sábado, 20 de junho de 2015

Homofobia e atração desconhecida pelo mesmo sexo

Homofobia e atração desconhecida pelo mesmo sexo
- Estudos mostram que existe uma conexão entre homofobia e atração pelo mesmo sexo.


Foto: QueerEaster | flickr.com/photos/queereaster/


Esta semana, o apresentador Ricardo Boechat deu uma resposta direta às críticas do pastor Silas Malafaia, acusando-o de ser “tomador de grana de fiel” e “homofóbico”, Boechat também mandou Malafaia “procurar uma rola”. Deste caso inusitado, surgiram algumas perguntas: Existe uma relação entre homofobia e sentir atração pelo mesmo sexo? Seria homofobia uma forma de “autofobia”? Pessoas homofóbicas são gays que não aceitam o fato?

Talvez a ciência possa nos ajudar nesse caso. Uma série de estudos em psicologia mostrou que homofobia é mais pronunciada em indivíduos com uma atração desconhecida pelo mesmo sexo e que cresceram com pais autoritários que proibiam tais desejos.

Estes estudos foram conduzidos por um grupo de cientistas das universidades de Rochester (EUA), Califórnia em Santa Bárbara (EUA) e Essex (Inglaterra) e buscou analisar a relação entre a orientação sexual, educação familiar e aversão a homossexuais. Consistiam em quatro experimentos diferentes, envolvendo uma média de 160 estudantes na Alemanha e Estados Unidos e foi publicado no Jornal de Personalidade e Psicologia Social em 2012.

Os experimentos buscavam explorar a atração sexual implícita e explícita dos participantes, medindo a discrepância entre o que as pessoas dizem sobre sua orientação sexual e como reagem a tarefas. Por exemplo, aos estudantes foram mostradas figuras onde eles deveriam indicar como “gay” ou “hétero”. Antes de cada experimento, os participantes receberam as mensagens subliminares “eu” e “outros”, que piscaram na tela por 35 milisegundos, sendo reconhecidas apenas inconscientemente. Um indicativo de orientação implicita gay ocorria quando o participante rapidamente associava “gay” e “eu”, ou demorava a associar “hétero” e “eu”.

Em outro experimento, os participantes poderiam explorar livremente fotos de casais gays e héteros, sendo que explorar mais fotos de casais do mesmo sexo indicava uma atração para tal. Os alunos ainda foram perguntados se a educação que receberam em casa era mais controladora e como seus pais reagem a gays e lésbicas. Por fim, para medir o nível de homofobia, os participantes tinham que completar palavras, que poderiam resultar em conotações violentas. O estudo media o aumento de agressividade depois da palavra “gay” aparecer por 35 milisegundos.

Nos experimentos, alguns participantes se declararam mais heterosexuais do que suas performances na tela indicavam. Este indivíduos, que contrariavam suas orientações implícitas, também estavam mais propensos a reagir com hostilidade a gays.

Através dos estudos, foi possível observar que participantes, com pais que os apoiam e aceitam, estavam mais conectados com a orientação sexual implícita. Enquanto filhos de lares autoritários tinha muma discrepância maior entre atração implítica e explícita. Para Richard Ryan, um dos autores da pesquisa, “indivíduos arriscam perder amor e aprovação dos pais se admitirem atração pelo mesmo sexo, assim muitas pessoas negam e reprimem parte de si. Em muitos casos, estas pessoas trazem sua guerra interna para fora."

Em maio deste ano, o pastor Matthew Makela, que fazia campanha contra a homossexualidade, ficou famoso o ser flagrado em aplicativo de paquera gay. [1]

Seriam os nossos pastores homofóbicos como Silas Malafais e Marco Feliciano casos de pessoas que vivem uma guerra interna de sentimentos. Ou seriam apenas pessoas manipuladoras que usam a bandeira da homofobia para adquirir poder? Talvez seja difícil falar sobre casos específicos, mas tudo que podemos afirmar é que a alfinetada do Boechat tem algo de verdade.

Texto: Gustavo Dopcke

Assista o vídeo onde Richard Ryan fala da pesquisa (em inglês):
https://www.youtube.com/watch?v=KOsRiH0-E6A

[1] http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/05/pastor-homofobico-e-flagrado-em-busca-de-relacao-homossexual.html

sexta-feira, 29 de maio de 2015

FIFA CORRUPTION IN BRAZIL TURNS INTO LACK OF DEMOCRACY

FIFA CORRUPTION IN BRAZIL TURNED INTO LACK OF DEMOCRACY


Yesterday (28/05/2015), families were evicted from their homes in the Favela Metro Mangueira in Rio de Janeiro, on the vicinity to Maracanã Stadium, site of the 2014 World Cup final. This is part of a much bigger problem, considering the expelling of poor families, from favelas close to the FIFA World Cup (WC) sites, affected more then 200,000 people [1].



Many Brazilians tried to denounce the FIFA bribery previous to the World Cup, but the corruption also affected the police and the judicial system. Thus, the only people prosecuted in Brazil because of the WC were the protesters, who went to the streets saying that the event would be a bribery fiasco [2].

Igor Mendes, a Geography student of the State University of Rio de Janeiro (UERJ), was arrested last year for participating in a cultural event which denounced the crimes committed during the WC and attacks against teachers by the Riot Police. There are also two women being hunted by police in the same case. In total, 23 people have been accused of planning violent protests during the WC. Thus, the crime only happened in those students minds, if it happened at all.

Yesterday, once again the students went to help people evicted from their homes, but the Military Police violently expelled them back to the University. The students run back, but were surprised with attacks by the University Security, who did not want them to find shelter inside the University.

These events remind us that, just in 1989, Brazil could write a democratic constitution, after 20 years of military dictatorship. Now, we are facing the same problems from those times: prison of protesters and universities invaded by the police.


