segunda-feira, 15 de julho de 2013

Dia do homem KKK

Nada como ter um dia do homem para podermos discutir coisas importantes. Temos muitos problemas relacionados a masculinidade que precisam ser discutidos. Há o famigerado exame de próstata. Existe ainda essa associação entre homem e violência, que leva muitos a se sentirem menos homens quando não agem de forma violenta para defender seu espaço, honra, etc.
Ainda tem a parte chata de não poder abraçar amigo pra não parecer ... sabe ... gay. Ter amigos bem-resolvidos, ou gays sempre ajuda, mas dada a heteronormatividade, temos que cumprimentar os amigos como se tivéssemos querendo lhes bater.
Infelizmente, a pauta das discussões deste dia divergiram um pouco do que eu classificaria como importante. Gostei, contudo, de algumas mensagens carinhosas aos homens:


Não sabia que ser homem representava tudo isso. Na verdade, nem escolhi nascer homem, foi um acaso fifty-fifty da natureza.
Li isso: "Hoje é o dia do Homem. Do Homem se Foder."
Muito engraçado isso, vou até rir: KKK!



Pra não deixar o dia passar em branco, teve até poesia:

"O grande e venerável homem
que trás o alimento em casa
Hoje é o seu dia
O dia de contemplar a sua vara."

Desculpe se a minha "vara" a perturba. A partir de hoje, para deixá-la mais confortável, só usarei roupas que a deixem bem escondida. Nenhum volume, prometo. Eu sei como é o sentimento, também não gosto de pênis. Bobeira de hétero - deixa pra lá.






Love is in the air! São tantos coraçõezinhos.

Na semana que passou, além de participar dos protestos, eu ajudei duas velhinhas no ônibus. Uma, ajudei a descer e ela me agradeceu. A outra, que iria subir, não quis a minha ajuda e agradeceu também. No sábado, eu distribui alimento e conversei com moradores de rua. Alguns não quiseram, mas também foram educados ao recusar. Apesar de homem, hétero e de classe média, eu sempre tento compensar a minha "natureza" com atividades que, pelo menos, redimam o mal que eu faço ao mundo.

Sábado a noite, fui ajudar uma menina com a bicicleta que caía. Ela me afastou quase com um tapa.
Sei que todo homem é um possível estuprador ou coisa pior. Por isso, não a julgo por me tratar tão mal, depois de eu tentar ajudá-la. Coitada, poderia ser um ómi agressor.

Eu entendo a lógica. É mais ou menos assim:
"A maioria dos machistas são homens brancos, héteros e classe média. Portanto, todos os homens brancos, héteros e classe média devem morrer!"
Estou rindo muito: KKK

Sei que parece a lógica do "Aquele homem abusou sexualmente do menino. Gays são um problema."
Homem que abusa sexualmente de meninos não é gay e sim um doente. Contudo, homens que abusam de mulheres estão sendo apenas homens. É intrínseco ao XY.

Ela tem homens enterrados no quintal, queimando, fazendo brincos com os seus corpos KKK
Que brincalhonas. Isso é uma óbvia referência a misandria. Afinal, quem mata são os homens. Isso mora no mundo das piadas, portanto não pode ofender ninguém.

Pensei em comentar, dizer que poderia sem ofensivo para os desavisados, mas logo percebi que eu não tenho nenhum direito de dizer-lhes como fazer o feminismo. Quem sou eu? Um homem, branco, blá blá. Como eu não posso me colocar no lugar delas, também não tenho o direito de dizer-lhes o que é o verdadeiro feminismo.
Decidi buscar o conselho de minhas amigas feministas.
"Se a sua aproximação for sussa, a reação também tende a ser. Agora, se a sua aproximação for, por exemplo, no sentido de explicar pra uma feminista o que vc acha que deveria ser o feminismo..."

Depois dessa reflexão, resolvi perguntar qual era o verdadeiro feminismo, tendo em vista um sem número de opções: feminismo liberal, radical, conservador, libertário, separatista, lésbico, ecofeminismo, etc.
"Se vc estiver falando sobre teorias existentes, criadas por mulheres feministas, sim, vc pode falar pra ela.
...
A mulher já não tem voz na sociedade. Daí vem homem falar em nome do feminismo?
Com todas as perspectivas de alguém em uma posição de privilégio?"

