sexta-feira, 29 de maio de 2015

FIFA CORRUPTION IN BRAZIL TURNS INTO LACK OF DEMOCRACY

FIFA CORRUPTION IN BRAZIL TURNED INTO LACK OF DEMOCRACY


Yesterday (28/05/2015), families were evicted from their homes in the Favela Metro Mangueira in Rio de Janeiro, on the vicinity to Maracanã Stadium, site of the 2014 World Cup final. This is part of a much bigger problem, considering the expelling of poor families, from favelas close to the FIFA World Cup (WC) sites, affected more then 200,000 people [1].



Many Brazilians tried to denounce the FIFA bribery previous to the World Cup, but the corruption also affected the police and the judicial system. Thus, the only people prosecuted in Brazil because of the WC were the protesters, who went to the streets saying that the event would be a bribery fiasco [2].

Igor Mendes, a Geography student of the State University of Rio de Janeiro (UERJ), was arrested last year for participating in a cultural event which denounced the crimes committed during the WC and attacks against teachers by the Riot Police. There are also two women being hunted by police in the same case. In total, 23 people have been accused of planning violent protests during the WC. Thus, the crime only happened in those students minds, if it happened at all.

Yesterday, once again the students went to help people evicted from their homes, but the Military Police violently expelled them back to the University. The students run back, but were surprised with attacks by the University Security, who did not want them to find shelter inside the University.

These events remind us that, just in 1989, Brazil could write a democratic constitution, after 20 years of military dictatorship. Now, we are facing the same problems from those times: prison of protesters and universities invaded by the police.


Together with the corrupted police, the Brazilian media, specially Globo channel, was reporting the events as the students wanted to break the University building for no reason. The channel hide, however, that the austerity plans for Rio de Janeiro State included cuttings in the University budget. The austerity plans turned into stop paying the janitors who went into strike. However, the response by the University was that the students should help with cleaning [3].

There is an explanation for the attempt by Brazilian to manufacture a consent on supposed benefits from the FIFA WC. The media avoids covering the problems because they were the biggest beneficiaries of the event, with advertisement contracts of many billions of dollars. For instance, just Globo made around $1.5 billion [4].

During the FIFA event in Brazil, the Globo News channel was trying to convince the public about the WC legacy [5]. All things considered, now we realize the WC left us with more corruption, police violence and political prosecution.

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By Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Photo by Marcela Tagliaferri
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- Video about the Favela Metro Mangueira eviction in 2014, before the World Cup:
https://www.youtube.com/watch?v=-vgP9DJvWcM


[1] http://www.washingtonpost.com/news/volokh-conspiracy/wp/2014/06/18/brazil-forcibly-displaced-thousands-of-people-to-make-way-for-the-world-cup/
[2] http://www.theguardian.com/world/2014/jun/14/brazil-protests-crackdown-arrests-online-media
[3] http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/05/13/com-funcionarios-em-greve-alunos-e-professores-limpam-salas-na-uerj.htm
[4] http://www.franciscocastro.com.br/blog/?p=11490
[5] http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2012/12/maior-legado-de-copa-e-olimpiadas-e-cultural-afirma-especialista.html

quarta-feira, 20 de maio de 2015

DENTRE TODAS AS POSSIBILIDADES, UMA FACADA

Estou já há 3 semanas fora do Brasil e as notícias que tenho da terrinha são quase sempre terríveis. Fiquei especialmente chocado com o homem esfaqueado e morto. Seu corpo ficou ali, para quem quisesse ver. Uma morte por motivo aparentemente tão fútil. Pra piorar, os criminosos são sempre os mesmos. Quando reclamamos, vem algum chato defender o assassino.

"Ele tem família pra criar.", dizem. Fico me perguntado: e a família da vítima? A sociedade atônita não sabe o que fazer para conter esta verdadeira guerra. Quem sabe uma lei diferente colocaria estes assassinos atrás das grades para mofar.