Together with the corrupted police, the Brazilian media, specially Globo channel, was reporting the events as the students wanted to break the University building for no reason. The channel hide, however, that the austerity plans for Rio de Janeiro State included cuttings in the University budget. The austerity plans turned into stop paying the janitors who went into strike. However, the response by the University was that the students should help with cleaning [3].

There is an explanation for the attempt by Brazilian to manufacture a consent on supposed benefits from the FIFA WC. The media avoids covering the problems because they were the biggest beneficiaries of the event, with advertisement contracts of many billions of dollars. For instance, just Globo made around $1.5 billion [4].

During the FIFA event in Brazil, the Globo News channel was trying to convince the public about the WC legacy [5]. All things considered, now we realize the WC left us with more corruption, police violence and political prosecution.

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By Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Photo by Marcela Tagliaferri
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- Video about the Favela Metro Mangueira eviction in 2014, before the World Cup:
https://www.youtube.com/watch?v=-vgP9DJvWcM


[1] http://www.washingtonpost.com/news/volokh-conspiracy/wp/2014/06/18/brazil-forcibly-displaced-thousands-of-people-to-make-way-for-the-world-cup/
[2] http://www.theguardian.com/world/2014/jun/14/brazil-protests-crackdown-arrests-online-media
[3] http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/05/13/com-funcionarios-em-greve-alunos-e-professores-limpam-salas-na-uerj.htm
[4] http://www.franciscocastro.com.br/blog/?p=11490
[5] http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2012/12/maior-legado-de-copa-e-olimpiadas-e-cultural-afirma-especialista.html

quarta-feira, 20 de maio de 2015

DENTRE TODAS AS POSSIBILIDADES, UMA FACADA

Estou já há 3 semanas fora do Brasil e as notícias que tenho da terrinha são quase sempre terríveis. Fiquei especialmente chocado com o homem esfaqueado e morto. Seu corpo ficou ali, para quem quisesse ver. Uma morte por motivo aparentemente tão fútil. Pra piorar, os criminosos são sempre os mesmos. Quando reclamamos, vem algum chato defender o assassino.

"Ele tem família pra criar.", dizem. Fico me perguntado: e a família da vítima? A sociedade atônita não sabe o que fazer para conter esta verdadeira guerra. Quem sabe uma lei diferente colocaria estes assassinos atrás das grades para mofar.

A mãe do homem morto chorou por quase um dia inteiro em frente ao corpo do filho esfaqueado. Neste caso específico, um policial do BOPE matou o mototaxista Rodrigo Marques Lourenço, de 29 anos, que deixou um filho. Entretanto, casos como estes são muito comuns. Note que a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) mata duas pessoas por dia (números oficiais [1]). Rodrigo não entrou nesta estatística, pois o policial não assumiu o crime.

Após o enterro, que ocorreu no dia 16 de maio, mais de 100 mototaxistas foram até o Palácio Guanabara, para pedira justiça. Lá, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio frente aos coletes que os colegas usavam pra trabalhar.

Mais uma vez, a morte da população trabalhadora do morro não chocou a sociedade. Imagino que não se identificaram com o mototaxista. Foram se identificar apenas com o ciclista da Lagoa, que era médico. No sub-consciente da classe média carioca, a vida do médico vale muito mais do que a do mototaxista. Sem perceber, tomam o lado das elites.

A guerra de classes já foi declarada há muito tempo. De um lado, os ricos, com a mídia, o governo e a polícia. Do outro, a população pobre revoltada com tanta injustiça, senso morta diariamente pela polícia. No meio disso, uma classe média que acredita em uma suposta violência urbana. A mídia os faz crer que o problema são poderosos menores infratores e os que vendem drogas a varejo na favela.

Violência urbana é a guerra de classes, as facadas de São Carlos ou da Lagoa são resultados do mesmo conflito. Enquanto não entendermos isso, não decidiremos conscientemente de que lado estamos.


Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi

“Swann havia encarado todas as possibilidades. A realidade é, pois, alguma coisa que não tem nenhuma relação com as possibilidade, da mesma forma que uma facada que recebemos nada tem a ver com o leve movimento das nuvens acima da nossa cabeça.”
― Proust