Agora entendi. Vou estudar todas as teorias existentes e verificar se foram criadas por mulheres. Só então irei falar alguma coisa. Pois, a partir da minha posição de privilégio, eu não devo dizer nada.

Como eu poderia reclamar de mulheres que dizem querer que os homens morram? Afinal, muitas mulheres morrem nas mão de homens todos os dias.

Como eu poderia reclamar quando mandam os homens se foderem? Afinal, é legítimo que um grupo oprimido odeie seu opressor. Se eu sou um homem, sou obviamente um opressor.

Como poderia reclamar que elas digam ter nojo do meu pênis. Afinal, esse é o grande símbolo do macho e, como tal, inspira unicamente repulsa.

Sempre achei minha conduta correta, em ralação aos problemas de gênero. Nunca deixei um amigo fazer um comentário machista sem resposta e sempre estive disposto a rever minhas posições de privilégio na sociedade. Participei até das passeatas contra o estatuto do nascituro (que nome engraçado KKK).

Hoje, contudo, descobri que o meu lugar não é entre elas (male tears KKK). Só as mulheres podem ser feministas, pois somente elas tem o direito de discutir em progredir no assunto.
Sendo assim, deixo o movimento feminista para elas. Já tenho muito trabalho com as outras atividades políticas. Vou, portanto, concentrar-me nas outras atividades.

No dia do homem: Viva o feminismo! KKK

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Eu

Eu 
(Vladimir Vladimirovitch Mayakovsky)

Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneo de frases ásperas

Onde
forcas
esganam cidades

e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres
oblíquas

soluçando eu avanço por vias que se encruz-
ilham

à vista
de cruci-
fixos

polícias



(Влади́мир Влади́мирович Маяко́вский) 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A capitalização pelo PSDB do movimento pela redução do preço das passagens

Amanhã, quinta-feira, 20 de junho de 2013, haverá novamente protesto no Rio de Janeiro. A chamada é para sairmos da Candelária, em direção à Central do Brasil, terminando a passeata em frente à prefeitura.

Antes de partirmos para mais uma empreitada destas, vale a pena fazer algumas reflexões a respeito do cenário político e midiático. A Globo, que antes chamava os protestantes de "caricatura violenta" e "revoltosos de classe média"(Arnaldo Jabor fala sobre onda de protestos contra aumento nas tarifas de ônibus), no dia seguinte já se reconciliava com o movimento (A PM começou a batalha na Maria Antônia).

Além da sanha da mídia, temos a oposição esquecida e minguada que tenta se reerguer - o PSDB. Este partido, na voz do Alckmin, que no começo dizia que não se podia tolerar os vândalos baderneiros ("É intolerável a ação de baderneiros" diz Alckmin sobre protestos), agora abrandou o discurso dizendo que "Ficou clara a dimensão nacional do movimento".

O que mudou daquela quinta-feira (13/06/13) trágica, com 105 feridos e 325 detidos pela PM comandada pelo Alckmin (Do sonho ao vandalismo e à brutalidade), para a segunda-feira? O que fez com que a mídia de direita e o PSDB mudassem de posição?
Se houve conluio é difícil saber, mas o fato é que no jornal da Globo News desta terça-feira, 18 de junho de 2013, o circo midiático já se arma para uma capitalização pelo PSDB desses protestos.

Ontem, quase de madrugada, o PSDB abriu o discurso, dizendo que o problema é a inflação e fizeram o milagre da ressurreição do FHC.

A Globo News já colocou o foco do noticiário nas reclamações dos manifestantes e associando o governo Dilma e Haddad. (Haddad: tarifa menor de transporte tira recurso de outras áreasAvaliação positiva do governo Dilma cai a 55% em junho--CNI/Ibope).

A batalha do PSDB por espaço político, que parecia perdida, já mostra novo fôlego. Apenas dois políticos do PSDB aparecem: FHC e o futuro candidato a presidência, Aécio Neves (Aécio diz que há insatisfação nas ruas). Vemos uma verdadeira blindagem com os outros. Alckmin deve, portanto, sumir do noticiário nos próximos dias, mesmo que a PM volte a brutalizar.