A mãe do homem morto chorou por quase um dia inteiro em frente ao corpo do filho esfaqueado. Neste caso específico, um policial do BOPE matou o mototaxista Rodrigo Marques Lourenço, de 29 anos, que deixou um filho. Entretanto, casos como estes são muito comuns. Note que a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) mata duas pessoas por dia (números oficiais [1]). Rodrigo não entrou nesta estatística, pois o policial não assumiu o crime.

Após o enterro, que ocorreu no dia 16 de maio, mais de 100 mototaxistas foram até o Palácio Guanabara, para pedira justiça. Lá, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio frente aos coletes que os colegas usavam pra trabalhar.

Mais uma vez, a morte da população trabalhadora do morro não chocou a sociedade. Imagino que não se identificaram com o mototaxista. Foram se identificar apenas com o ciclista da Lagoa, que era médico. No sub-consciente da classe média carioca, a vida do médico vale muito mais do que a do mototaxista. Sem perceber, tomam o lado das elites.

A guerra de classes já foi declarada há muito tempo. De um lado, os ricos, com a mídia, o governo e a polícia. Do outro, a população pobre revoltada com tanta injustiça, senso morta diariamente pela polícia. No meio disso, uma classe média que acredita em uma suposta violência urbana. A mídia os faz crer que o problema são poderosos menores infratores e os que vendem drogas a varejo na favela.

Violência urbana é a guerra de classes, as facadas de São Carlos ou da Lagoa são resultados do mesmo conflito. Enquanto não entendermos isso, não decidiremos conscientemente de que lado estamos.


Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi

“Swann havia encarado todas as possibilidades. A realidade é, pois, alguma coisa que não tem nenhuma relação com as possibilidade, da mesma forma que uma facada que recebemos nada tem a ver com o leve movimento das nuvens acima da nossa cabeça.”
― Proust