[1] - http://www.isp.rj.gov.br/

terça-feira, 19 de maio de 2015

Muito além dos 23 presos políticos

Há muito tempo, defensores de causas sociais são perseguidos, criminalizados processados, e mortos. Há muito mais tempo, isso acontece com a classe mais pobre, que sempre foi e ainda é criminalizada e morta, por ser pobre. Quando digo muito tempo, é há muito tempo mesmo
A Operação Firewall, um investigação da Polícia Civil, que resultou em um processo contra 23 ativistas no Rio de Janeiro, dos quais alguns podem ser condenados, é um grande exemplo do quão sujo o Estado e seus aliados podem jogar com quem enfrenta suas redes de mortais injustiças.
Entretanto, esse caso não é novidade, pois o processo de criminalização de ativistas e movimentos sociais se encaixa de forma perfeita no contexto político, não apenas no momento atual, mas antigo e recorrente, com a tentativa de deslegitimar as lutas sociais.
Em todos os lugares do Brasil, pessoas são perseguidas por questionar e confrontar o que nos é apresentado como modelo político, questionamentos esses que não são poucos:
O sistema prisional e os agentes de segurança pública que, com aval do estado, formam grupos de extermínio e milícias, juntos à omissão do Estado diante do aniquilamento de tribos indígenas e camponeses, negação da explícita existência e ação de latifundiários, criminalização da pobreza, entre outros.
O caso dos 23 ativistas que estão sendo processados, se tornou notório porque a mídia corporativa quis. Ela pretendia acabar com o movimento formado no Rio de Janeiro que, apesar recente, é muito combativo na luta pra que o povo se levante contra a política de benefício dos interesses do poder econômico. Porém, infelizmente, esse não é o único caso. O número de presos políticos vai muito além de 23, e ainda há os mortos e os desaparecimentos forçados, que chamo de desaparecidos políticos da democracia.
Não há como falar em mortos e desaparecidos políticos da democracia sem lembrar de algumas execuções, e chacinas feitas e acobertadas pelo Estado: • Janeiro de 2009, Manoel Mattos foi assassinado. Manoel era defensor de Direitos Humanos, advogado e lutava denunciando grupos de extermínio na divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba.
• Em agosto de 2006, Izabel Borges foi acusada pela polícia do estado do Espírito Santo de chefiar uma organização criminosa que agiria no sistema prisional do Estado. Izabel era Coordenadora da Pastoral Carcerária do Espírito Santo e as denúncias contra ela se tornaram públicas através do noticiário da região e do Jornal Nacional da Rede Globo.
• Chacina da Candelária: na noite de 23 de julho de 1993, 8 jovens sem-teto foram assassinados por policiais militares.
• Chacina da Baixada: 31 de março de 2005, quando 28 pessoas foram mortas, aleatoriamente, pelas ruas da Baixada Fluminense, por Policiais Militares.
• Chacina de Vigário Geral: como ficou conhecido o episódio em que 21 moradores da favela de Vigário Geral foram executados por 50 homens integrantes de um grupo de extermínio, dentro de suas casas, que foram arrombadas na madrugada do dia 29 de agosto de 1993. Esse grupo de extermínio era formado por Policiais.
• Chacina de Acari: 11 pessoas, na maioria negros e moradores da Favela de Acari, foram sequestrados pelo grupo de extermínio Cavalos Voadores, em 26 de Julho de 1990. O grupo de extermínio Cavalos Voadores era formado por policiais e o Coronel reformado e ex-deputado estadual Emir Larangeira, foi acusado pelo Ministério Público de ser o chefe do bando.
Os corpos dos jovens até hoje não foram encontrados.
Essas pessoas são mortas e desaparecidas em nome da política de limpeza social. Os responsáveis pelas mortes, geralmente, são agentes do Estado, que depois se tornam parlamentares, como Emir Larangeira, que também teria planejado a morte de Edmeia, uma das mães dos desaparecidos de Acari, em seu gabinete na ALERJ. Na época, Edmeia estava empenhada na luta por justiça no caso do assassinato covarde de seus filhos.
Esses, e outros inúmeros casos, mostram a evidente omissão do Estado brasileiro diante de tais acontecimentos. O Estado tem suas mãos sujas de tais crimes, que vão muito além dos 23.
Qualquer pessoa que se levante para lutar contra esse Estado falsamente democrático, passará a viver em situação cruciante, de ameaças, criminalizações, perseguições, agressões, tendo até familiares atingindo. Devemos explanar TODOS os casos, que TODOS se tornem notórios.
No papel da criminalização não há exclusividade. Presos políticos no campo e na cidade, na favela e no asfalto, liberdade a todos, pois os números vão muito além dos 23. Texto: Buba Aguiar

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Cardiff - surpresas boas e ruins

Entrei na segunda semana, morando na capital do País de Gales.  Algumas surpresas boas e outras nem tão maneiras me arrebataram. A parte boa ou a ruim primeiro? Vou começar com a ruim.

O Brasil exporta muitas coisas para o mundo, desde Tropa de Elite, futebol, samba, mulheres objetificadas, passando por Michel Teló até chegar em drogas muito mais pesadas!
Por esses dias me deparei com um "centro de ajuda" de uma tal Universal Church of the Kingdom of God. Quando traduzi mentalmente, fiquei estarrecido: Igreja Universal do Reino de Deus. É isso mesmo, camarada. Estamos exportando a palavra do Senhor - do Senhor Edir Macedo.


Pra aumentar o clima de trevas aqui na cidade do Dragão Vermelho, próximo ao castelo de Cardiff, tem muitos bichos de pedra, com olhos assustadores.



O Zé Colmeia acima nem é tão assustador. Ele até que ficou bonitinho com estes olhos que se encontram no infinito.

Mudando um pouco de assunto, estou ficando em um Bed & Breakfast que fica em um dos bairros mais pobres do centro: Splott. Neste bairro, moram muitos estrangeiros (árabes de muitos países, indianos, europeus do leste, etc.) e populações empobrecidas locais.

Foi engraçado vir morar no gueto de Cardiff e ouvir as várias histórias do que me pode acontecer aqui. Garanto que este lugar é mais seguro que qualquer rua do Leblon. Foi triste constatar que os britânicos, aparentemente, também têm medo de pobre. 


Aqui no gueto, também tem surpresas interessantes. Além do belo graffiti acima, vi colada uma bandeira antifascista, mas em alemão. Estranho, não? O que um antifascista alemão estaria fazendo aqui? Será que ele precisa de ajuda?


Antes de falar da cereja-do-bolo, vale lembrar que os pubs aqui são incríveis. Há uma variedade muito grande de cervejas em todos os lugares que fui. As cervejas do tipo ale, locais, são incríveis. Entretanto, as importadas também representam bem. Bebi, no domingo, uma cerveja incrível dos EUA. Só não comente com ninguém, por favor. 


Pra terminar, apresentarei as fotos mais incríveis destes dias. Contextualizando: pra não ficar em forma roliça de tanto beber cerveja, decidi fazer corridas de uma hora pela cidade. Escolhi um ponto próximo, chamado Roath, onde tem um parque, lago e área desportiva. O lugar é extremamente bem cuidado, com campos para jogar rugby, o esporte nacional. Ideal para eu esticar minhas perninhas e queimar as calorias lupulosas.