Basicamente, o PSDB ficará de bonzinho e o PT de malzinho. O PT será responsabilizado por uma corrupção endêmica que, somada a sua inaptidão econômica, acordou o mostro adormecido da inflação. Quem poderá nos salvar? O FHC2, Aécio Neves. Será que o povo compra?

Os meus conhecidos que apoiam PSDB ainda não tinham me falado disso, mas certamente assumirão a posição da mídia. Alguns, que estavam no protesto, descobrirão a verdadeira face do PSDB - oportunista e ideologicamente vazio. Irão pro lado do bem - que é bem longe dos tucanos? Os PSDBistas militantes, cheios de teias no sofá, estes comprarão o discurso da mídia. Já ouço seus uivos pelos corredores, mas nunca nas ruas. Sem formação política, alienados até a décima geração, saudosistas da era FHC, eles farão suas interpretações do movimento, usando a tela da Globo como filtro.

A culpa dos protestos é da inflação do PT que também é antidemocrático. Inflação esta que o PSDB é experiente em resolver.

No apoio tático, a mídia vem trabalhando de forma inteligente. A Globo News colocou um comentarista político-pastor que é mais burro que o apresentador, mas prega como em um púlpito. Acho que é pra ganhar as massas, quiçá os evangélicos.

Há uma possível supercapitalização disso, pois o PSC já mostra querer deixar de apoiar o governo (Marco Feliciano ameaça 'rebelião' se governo interferir no projeto 'cura gay') e irá, provavelmente, apoiar o PSDB.

Eu quero ver o Aécio pousando de contra a legalização do aborto e a favor da 'cura gay'. O que aconteceu com o Mensalão Mineiro (Os documentos do mensalão mineiro)? Parece que Aécio já costura uma aliança com Eduardo Campos (PSB) para saírem juntos no ano que vem (Aécio e Campos costuram acordo contra Dilma em 2014).

Se a estratégia do PSDB for bem sucedida, o movimento tem muito a perder. Contudo, com uma posição coerente e centrada, o Movimento pelo Passe Livre (MPL) já sinalizou de que o protesto é exclusivamente pela redução do preço das passagens (“Não vamos permitir que parasitem a nossa pauta”, diz integrante do MPL, note que o termo "integrante" e não "dirigente" foi usado de forma intencional).

Vamos torcer para que os únicos a capitalizarem dessas manifestações sejam o povo, pagando menos (ou nada) para um transporte público melhor.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Fricções


A maioria dos homens que conheço tem medo de falhar naquela hora. Pra mulher é mais fácil, se ela já começou e se arrependeu, é só ficar lá, elogiar o tamanho do equipamento do cara, falar um `goza pra mim, vai!´, que o representante XY já acelera e chega logo no final do processo.
Mulheres, quando vcs falam `goza pra mim`, o cara já entende que vc está entediada. Isso não ajuda muito pra acabar rápido, mas não é disso que eu vou falar.
Na verdade, eu contei tudo isso pra introduzir uma história.
Todo mundo tem um amigo, cujo o maior prazer é fazer um amigo sofrer, para que todos os outros se divirtam com a desgraça alheia.
Eu tenho um amigo, que em um dia muito quente, ele tirou a camiseta e começou a coçar a barriga.
Ele era um pouco gordinho, peludo e suava. Quando ele percebeu a minha cara de `bleh´ perante o ato, ele tornou aquela barriga em duas camadas que, suadas e friccionadas uma contra a outra, produziam um barulho engraçado.
Eu protestei, o que só pirou as coisas. Ele rogou uma praga infalível:
`Na próxima vez que vc transar, vc se lembrará da minha barriga.´
Aquele olhar profundo fez algo bizarro grudar no meu cérebro.
Um tempo depois, eu estava transando com a uma menina e o ato produziu aquele barulhinho. Isso imediatamente excitou meu tímpano, mandando informação pro cérebro, que comparou com outros sons parecidos na memória. Eu ri tanto que a menina não quis continuar.
No fim, não foi bem uma broxada, mas acho que conta como tal.