Não há nada melhor para novas idéias do que a arte. Fui ao teatro no sábado e voltei com idéias inquietantes. O que aconteceu não vem muito ao caso, mas o interessante eu vou contar:
Alya e Victor têm um romance epistolar - de correspondência. Victor cheio de amor e Alya apenas queria alguém que a fizesse sentir amada. As coisas vão ficando cada vez mais vicerais para ele o que a amedronta - era amor demais, chegava à loucura. Então Alya diz a vitor que as cartas não podem mais falar de amor.
Deste momento em diante, o texto reprimido, as frases sobre o cotidiano e as sensações que não amorosas transbordam de amor. É claro pra todos o que está acontecendo. O não falar de amor é o falar de amor mais intenso, gutural, dá frio na garganta e aperto no peito.
A técnica já havia sido explicada por Bertold Brecht, acho.
"É preciso buscar outras formas, não familiares, para mostrar o comum. Porque o processo de percepção deve ser prolongado. É a maneira de experimentar o artístico numa coisa vulgar."
Mas o executar, mostra que superou o seu predecessor. O espectador/leitor se perde dentro da loucura do texto e é tomado pelas mãos para fazer o que o autor (Victor Shklovsky) quiser.
Ele continua de uma forma tão melancólica e solitária e mostra que para alguns entendimentos é preciso viver. Viver o alegre e o triste, mas parece que das lágrimas brotam mais ... eu ia dizer flores, mas achei que ia ficar muito piegas, ai se não tivesse havido nenhuma literatura antes!
A forma melancólica é o interior de um exilado: "Um estrangeiro é aquele cujo amor está em outro lugar"
E o exilado percebe que a Ayla era uma desculpa para o que estava fazendo e o que ele precisava não era dela especificamente, mas sim voltar do exílio.
"Dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz." Vladimir Maiakovski