Além dos gramados, os jardins são belíssimos. Encontrei este jardim de tulipas em frente ao lago e tive que parar a corrida pra registrar.


Mais à frente, encontrei esta fera, capaz de arrancar pedaços de quem se aproxima. Apesar de lindíssimos, os cisnes são animais perigosos, especialmente agora na época dos filhotes. 


No caminho de volta, me deparei com mais surpresas da primavera. Estas árvores floridas são incríveis!


Pra terminar, uma plantinha verdinha e simpática =D


Agora vou dormir, que tenho que trabalhar muito nesta semana.

domingo, 3 de maio de 2015

Spicy Saturday

O que fazer no sábado, em um lugar novo, onde você não conhece ninguém?

Eu decidi explorar a cidade. Fui primeiro aos lugares onde eu penso em alugar um apartamento.
Saí por volta do meio-dia, já com fome e fui em busca de um bom restaurante. Peguei meu norte pela City Road e encontrei um restaurante chinês na Crwys Road. Pedi o especial da casa que consiste em macarrão com frango, camarão e legumes. O garçom perguntou quanta pimenta eu queria, ao que respondi "spicy".

Quando comecei a comer o prato fiquei muito vermelho, chegando ao ponto de lacrimejar. Apesar de o prato estar delicioso, foi um desafio terminá-lo. Enxuguei as lágrimas e comi tudo com bravura!

Depois do almoço, continuei meu passeio pela Catheys Terrace, chegando a um jardim da Universidade, lindo e verde-claro, de começo da primavera.



Continuei pela Avenida Rei Eduard VII, onde me deparei com estas árvores incrivelmente floridas. 



A beleza do lugar era incrível. Foi quando eu pensava que a melhor parte já tinha passado, que a parte realmente bonita apareceu. Entrei o Jardim Alexandra, com tulipas e outras flores incríveis. Veja isso:






Depois de curtir muito a primavera galesa, fui em direção a outros bairros onde poderia morar, passando pelo Museu Nacional de Cardiff



Pelo Castelo de Cardiff. Decidi não entrar desta vez, já que a entrada custa £9 (R$40), pois tenho certeza que entrarei no castelo quando meus amigos me visitarem.


No caminho pra Riverside, passei pela Cowbridge, sobre o Rio Taff, onde as cores da primavera continuavam impressionantes.



Depois destas fotos, começou a chover muito e decidi entrar em um café. A pausa foi à toa, pois continuou a chover durante todo o dia.

Cheguei no Bad & Breakfast para jantar. Lá, encontrei um novo hóspede o Giacomo, um italiano que começou a trabalhar com croupier em um cassino da cidade. E eu que sempre pensei ter uma profissão interessante.

Na cozinha do B&B, ficamos eu, Giacomo e Rossi (a anfitriã) bebendo duas garrafas de vinho tinto. Fui dormir cedo, pois no domingo tinha um jogo de futebol com o pessoal do instituto.



quinta-feira, 30 de abril de 2015

Segundo dia, carpe diem!

Hoje foi um dia mais atarefado em Cardiff. O primeiro desafio foi encontrar a School of Physics and Astronomy. O campus está espalhado pela cidade e o prédio onde eu trabalharei fica muito longe do edifício principal, onde eu havia ido.

Errar de prédio foi até divertido, pois pude passear e apreciar a paisagem da primavera. As árvores estão com uma bela cor verde clara, com as folhas que acabaram de crescer. Além disso, o céu azulado criou uma paisagem inesperada para a "Ilha Cinza", como alguns amigos chamam a Grã-Bretanha.



Uma coisa que está sendo difícil de lidar é a mão britânica, com os carros à esquerda. Todas as vezes que tenho que atravessar uma rua, olho para os dois lados. Às vezes, esqueço disso e olho apenas para o lado de onde não vêm carros, tornando a experiência levemente perigosa.



Felizmente não fui atropelado e consegui realizar todas as atividades do dia. Fui em vários escritórios da Universidade. Um para conseguir a minha carteirinha, outro pra fazerem uma cópia do meu passaporte. No meu instituto, os desafios foram mais tranquilos. Chave da sala e colocar internet no meu laptop. No fim do dia, ainda passei na loja de celulares e comprei um chip. Tenho um número de telefone agora! =D

Todas estas tarefas me deixaram um pouco cansado. Entretanto, as novidades são o maior combustível pra aproveitar a vida. Cheguei em casa e, mesmo com o corpo pesado, decidi correr em um parque aqui próximo, Splott Park.


Pra terminar ainda melhor, cheguei no Bad & Breakfast que estou ficando e descobri que a minha anfitriã me esperava com um jantar. Foi um delicioso macarrão com cogumelos e pimentão vermelho, cobertos com queijo derretido.

Carpe diem!



terça-feira, 3 de março de 2015

Mancha Azul

Mancha Azul


O coração desta cidade
está pintado com tristeza.
Nós respiramos em desespero
e um tipo anestesiado de loucura.


que se contorce nas nossas veias,
e grita, e chora,
sangrando fundo e fundo.
Nós temos veneno em nossos olhos.

