sábado, 20 de junho de 2015

Homofobia e atração desconhecida pelo mesmo sexo

Homofobia e atração desconhecida pelo mesmo sexo
- Estudos mostram que existe uma conexão entre homofobia e atração pelo mesmo sexo.


Foto: QueerEaster | flickr.com/photos/queereaster/


Esta semana, o apresentador Ricardo Boechat deu uma resposta direta às críticas do pastor Silas Malafaia, acusando-o de ser “tomador de grana de fiel” e “homofóbico”, Boechat também mandou Malafaia “procurar uma rola”. Deste caso inusitado, surgiram algumas perguntas: Existe uma relação entre homofobia e sentir atração pelo mesmo sexo? Seria homofobia uma forma de “autofobia”? Pessoas homofóbicas são gays que não aceitam o fato?

Talvez a ciência possa nos ajudar nesse caso. Uma série de estudos em psicologia mostrou que homofobia é mais pronunciada em indivíduos com uma atração desconhecida pelo mesmo sexo e que cresceram com pais autoritários que proibiam tais desejos.

Estes estudos foram conduzidos por um grupo de cientistas das universidades de Rochester (EUA), Califórnia em Santa Bárbara (EUA) e Essex (Inglaterra) e buscou analisar a relação entre a orientação sexual, educação familiar e aversão a homossexuais. Consistiam em quatro experimentos diferentes, envolvendo uma média de 160 estudantes na Alemanha e Estados Unidos e foi publicado no Jornal de Personalidade e Psicologia Social em 2012.

Os experimentos buscavam explorar a atração sexual implícita e explícita dos participantes, medindo a discrepância entre o que as pessoas dizem sobre sua orientação sexual e como reagem a tarefas. Por exemplo, aos estudantes foram mostradas figuras onde eles deveriam indicar como “gay” ou “hétero”. Antes de cada experimento, os participantes receberam as mensagens subliminares “eu” e “outros”, que piscaram na tela por 35 milisegundos, sendo reconhecidas apenas inconscientemente. Um indicativo de orientação implicita gay ocorria quando o participante rapidamente associava “gay” e “eu”, ou demorava a associar “hétero” e “eu”.

Em outro experimento, os participantes poderiam explorar livremente fotos de casais gays e héteros, sendo que explorar mais fotos de casais do mesmo sexo indicava uma atração para tal. Os alunos ainda foram perguntados se a educação que receberam em casa era mais controladora e como seus pais reagem a gays e lésbicas. Por fim, para medir o nível de homofobia, os participantes tinham que completar palavras, que poderiam resultar em conotações violentas. O estudo media o aumento de agressividade depois da palavra “gay” aparecer por 35 milisegundos.

Nos experimentos, alguns participantes se declararam mais heterosexuais do que suas performances na tela indicavam. Este indivíduos, que contrariavam suas orientações implícitas, também estavam mais propensos a reagir com hostilidade a gays.

Através dos estudos, foi possível observar que participantes, com pais que os apoiam e aceitam, estavam mais conectados com a orientação sexual implícita. Enquanto filhos de lares autoritários tinha muma discrepância maior entre atração implítica e explícita. Para Richard Ryan, um dos autores da pesquisa, “indivíduos arriscam perder amor e aprovação dos pais se admitirem atração pelo mesmo sexo, assim muitas pessoas negam e reprimem parte de si. Em muitos casos, estas pessoas trazem sua guerra interna para fora."

Em maio deste ano, o pastor Matthew Makela, que fazia campanha contra a homossexualidade, ficou famoso o ser flagrado em aplicativo de paquera gay. [1]

Seriam os nossos pastores homofóbicos como Silas Malafais e Marco Feliciano casos de pessoas que vivem uma guerra interna de sentimentos. Ou seriam apenas pessoas manipuladoras que usam a bandeira da homofobia para adquirir poder? Talvez seja difícil falar sobre casos específicos, mas tudo que podemos afirmar é que a alfinetada do Boechat tem algo de verdade.

Texto: Gustavo Dopcke

Assista o vídeo onde Richard Ryan fala da pesquisa (em inglês):
https://www.youtube.com/watch?v=KOsRiH0-E6A

[1] http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/05/pastor-homofobico-e-flagrado-em-busca-de-relacao-homossexual.html