[1] - http://www.isp.rj.gov.br/

terça-feira, 19 de maio de 2015

Muito além dos 23 presos políticos

Há muito tempo, defensores de causas sociais são perseguidos, criminalizados processados, e mortos. Há muito mais tempo, isso acontece com a classe mais pobre, que sempre foi e ainda é criminalizada e morta, por ser pobre. Quando digo muito tempo, é há muito tempo mesmo
A Operação Firewall, um investigação da Polícia Civil, que resultou em um processo contra 23 ativistas no Rio de Janeiro, dos quais alguns podem ser condenados, é um grande exemplo do quão sujo o Estado e seus aliados podem jogar com quem enfrenta suas redes de mortais injustiças.
Entretanto, esse caso não é novidade, pois o processo de criminalização de ativistas e movimentos sociais se encaixa de forma perfeita no contexto político, não apenas no momento atual, mas antigo e recorrente, com a tentativa de deslegitimar as lutas sociais.
Em todos os lugares do Brasil, pessoas são perseguidas por questionar e confrontar o que nos é apresentado como modelo político, questionamentos esses que não são poucos:
O sistema prisional e os agentes de segurança pública que, com aval do estado, formam grupos de extermínio e milícias, juntos à omissão do Estado diante do aniquilamento de tribos indígenas e camponeses, negação da explícita existência e ação de latifundiários, criminalização da pobreza, entre outros.
O caso dos 23 ativistas que estão sendo processados, se tornou notório porque a mídia corporativa quis. Ela pretendia acabar com o movimento formado no Rio de Janeiro que, apesar recente, é muito combativo na luta pra que o povo se levante contra a política de benefício dos interesses do poder econômico. Porém, infelizmente, esse não é o único caso. O número de presos políticos vai muito além de 23, e ainda há os mortos e os desaparecimentos forçados, que chamo de desaparecidos políticos da democracia.
Não há como falar em mortos e desaparecidos políticos da democracia sem lembrar de algumas execuções, e chacinas feitas e acobertadas pelo Estado: • Janeiro de 2009, Manoel Mattos foi assassinado. Manoel era defensor de Direitos Humanos, advogado e lutava denunciando grupos de extermínio na divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba.
• Em agosto de 2006, Izabel Borges foi acusada pela polícia do estado do Espírito Santo de chefiar uma organização criminosa que agiria no sistema prisional do Estado. Izabel era Coordenadora da Pastoral Carcerária do Espírito Santo e as denúncias contra ela se tornaram públicas através do noticiário da região e do Jornal Nacional da Rede Globo.
• Chacina da Candelária: na noite de 23 de julho de 1993, 8 jovens sem-teto foram assassinados por policiais militares.
• Chacina da Baixada: 31 de março de 2005, quando 28 pessoas foram mortas, aleatoriamente, pelas ruas da Baixada Fluminense, por Policiais Militares.
• Chacina de Vigário Geral: como ficou conhecido o episódio em que 21 moradores da favela de Vigário Geral foram executados por 50 homens integrantes de um grupo de extermínio, dentro de suas casas, que foram arrombadas na madrugada do dia 29 de agosto de 1993. Esse grupo de extermínio era formado por Policiais.
• Chacina de Acari: 11 pessoas, na maioria negros e moradores da Favela de Acari, foram sequestrados pelo grupo de extermínio Cavalos Voadores, em 26 de Julho de 1990. O grupo de extermínio Cavalos Voadores era formado por policiais e o Coronel reformado e ex-deputado estadual Emir Larangeira, foi acusado pelo Ministério Público de ser o chefe do bando.
Os corpos dos jovens até hoje não foram encontrados.
Essas pessoas são mortas e desaparecidas em nome da política de limpeza social. Os responsáveis pelas mortes, geralmente, são agentes do Estado, que depois se tornam parlamentares, como Emir Larangeira, que também teria planejado a morte de Edmeia, uma das mães dos desaparecidos de Acari, em seu gabinete na ALERJ. Na época, Edmeia estava empenhada na luta por justiça no caso do assassinato covarde de seus filhos.
Esses, e outros inúmeros casos, mostram a evidente omissão do Estado brasileiro diante de tais acontecimentos. O Estado tem suas mãos sujas de tais crimes, que vão muito além dos 23.
Qualquer pessoa que se levante para lutar contra esse Estado falsamente democrático, passará a viver em situação cruciante, de ameaças, criminalizações, perseguições, agressões, tendo até familiares atingindo. Devemos explanar TODOS os casos, que TODOS se tornem notórios.
No papel da criminalização não há exclusividade. Presos políticos no campo e na cidade, na favela e no asfalto, liberdade a todos, pois os números vão muito além dos 23. Texto: Buba Aguiar

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Cardiff - surpresas boas e ruins

Entrei na segunda semana, morando na capital do País de Gales.  Algumas surpresas boas e outras nem tão maneiras me arrebataram. A parte boa ou a ruim primeiro? Vou começar com a ruim.

O Brasil exporta muitas coisas para o mundo, desde Tropa de Elite, futebol, samba, mulheres objetificadas, passando por Michel Teló até chegar em drogas muito mais pesadas!
Por esses dias me deparei com um "centro de ajuda" de uma tal Universal Church of the Kingdom of God. Quando traduzi mentalmente, fiquei estarrecido: Igreja Universal do Reino de Deus. É isso mesmo, camarada. Estamos exportando a palavra do Senhor - do Senhor Edir Macedo.


Pra aumentar o clima de trevas aqui na cidade do Dragão Vermelho, próximo ao castelo de Cardiff, tem muitos bichos de pedra, com olhos assustadores.



O Zé Colmeia acima nem é tão assustador. Ele até que ficou bonitinho com estes olhos que se encontram no infinito.

Mudando um pouco de assunto, estou ficando em um Bed & Breakfast que fica em um dos bairros mais pobres do centro: Splott. Neste bairro, moram muitos estrangeiros (árabes de muitos países, indianos, europeus do leste, etc.) e populações empobrecidas locais.

Foi engraçado vir morar no gueto de Cardiff e ouvir as várias histórias do que me pode acontecer aqui. Garanto que este lugar é mais seguro que qualquer rua do Leblon. Foi triste constatar que os britânicos, aparentemente, também têm medo de pobre. 