Piscamos para encontrar negros
e contorcidos fantasmas do passado.
Assistimos nossas palavras morrer
pois nada pode durar,

e nossos pensamentos estão caindo
nas ruas azuis da cidade,
apodrecendo enquanto
cada coração partido bate

para os tambores martelados
nas nossas mentes retorcidas,
de guerras escarlates-cicatrizadas
e a paz que não encontramos

depois de tempestades furiosas
e tempos turbulentos,
o silêncio chama nos muros
gritando vingança por crimes

na dor ecoante
de nossa dor coletiva,
presa na mancha
louca azul da cidade

- Ariveria

http://allpoetry.com/poem/11856389-Blue-Stain-by-Ariveria

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Perseguição dos reacionários

ESTOU COM VOCÊS, MEUS AMIGOS por Cláudia Castello O julgamento do habeas corpus dos meus amigos é hoje. A Sininho, pelo que fiquei sabendo de um amigo, está passando por momentos de stress que muitos nunca chegaram nem perto de passar. Ela e a Moa, que eu também conheço, estão foragidas por uma palhaçada do juiz Flávio Itabaiana, que é um dos maiores reacionários do Brasil, tipo Lobão, Reinaldo Azevedo, Danilo Gentilli, Boris Casoy, Olavo de Carvalho, essa gente podre que não tem simpatia nenhuma pelo ser humano.
Esse juizinho deu voz de prisão pra Sininho, Moa e Igor, sendo que Igor está no presídio de Bangu há 2 meses. Ele é ativista do Movimento Estudantil (MEPR). Tudo isso porque supostamente desrespeitaram o habeas corpus que foi concedido a eles anteriormente, em um processo inventado, que os condena sem provas. O desrespeito que o juizinho alega é referente a participação em um suposto protesto na Cinelândia que era, na verdade, um evento artístico-cultural relembrando a manifestação dos professores no ano anterior, onde vários educadores foram atacados pela policia. Naquele dia eu também levei umas fortes cacetadas por filmar a violência da polícia.
Esse evento de 2014 foi totalmente pacífico e não ofereceu risco algum. Já a dos professores de setembro de 2013, só teve violência porque um P2 (policial militar infiltrado) jogou uma pedra no vidro de uma loja na Cinelândia, o que justificou, na cabeça da PM, a ação violenta. Eu vi com meus próprios olhos! Vi quando o P2 atirou a pedra e correu, mas a polícia o deixou fujir. Ele não era um manifestante. É assim que o Estado age.
Foi assim também em frente ao Palácio Guanabara, em julho de 2013, quando os próprios P2 jogaram 3 coquetéis molotov nos jornalistas e na polícia. Eu estava em frente ao fogo, quando um dos coquetéis atingiu um policial que estava fazendo parte da barreira que impedia que a manifestação chegasse ao Palácio. Estava a cerca de 5 metros do fogo, do lado de um grupo de Black Blocks quando os coquetéis foram arremessados. Nenhum foi lançado pelos Black Blocs que estavam ali. Eu estava bem no meio deles, fazendo uma entrevista naquele momento. A farsa ficou ainda mais evidente quando filmagens de moradores foram disponibilizadas na internet e a sequencia dos fatos ficou comprovada. Mas a mídia corporativista, cúmplice e criminosa não mostrou isso.
Por ter filmado praticamente todos os protestos desde junho de 2013. Ficou muito fácil identificar algumas peças do tabuleiro e os P2 eram muito fáceis de ser identificados [1].
Por tudo isso, não paro de pensar neles, os 23 ativistas perseguidos políticos. Penso em cada um deles, mas principalmente na Elisa (Sininho). Todos os dias. Não por outro motivo, senão por proximidade e afinidade. Somos profissionais de cinema. Ela produtora, destemida, carismática, ativa. Eu, editora, mais no meu canto, observativa, ativa só no depois, na maneira em que editava os vídeos que filmava.
Mas as duas com o mesmo amor pelo aqui-e-agora do jeito que ele é. Questionando o que não faz sentido. Dando espaço para um real sentido, que alguns chamam de moral, que vem de dentro e do resultado de experiências próprias e/ou compartilhadas, sem pré-conceitos culturais.
Ela foi, dos 23, a pessoa com quem mais tive contato e amizade, por isso sinto demais a injustiça pela qual está passando. Sinto na pele porque sou igual. Sou ela. Sou eles, os 23. Vi a Sininho nas ruas mais de 100 vezes. Mesmo não conversando 100 vezes (sem extrapolar, nos vimos muitas vezes mesmo), sinto que a conheço bem, considerando as vezes que conversamos, interagimos e colaboramos. Me desculpem os críticos opositores mais ferrenhos, mas a terra do nunca não existe e a galera medíocre, que não sabe porque se enfiou nesse meio de manifestações políticas populares e joga merda no ventilador, está mais do que na hora de se posicionar de forma responsável.
As acusações contra a Elisa são de um doente mental apaixonado por ela e de uma ex-namorada do então namorado dela, na época em que as acusações vieram à tona. A Veja foi quem desencadeou toda a ficção e O Globo continuou com uma matéria de capa escandalosa. Daí pra frente foi só ficção atrás de ficção, ladeira abaixo para os ativistas.
São 7 mil paginas de um processo sem fundamento, sem provas. Uma história ridícula de dar vergonha do sistema criminal e da DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de informática). A Sininho não é nada idiota ou burra e vem de família de militantes políticos, tem isso na veia. Tem ideias próprias e é idealista, romântica, por tudo que vi. Muita merda que a Veja e a Globo inventaram, e que o resto da mídia seguiu por oportunismo comercial, de uma maneira covarde e inescrupulosa, está tentando transformar esses jovens cheios de ideias nobres em monstros para a população.
Nada diferente da época da ditadura. Na verdade, a única diferença é que ainda não colocaram os ativistas no pau de arara. Mas esse juiz Flávio Itabaiana, carrasco do Estado, está pronto para condena-los a anos de prisão. Uma afronta direta e perigosíssima ao direito da livre manifestação e liberdade de expressão.
Um exemplo de controle absurdo do estado é o que aconteceu agora com 230 ativistas no Egito, condenados à prisão perpétua por expressarem o que pensam!
Quando a população se abstrai de tais decisões políticas, por ignorância ou comodismo, acontece o que aconteceu na Alemanha durante o nazismo de Hitler. Quando a sociedade resolveu pensar ou agir de alguma forma, já era tarde.
Amanhã vou estar mal, porque tenho um mal pressentimento de que esse espírito-carcereiro desse Itabaiana vai conseguir sacanear os ativistas. A bancada dos juízes que votam é formada por reacionários também. Apenas o Siro Darlan salva, mas sempre é preciso pelo menos 2 votos de 3, pra definir o que está sendo julgado. O Itabaiana tem reputação de não ter absolvido nenhum caso em toda sua carreira, um verdadeiro carrasco.
Hora de tentar dormir. Precisava desse desabafo. Amanhã é um dia muito importante, que a grande mídia não vai traduzir como de fato é. Espero que meus amigos de visões políticas diversas possam pelo menos pensar no que escrevi hoje.
Muita energia positiva para Igor, Moa, Elisa e todos os perseguidos políticos! [1] https://www.youtube.com/watch?v=6p63miupDx8

