de luto pela morte de mais de 200 mineiros [5].

O que todos estes acontecimentos têm em comum?

Primeiro, para quem esteve no 15M no Rio de Janeiro, o destaque foi a presença maciça da imprensa internacional. Às vésperas da Copa do Mundo, os olhos do mundo se voltaram para nós. Neste sentido, poderíamos usar os holofotes para fortalecer a luta.

Quais as similaridades entre as mortes dos trabalhadores nos estádios da Copa e dos mineiros na Turquia? Dentro da lógica capitalista, não é interessante aumentar a segurança no trabalho, pois isso implica reduzir lucros. Brasileiros e turcos foram explorados até a morte, literalmente. Talvez seja a hora de declararmos o nosso apoio à luta dos povos do mundo contra a exploração.

Este discurso que coloca a pessoa humana acima do lucro é o que temos de mais revolucionário. Por outro lado, a reclamação do Datena é uma tentativa da direita de capitalizar sobre a indignação geral da população. Ao colocar a culpa das mazelas da Copa sobre os governantes, a direita perdoa os empresários, que foram os grandes beneficiários do evento.

Assim, se o objetivo último das manifestações é melhorar a vida do povo, não podemos deixar a direita sequestrar as reclamações legítimas da população, para favorecer suas ânsias eleitorais. Uma forma de fazer isso é deixar claro quem são os culpados das mazelas: Fifa, governos e, principalmente, os empresários. Sem isso, o povo irá votar em um Aécio Traficante Graúdo ou no Coronel Dudu Campos, achando que esse ato fará a vida melhorar.

Em suma, temos a oportunidade de tornar a nossa luta internacional, usando a presença da imprensa internacional a nosso favor. Ao mesmo tempo, devemos deixar bem claro que as nossas reivindicações não são as mesmas da direita.

Sugestões de cartaz para a próxima manifestação:
"RIP Turkish miners.
It was not an accident!"

"Empreiteiras que lucram com a corrupção na Copa:
Odebrecht, Camargo Correia, OAS, Andrade Gutierrez"

[1] - http://youtu.be/pJJY1kDy29M
[2] - http://youtu.be/fIejMdzFGKo
[3] - http://youtu.be/vEXn_qff6cY
[4] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,para-dilma-super-quinta-de-protestos-foi-um-fracasso,1167260,0.htm
[5] - http://www.publico.pt/mundo/noticia/mais-de-200-mortos-confirmados-na-turquia-centenas-continuam-encurralados-1635859#/0