Aqui no gueto, também tem surpresas interessantes. Além do belo graffiti acima, vi colada uma bandeira antifascista, mas em alemão. Estranho, não? O que um antifascista alemão estaria fazendo aqui? Será que ele precisa de ajuda?


Antes de falar da cereja-do-bolo, vale lembrar que os pubs aqui são incríveis. Há uma variedade muito grande de cervejas em todos os lugares que fui. As cervejas do tipo ale, locais, são incríveis. Entretanto, as importadas também representam bem. Bebi, no domingo, uma cerveja incrível dos EUA. Só não comente com ninguém, por favor. 


Pra terminar, apresentarei as fotos mais incríveis destes dias. Contextualizando: pra não ficar em forma roliça de tanto beber cerveja, decidi fazer corridas de uma hora pela cidade. Escolhi um ponto próximo, chamado Roath, onde tem um parque, lago e área desportiva. O lugar é extremamente bem cuidado, com campos para jogar rugby, o esporte nacional. Ideal para eu esticar minhas perninhas e queimar as calorias lupulosas.


Além dos gramados, os jardins são belíssimos. Encontrei este jardim de tulipas em frente ao lago e tive que parar a corrida pra registrar.


Mais à frente, encontrei esta fera, capaz de arrancar pedaços de quem se aproxima. Apesar de lindíssimos, os cisnes são animais perigosos, especialmente agora na época dos filhotes. 


No caminho de volta, me deparei com mais surpresas da primavera. Estas árvores floridas são incríveis!


Pra terminar, uma plantinha verdinha e simpática =D


Agora vou dormir, que tenho que trabalhar muito nesta semana.

domingo, 3 de maio de 2015

Spicy Saturday

O que fazer no sábado, em um lugar novo, onde você não conhece ninguém?

Eu decidi explorar a cidade. Fui primeiro aos lugares onde eu penso em alugar um apartamento.
Saí por volta do meio-dia, já com fome e fui em busca de um bom restaurante. Peguei meu norte pela City Road e encontrei um restaurante chinês na Crwys Road. Pedi o especial da casa que consiste em macarrão com frango, camarão e legumes. O garçom perguntou quanta pimenta eu queria, ao que respondi "spicy".

Quando comecei a comer o prato fiquei muito vermelho, chegando ao ponto de lacrimejar. Apesar de o prato estar delicioso, foi um desafio terminá-lo. Enxuguei as lágrimas e comi tudo com bravura!

Depois do almoço, continuei meu passeio pela Catheys Terrace, chegando a um jardim da Universidade, lindo e verde-claro, de começo da primavera.



Continuei pela Avenida Rei Eduard VII, onde me deparei com estas árvores incrivelmente floridas. 



A beleza do lugar era incrível. Foi quando eu pensava que a melhor parte já tinha passado, que a parte realmente bonita apareceu. Entrei o Jardim Alexandra, com tulipas e outras flores incríveis. Veja isso:






Depois de curtir muito a primavera galesa, fui em direção a outros bairros onde poderia morar, passando pelo Museu Nacional de Cardiff



Pelo Castelo de Cardiff. Decidi não entrar desta vez, já que a entrada custa £9 (R$40), pois tenho certeza que entrarei no castelo quando meus amigos me visitarem.


No caminho pra Riverside, passei pela Cowbridge, sobre o Rio Taff, onde as cores da primavera continuavam impressionantes.



Depois destas fotos, começou a chover muito e decidi entrar em um café. A pausa foi à toa, pois continuou a chover durante todo o dia.

Cheguei no Bad & Breakfast para jantar. Lá, encontrei um novo hóspede o Giacomo, um italiano que começou a trabalhar com croupier em um cassino da cidade. E eu que sempre pensei ter uma profissão interessante.

Na cozinha do B&B, ficamos eu, Giacomo e Rossi (a anfitriã) bebendo duas garrafas de vinho tinto. Fui dormir cedo, pois no domingo tinha um jogo de futebol com o pessoal do instituto.