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Lapa Presente

Neste sábado, 7 de fevereiro, celebrávamos um aniversário em um bar da Lapa quando policiais da operação Lapa Presente decidiram revistar dois garotos, na calçada próxima. Tendo em vista o histórico da PM carioca, decidi filmar a ação para garantir a segurança dos garotos.

Neste momento o Cabo Freitas, que comandava a operação, decidiu mostrar toda a sua autoridade e mandou eu ficasse de cara contra a parede. Eu perguntei se era suspeito de algo para ser tratado daquele jeito. Outro policial disse apenas que se a imagem que eu fazia com a minha câmera vazasse, eles poderiam saber quem a gerou.

Jogar contra a parede quem filma, especialmente quem trabalha com isso como eu, vai contra as nossas liberdades democráticas duramente conquistadas.

Como o policial não encontrou nada comigo, decidiu atingir a mulher que estava comigo. Pediram não só a identidade como quiseram revistar sua bolsa. Óbvio que ninguém deve entregar a bolsa a uma pessoa dessas, visto que existem muitos relatos de que eles carregam o "kit-flagrante", normalmente um pouco de droga.

Dissemos que abriríamos a bolsa e mostraríamos o que estava dentro, mas sem entregar nas mãos do policial. Este repetiu com voz mais autoritária que queria a bolsa, aumentando a tensão, até que ele disse que estava ordenando. Foi quando o policial puxou a mulher pelo braço, o que deixou os presentes muito indignados.

A tensão foi aumentando até que o Cabo Fritas decidiu que havia sido ofendido pelas filmagens e pelas pessoas que eram jogadas contra a parede e tinham seus pertences revirados.

Eu fui detido apenas para averiguação, como na época da ditadura. Infelizmente, minha companheira irá responder por desacato. Apesar de estarem filmando, os policiais não tinham nenhuma prova da infração.

A Operação Lapa presente tem constrangido centenas de frequentadores do bairro boêmio. Os abusos de autoridade são frequentes. Policiais mostram seu total desprepara para lidar com a população. Querem apenas exercer sua autoridade. Deve ser baixa auto-estima ou coisa pior. Somos, cada vez mais, reféns de um Estado Policial que trata o cidadão como inimigo.

Eu também quero o fim da Polícia Militar!




- Queria agradecer à Dr. Natasha Zadorosny por sair de casa no meio da noite e ir à delegacia nos atender.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Preto no Branco

PRETO NO BRANCO

Não é a primeira vez que Sívia Pilz irrita leitores ao expelir preconceito e raiva sem nem mesmo perceber.
Para demonstrar como essa senhora é uma aberração, vamos analisar um texto seu, "Preto no Branco".
(http://oglobo.globo.com/blogs/silvia-pilz/posts/2014/07/15/preto-no-branco-542612.asp)

"Eu quero voltar pro mundo onde anões eram chamados de anões e não de pessoas verticalmente prejudicadas. De cara, um anão assusta, assim como, de cara, crianças com Síndrome de Down também nos causam certo desconforto."

Quem usa o termo "pessoas verticalmente prejudicadas"? Nunca ouvi, mas acho que foi uma piada. Ih... foi uma piada! Super-preconceituosa, pra começar. Alguém pode até se assustar ao ver um anão, mas isso indica uma aversão ao incomum, mas conhecido como "intolerância". Tão absorvida pelo seu modelo de pessoa, a Sílvia esqueceu que antes de ser anão ou ter Síndrome de Down, as pessoas sentem da mesma forma, têm sonhos, têm pessoas queridas, alegrias, comem, bebem e se divertem. Tantas coisas em comum, mas o cérebro da Sílvia se concentra no diferente.

"Disfarçar o estranhamento é mais vergonhoso que demonstrá-lo. É covardia. Crianças não disfarçam. Perguntam, tentam entender e optam por se aproximar ou não. É tão, mas tão hipócrita essa regra de tratar o diferente com naturalidade que chega a ser uma forma de desprezo invertido."

Por que alguém disfarçaria o estranhamento? Por respeito e pra não deixar o outro desconfortável, talvez. A maioria de nós se importa com o que o outro sente. Talvez a Sílvia desconheça a empatia.

Pra piorar, o argumento de que deveríamos fazer como as crianças é simplesmente ridículo. Crianças são maravilhosas para aprender, trazem alegria, são fofas às vezes, mas podem ser extremamente cruéis e erram com frequência. Hipocrisia é agir como uma criança e usar isso como se fosse algo nobre.

