quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Liberdade para Rafael Braga. Para Fábio e Caio Não?

CAIO, RAFAEL E FÁBIO: VÍTIMAS DO SISTEMA

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Muito criticamos a manipulação da mídia mercantil que criminaliza a manifestação popular. Entretanto, essa manipulação não atinge apenas coxinhas que assistem o Jornal da Goebbles. Fico surpreendido mesmo quando esse discurso incriminatório atinge manifestantes de longa data.

Aqui no Rio, temos três detentos considerados presos políticos: Rafael Braga, Fabio Raposo e Caio Silva Rangel. O primeiro, foi preso apenas por ser negro, catador e estar no meio da maior manifestação da história do Brasil. Os dois outros foram acusados de assassinar o cinegrafista Santiago Andrade utilizando um rojão.

NEM MANIFESTANTE ELE É

O que eu mais ouço é dizerem que o caso do Rafael é diferente porque nem manifestante ele era. Implícito neste pensamento está a criminalização da manifestação. Manifestante ou não, as pessoas deveriam ter um tratamento igual pela "Justiça". Manifestar não é crime, lembra?

Ao diferenciarmos Caio e Fábio por serem manifestantes, estamos caindo como palhaços na armadilha do Estado e da mídia mercantil. Pior ainda, estamos aceitando a nossa própria criminalização.

AUMENTAR A REPRESSÃO OU ENFRENTAR A MÁFIA DO TRANSPORTE?

Em janeiro e fevereiro deste ano, as manifestações estavam crescendo, o aumento da passagem já havia ocorrido e os catracaços eram diários.

As alternativas do governo eram: reprimir as manifestações violentamente ou voltar atrás nos aumentos. Qualquer das opções seria um desastre. Colocamos o governo em um dilema de decisão, contra a parede. Se reprimissem, a população poderia voltar às ruas como em junho de 2013. Se abaixassem os preços, teriam que enfrentar as máfias do transporte público.

A MORTE QUE SALVOU O GOVERNO

A morte do Santiago salvou o governo do dilema. Depois disso, a opção pela repressão violenta estava clara e justificada. Centenas de manifestantes foram investigados e ameaçados. A defesa dos rapazes foi criminalizada.

Colocaram um advogado da milícia para supostamente defendê-los, mas o tal Dr. Jonas Tadeu Nunes apenas acusou e forjou provas. Este carrasco ainda tentou incriminar os que defendiam os garotos, como no caso de acusar Elisa Quadros e Marcelo Freixo. Ligar para o Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ALERJ se tornou crime, ser presidente da CDH se tornou crime.

Quando um manifestante me fala que o caso é diferente porque houve uma morte, eu digo que você está fazendo o jogo da mídia e do governo. Usar a morte para justificar um tratamento diferente de Caio e Fábio é agir como os nossos carrascos.

FÁBIO E CAIO FIZERAM BESTEIRA

Já me falaram também que Caio e Fábio fizeram besteira. Vindo da Rede Bobo, eu não me surpreenderia. Fico estarrecido quando esta afirmação vem de um manifestante.

Primeiro, o que ocorreu foi um acidente. Um rojão-de-vara-sem-vara não possui direção definida. Portanto, eles não poderiam planejar tal ato.

Segundo, o Fábio é visto apenas entregando o rojão pra alguém. Se o incidente não poderia ser planejado, como o Fábio teria controle do que aconteceria? Tudo indica que ele não queria acender o rojão. Pelo simples fato de entregar o rojão na mão de alguém o Fábio merece ficar 7 meses sofrendo torturas na cadeia? Qual o tamanho da besteira que ele fez?

Já no caso do Caio, temos a acusação feita pelo seu advogado de defesa (na época, o Dr. Jonas Tadeu). Somente pelo motivo do acusador ser o advogado de defesa, já temos indícios de que o Caio caiu em uma armadilha. Nas entrevistas à "jornalista" da Rede Goebbles, que viajou com a Polícia Civil, Caio aparece visivelmente atordoado, dizendo que teme pela própria vida.

Pra piorar, a perícia que identifica o Caio como ascendedor do rojão foi forjada nos estúdios da Rede Goebbles [1].

Ou seja, Caio não teve direito a defesa, foi acusado pelo próprio advogado e incriminado pela Globo. Qual a besteira que ele fez?

Quem diz que Caio e Fábio fizeram besteira são a mídia mercantil e o órgãos de repressão do Estado. Você concorda com eles?

PARE DE CRIMINALIZAR A MANIFESTAÇÃO

Por tudo isso, eu gostaria de chamar a atenção de todos os manifestantes que de uma forma ou de outra ajudam a criminalizar a manifestações: pare! Pare de ajudar o governo! Pare de ajudar a mídia mercantil!

Caio, Rafael e Fábio são vítimas de um governo dos ricos, corrupto, racista e fascista. Temos que vencê-los no campo das ideias também.

Liberdade para Caio, Rafael e Fábio!

[1] - http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/perito-confirma-que-caio-souza-lancou-rojao-que-matou-cinegrafista.html

sábado, 13 de setembro de 2014

SP: PM obriga jornalista do Mariachi a deletar suas fotos

Hoje, 13 de setembro, ocorreu o Ato Contra a Farsa Eleitoral, que começou às 15h em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Estavam reunidos manifestantes de vários movimentos populares que se uniram para denunciar que as eleições foram montadas e controladas pelos ricos. Deixando a maioria do povo sem possibilidades reais de participação no poder.

Já na concentração para o ato, os manifestantes pintaram cavaletes e santinhos, dando um novo significado para as propagandas dos políticos.

Quando a manifestação decidiu sair em marcha, a tropa de choque já a cercou, fazendo uma barreira para isolá-los. Mesmo com a intimidação, o ato partiu para a Rua da Consolação. Na Av. Ipiranga, um manifestante colou nas costas de um policial um adesivo com os dizeres "Eleição é farsa. Não vote, lute!".

Essa atitude enfureceu o PM que partiu para cima de todos os fotógrafos que tentaram registrar a colagem. Desta vez, o PM escolheu um jornalista do Coletivo Mariachi para externar sua raiva. Órfão da Ditadura, o PM exigiu que o fotógrafo apresentasse documento de "fé pública" e rejeitou a validade do crachá de jornalista.

A VOLTA DA CENSURA

O ápice da repressão ocorreu quando o policial exigiu que o jornalista eliminasse as suas fotos.

"Ela colou ali e você passou o pano."

Nesta frase, o PM tenta dizer que o jornalista consente com a atitude da manifestante que supostamente colou o adesivo.

Fica claro a prepotência e autoritarismo da polícia contra a atividade jornalística. Retornamos a época da censura, quando o Estado reprimia a atividade de imprensa.

Fica a pergunta: se a polícia pode censurar jornalistas, vivemos em um Estado verdadeiramente democrático? Se um órgão do Estado não tolera atitudes simples como a colagem de adesivo, imagina o que ela faria longe das câmeras, em um bairro de periferia.

Por tudo isso, a PM mostrou a sua incompatibilidade com a democracia.

NÃO ACABOU
TEM QUE ACABAR
EU QUERO O FIM
DA POLÍCIA MILITAR

Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi