Uma das coisas mais impressionantes dos últimos tempos foi a enxurrada de informações que vazaram pelo canal wikileaks. Mas isso eu vou deixar para um próximo post.
O que me deixou intrigado foi como algumas pessoas trataram o assunto, em especial a Lola em seu blog.
Vou colocar o assunto do wikileaks de forma simples, mas espero que não seja simplista:
- Terminar a guerra do Afeganistão, que já levou a vida de ~100.000 pessoas.
- Terminar a guerra no Iraque, ~ 200.000.
- Acabar com qualquer dúvida sobre a interferência nefasta dos EUA sobre as outras nações.
- Mostrar quem é quem no cenário internacional.
A wikileaks já é considerada um vazamento de informações maior do que o que todos os jornais do mundo juntos realizaram desde o começo da guerra do Afeganistão, em 2001.
Para a alegria do governo americano, houve uma denúncia de abuso sexual contra um de seus fundadores, Julian Assange, na Suécia - país onde Julian pediu asilo.Depois do ocorrido, o governo americano agiu rapidamente para fazer da fumaça, fogo. Ou simplesmente aumentar o tamanho da nuvem para tentar encobrir o que acontecia, ou desmerecer e difamar o fundador, gerando dúvida sobre o conteúdo divulgado.
Claro que a esquerda mundial, vendo a oportunidade de ouro de desbancar o Império se colocou do lado do Julian. Errado!
Muita gente dita progressista comprou o verde por maduro e os EUA conseguiram, pelo menos em parte, atingir o seu o seu objetivo.
A Lola com o argumento "Nem acho que eu deva ter opinião sobre tudo!" seguiu a cartilha da embaixada americana e comentou sobre o suposto crime sexual de Julian.
Olha como é bacana a lei que protege a mulher na Suécia: se se recusar o colocar camisinha é crime. Olha que bacana. Onde está o abaixo assinado que eu também quero assinar. Concordo com tudo o que a Lola escreveu sobre o assunto.
Mas a pergunta que fica é: isso é hora de discutir o crime sexual do Julian?
Acho que é tão importante quanto discutir o caso Ronaldo tendo relações com travestis e tão reacionário quanto discutir o crime de sequestro a poucos dias das eleições de 89.
Adoraria discutir a legislação brasileira, no que diz respeito a proteção da mulher, mas tenho que me recusar a fazê-lo na atual conjuntura. É simplesmente contraproducente cooperar com o governo dos EUA.
Sugiro que os blogueiros ditos progressistas se informem um pouco mais antes de começar a discutir um assunto, porque mesmo escrevendo as mais lúcidas verdades podem estar fazendo um desserviço.
E me coloco a disposição para discutir, divulgar e protestar por toda mudança na lei ou na atitude das pessoas que possa significar uma conquista de direitos para as mulheres. Portanto que não envolva Julian Assange.