"Eu quero voltar pro mundo onde negros eram chamados de negros, já que chamá-los de afrodescendentes não mudou em nada o preconceito que eles sofrem, sofreram ou sofrerão. Todo mundo quer ser branco e ter olhos claros. Negras alisam cabelos, pais e mães, quando resolvem adotar bebês, vão pro Sul do país. Se bem que os mini-afrodescentes estão em alta. Simbolizam o "eu não tenho preconceito", porque o que acontece em Hollywood, depois de um tempinho, acontece aqui. Parece uma espécie de campanha na qual quem adotar o mais feio garante seu lugar no céu."

Vale lembrar que as palavras tem uma conotação forjada pela cultura. Assim, as palavras podem trazem consigo uma forte carga de preconceito. Ao mesmo tempo, uma senhora branca como a Sílvia nunca sentiu na pele como é ser negra no Brasil, não foi perseguida pelo segurança do shopping, não foi destratada pela polícia, nem deixou de ganhar um emprego pelo racismo de quem poderia contrata-la. Portanto, Sílvia nunca entenderá. Mesmo que tivesse empatia, ela não entenderia a força de palavras preconceituosas.

Por falar em palavras, quem usa "afrodescendente"? Professor de história, talvez. Tenho usado a palavra "negro" quase sempre para discutir preconceito. Se você está reduzindo outras pessoas à cor de sua pele, não se engane, você é preconceituoso.

O ápice do preconceito, entretanto, foi quando ela disse que todos querem ser brancos. Existe muita pressão cultural para parecermos com a Barbie e o Ken, mas isso não demostra a saúde da sociedade e sim sua doença, seus fetiches inventados.

Além disso, nem todos perseguem um padrão de beleza europeu. Estude a história do Movimento Negro, Sílvia, que você verá que muitos acham que black is beutiful!

Ainda neste mesmo parágrafo, Sílvia associou o "negro" a "feio". Feia é você! Por ser preconceituosa e ignorante.

"O colono sofre desse mal. Ele quer ser parecido com quem o colonizou. Deve ser instintivo, primitivo. Como diria um dos meus melhores amigos, se Michael Jackson acordasse no enterro dele, teria uma síncope ao ver tantos pretos ao seu redor. Melhor exemplo de preto que detestava ser preto não há."

Respire fundo! Agora ela confundiu as palavras "colono" com "colonizado". Não esperava muito de alguém que escreve para O Globo, mas entender o sentido das palavras é básico para colunistas. Curso de redação para a Sílvia, já!

Ela completa mencionando Michael Jackson. Não sei se ele odiava ser negro, mas o importante aí é perceber o uso de uma falácia lógica: viés de confirmação. Nesta falácia, usa-se exemplos que confirmem a teoria e ignora-se os contrários. Ela usou o exemplo do Michael que, supostamente, odiava se negro e esqueceu de mencionar as pessoas que amam ser negras.

Na foto, Tommie Smith depois de derrubar a barreira dos 20 segundos nos 200 metros rasos nos Jogos Olímpicos de 1968, ergueu o punho fechado, uma saudação do Black Power.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Agitadores, não passarão!

AGITADORES, NÃO PASSARÃO!

O poder estabelecido no Palácio Guanabara e do Planalto foram sempre hostis às manifestações que eclodiram a partir de Junho de 2013. Para sufocar a tentativa do povo de tomar o poder, os governantes usaram das táticas mais indecentes. Esperar o quê de comandos de batalhões nazifascistas como os da PMERJ?

As táticas de repressão incluíam os famigerados Policiais Infiltrados (P2 ou Papa 2). Esses policiais são vistos em vários momentos nas manifestações, seja quebrando vidros [1], ou atirando coquetéis molotov [2]. Na visita do Papa, por exemplo, haviam dezenas destes policiais infiltrados [3].

Os objetivos principais de infiltrar agentes da Polícia Militar entre os manifestantes são: adquirir informações, ações localizadas e, principalmente, criar justificativas para ações violentas de repressão, quebrando um vidro de banco, por exemplo. Outro efeito indireto dessa tática é a ruptura interna, pois os manifestantes passam a não confiar em desconhecidos nas ruas, gerando uma paranoia e tolhendo o apoio mútuo.

Além disso, as forças de repressão usaram táticas mais elaboradas para conseguir informações - os policiais infiltrados nos grupos. Também chamados de P2, esses policiais se distinguem dos anteriores por não participar apenas das manifestações, mas também por se infiltrar em assembleias, reuniões e até mesmo nas rodinhas de bar. A forma de atuação desses infiltrados envolvia buscar confiança e amizade dos manifestantes, às vezes pagando bebidas e fazendo outros pequenos favores. Fica o alerta: quando a esmola é muita, desconfie.

Outro tipo de delator é o que se envolveu de alguma forma com os manifestante mas, por desentendimentos pessoais, decidiu se vingar fazendo acusações absurdas e criando inverdades. Este é o caso de Clayton, Felipe Bráz e Anne Josephine, os delatores do processo contra os 23 manifestantes presos na Copa do Mundo [4]. Estes delatores são os mais perigosos pois suas mentiras são tratadas como se fossem confissões de um ex-manifestante, que saiu por discordar dos rumos que os radicais tomaram. Na verdade, são quase sempre expulsos, mas insistem na mentira e dizem ter saído por divergências ideológicas.

Depois de muito sofrer com esses traíras, os manifestantes ganharam muita experiência em identificar pessoas assim e está cada vez mais difícil para os inimigos do povo agir com esse tipo de malícia.

Neste sentido, os grupos organizados deveriam estar trabalhando muito bem, depois de tamanha experiência adquirida. Entretanto, existe um último tipo de pessoa que continua a minar os grupos e a criar discórdia e desconfiança: o agitador.

