segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Blogueira progressista coopera com o governo americano. Imperícia ou imprudência?


Uma das coisas mais impressionantes dos últimos tempos foi a enxurrada de informações que vazaram pelo canal wikileaks. Mas isso eu vou deixar para um próximo post.
O que me deixou intrigado foi como algumas pessoas trataram o assunto, em especial a Lola em seu blog.
Vou colocar o assunto do wikileaks de forma simples, mas espero que não seja simplista:

O que pode acontecer depois deste incrível vazamento?
- Terminar a guerra do Afeganistão, que já levou a vida de ~100.000 pessoas.
- Terminar a guerra no Iraque, ~ 200.000.
- Acabar com qualquer dúvida sobre a interferência nefasta dos EUA sobre as outras nações.
- Mostrar quem é quem no cenário internacional.
A wikileaks já é considerada um vazamento de informações maior do que o que todos os jornais do mundo juntos realizaram desde o começo da guerra do Afeganistão, em 2001.


Para a alegria do governo americano, houve uma denúncia de abuso sexual contra um de seus fundadores, Julian Assange, na Suécia - país onde Julian pediu asilo.
Depois do ocorrido, o governo americano agiu rapidamente para fazer da fumaça, fogo. Ou simplesmente aumentar o tamanho da nuvem para tentar encobrir o que acontecia, ou desmerecer e difamar o fundador, gerando dúvida sobre o conteúdo divulgado.

Claro que a esquerda mundial, vendo a oportunidade de ouro de desbancar o Império se colocou do lado do Julian. Errado!
Muita gente dita progressista comprou o verde por maduro e os EUA conseguiram, pelo menos em parte, atingir o seu o seu objetivo.
A Lola com o argumento "Nem acho que eu deva ter opinião sobre tudo!" seguiu a cartilha da embaixada americana e comentou sobre o suposto crime sexual de Julian.
Olha como é bacana a lei que protege a mulher na Suécia: se se recusar o colocar camisinha é crime. Olha que bacana. Onde está o abaixo assinado que eu também quero assinar. Concordo com tudo o que a Lola escreveu sobre o assunto.
Mas a pergunta que fica é: isso é hora de discutir o crime sexual do Julian?
Acho que é tão importante quanto discutir o caso Ronaldo tendo relações com travestis e tão reacionário quanto discutir o crime de sequestro a poucos dias das eleições de 89.
Adoraria discutir a legislação brasileira, no que diz respeito a proteção da mulher, mas tenho que me recusar a fazê-lo na atual conjuntura. É simplesmente contraproducente cooperar com o governo dos EUA.
Sugiro que os blogueiros ditos progressistas se informem um pouco mais antes de começar a discutir um assunto, porque mesmo escrevendo as mais lúcidas verdades podem estar fazendo um desserviço.
E me coloco a disposição para discutir, divulgar e protestar por toda mudança na lei ou na atitude das pessoas que possa significar uma conquista de direitos para as mulheres. Portanto que não envolva Julian Assange.

Um comentário:

lola aronovich disse...

Oi, Gustavo. EU sou a blogueira progressista cooperando com o governo americano?! Puxa, como eu sou importante!
Como eu disse no meu blog e no Twitter, Julian Assange é um preso político. Nisso não há dúvida. Eu apoio o Wikileaks e não quero Assange preso. E não há dúvida que Assange preso (e extraditado pros EUA, pra lá ser condenado por qualquer crime) é tudo que os EUA querem. Acontece que, na semana passada, houve uma avalanche de ataques às supostas vítimas sexuais dele, o que é tão comum, né? A vítima de um crime sexual é que é vilanizada, sempre. E disso eu não gostei nem um pouco. Claro que, se Assange não fosse um preso político, ele teria pago a fiança de 700 dólares e estaria respondendo às acusações em liberdade. Mas esse fato não desmerece as acusações. Acho que dá pra ser a favor da Wikileaks e da libertação do Assange sem precisar tripudiar em cima das vítimas, não dá? Sem ser machista? O Lula conseguiu, quando se pronunciou na semana passada.
Enfim, só estou repetindo TUDO aquilo que disse no meu post...