O agitador é, em geral, uma pessoa com muita energia para os trabalhos, mas que tem uma lupa que enxerga bem os pequenos erros e falhas dos outros companheiros. Note que este tipo normalmente se apoia em suas colaborações e gasta muito tempo para convencer a todos que seu trabalho é essencial. Por outro lado, ele cobra dos companheiros um posicionamento ideológico e comportamento prático parecido ou idêntico ao seu. Quando alguém discorda dele, esta pessoa se torna inimiga pessoal. O agitador irá usar de xingamentos, ameaças, acusações, mentiras, meias-verdades e outras armas para se vingar dos seus inimigos.

Outra característica do agitador é o perfil mandão, agressivo e paranoico: quem não está comigo é contra mim. É natural que este parasita queira aliciar outros membros nos grupos e trazê-los para o seu lado. Os que concordam com ele em determinados assuntos são intimados a tomar as suas dores. Os que não fazem como ele manda, sentirão a sua ira.

Diferente dos policiais infiltrados, o agitador tem ideologia parecida com a dos manifestantes. Ele diz pensar assim para ganhar a confiança dos outros companheiros. Entretanto, essa aparente concordância tem algumas limitações. Em seus comentários peçonhentos e raivosos, você sempre encontrará resquícios de machismo, homofobia e moralismo.

Assim, os espaços que deveriam ser de construção coletiva, para conscientização e ação política, tornam-se panelinhas. Viram um espaço cênico de espetáculo social, onde a estética fala mais alto que a ética.

Os resultados práticos desse tipo de parasitismo são a ruptura interna e o diminuição do apoio mútuo, muito parecido ao efeito dos P2.

O desafio atual do movimento político que se organizou a partir de Junho de 2013 é identificar os agitadores e se proteger de seus venenos. Os agitadores normalmente têm um histórico de vacilações que geraram a discórdia em grupos, não sendo difícil, portanto, o seu reconhecimento. Quando alguém estiver desarticulando o seu grupo, pegunte aos companheiros mais antigos se essa pessoa já não provocou o mesmo em grupos anteriores.

Concluindo, a proteção contra esse tipo de gente é aprofundarmos a colaboração e confiança entre os companheiros mais comprometidos com a luta social e menos preocupados com seus traumas internos.

Agitadores, não passarão!

[1] http://youtu.be/RsLM9AcJHXk?t=43s
[2] https://www.youtube.com/watch?v=OC_rns9bSG0
[3] https://www.youtube.com/watch?v=6p63miupDx8
[4] - Clayton: rapaz vulnerável, com visíveis problemas mentais, confessou ser apaixonado por Sininho e se arrepender das acusações;
- Felipe Bráz: foi expulso do movimento por atitudes machistas. Em entrevista para O Dia ( http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-24/ex-lider-da-fip-e-a-principal-testemunha-em-inquerito-contra-ativistas.html), chamou o Desembargador Siro Darlan de "viado" e mostrou estar muito feliz com a prisão da Sininho. Além disso, responde à pergunta da jornalista com "Pô, você deve ser muito gatinha, mas por que eu falaria isso pra você?".
- Anne Josephine: companheira de um ex-namorado da Elisa Quadros (Sininho), que se sentiu traída com a relação destes dois.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SLAVOJ ZIZEK NO COMÍCIO DO SYRIZA

SLAVOJ ZIZEK NO COMÍCIO DA SYRIZA

O sul da Europa tem enfrentado grandes desafios desde a crise de 2008. Quando a bolha econômica estourou nos EUA, uma onda abalou as dívidas públicas e os bancos europeus. Como acontece em todas as crises do Capitalismo, os Estados europeus trabalharam duro para garantir que os 1% mais ricos não fossem prejudicados, o que resultou na política de austeridade.

Como resposta a essa política que levou a um desemprego recorde, a esquerda se uniu em torno de novos projetos como o Podemos espanhol, com 5 deputados no Parlamento Europeu, e a Syriza grega, que venceu as eleições gerais neste domingo, prometendo acabar com a política de austeridades.

Em terras tupiniquins, os reflexos da crise demoraram pra chegar. A política de aumentar o consumo de produtos nacionais, como carne bovina e carros, aliada ao crescimento econômico impulsionado pelo Pré-sal, fez com que o Brasil não sentisse de toda a profundidade da crise.

Em 2015, no entanto, a presidenta Dilma colocou um ministro-banqueiro para gerir as contas brasileiras, implantando o plano levyano de austeridades. Já perdemos direitos trabalhistas [1] no primeiro mês dessa política e o aumento dos juros irá consumir até R$ 10 bilhões dos cofres públicos [2]. Ou seja, a política de austeridades chegou ao Brasil e pretende garantir os lucros dos banqueiros e empresários.

QUAL SERÁ A RESPOSTA DA ESQUERDA BRASILEIRA?

Poderíamos dividir a esquerda brasileira em três grupos que disputam o espaço criado desde Junho de 2013. Parte está envolvida com o projeto político do PSol [3] e outros partidos de esquerda. Outros acreditam que apenas as ruas poderão responder aos anseios do povo. Um terceiro grupo pretende ainda traduzir a fórmula criada pelo Podemos na Espanha.

Qual desses grupos irá conquistar o espaço vazio na esquerda política do Brasil? As cenas dos próximos capítulos prometem.

A quadrilha do Levy tem um amplo espaço de tempo para assaltar o povo Brasileiro e é imprescindível que nos organizemos para evitar que levem tudo. Escolha um espaço de atuação e ajude a se salvar, antes que seja tarde demais. Precisamos de você!

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi

[1] http://www.cartacapital.com.br/revista/833/punhalada-fiscal-5133.html
[2] http://tribunadainternet.com.br/com-a-alta-da-selic-governo-pagara-mais-10-bilhoes-em-juros/
[3] http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-10-22/psol-elege-cinco-deputados-federais-e-mira-papel-de-oposicao-deixado-pelo-pt.html