sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Operação em Acari 30/10

Neste momento a polícia está fazendo uma operação na Comunidade de Acari. Policiais do BOPE encapuzados e sem identificação espalham o terror entre os morados. São denúncias de insultos e revistas aleatórias, além de invasão e destruição de residências sem mandados.
Sugerimos que os moradores registrassem a operação, mas fomos advertidos que é comum que os policiais roubem os celulares quando verificam a tentativa de filmagem.

A violência da polícia é tamanha que chegaram a jogar um copo de café quente no rosto de um rapaz de 17 anos. Completaram a violência ameaçando: "Se abrir a boca para alguém, vai se foder!"

Desde às 5 da manhã, o caveirão aéreo sobrevoou a Comunidade, espalhando ainda mais medo da eminência de tiros de grosso calibre que atravessam as paredes das casas.

Moradores impotentes se reúnem na casa de parentes. O apoio mútuo é o único consolo neste momento de medo e tensão.

Como Acari é uma favela distante e não aparece no noticiário, os policiais sentem-se mais livres para abusar da população. "Aqui não é favela de zona sul. Ninguém aqui vai virar Amarildo, nem DG." Douglas Rafael da Silva Pereira (DG) era dançarino da Rede Globo e foi morto na madrugada de 22 de abril no Pavão-Pavãozinho.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA

PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA

-------------------------------------------------------------------
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
-------------------------------------------------------------------

Prisões

Dia 15 de outubro de 2013, eu e mais de 70 pessoas foram presas, outra centena levada para a delegacia. Naquela semana, teríamos a privatização de Libra, com valor estimado de até R$ 3 trilhões [1], equivalente a tudo o que o Brasil produz em um ano.

Com a Petrobras ocupada por manifestantes e o Sindipetro colaborando com a ocupação da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, governo estadual e judiciários sofreram uma enorme pressão para prender os manifestantes e, assim, garantir a privatização do campo de petróleo

Índios

A base do governo Dilma é composta da bancada ruralista (ou da bala), que recebe gordos investimentos do BNDES. A grilagem de terra tem ceifado a vida de muitos índios, que ficam no caminho do agronegócio. Para se ter uma ideia, no período FHC morriam em média 21 índios assassinados por ano. Dilma fez esse número aumentar em 150%.

Além disso, Belo Monte, que não trará a energia prometida, mas servirá apenas para encher os bolsos das empreiteiras e dos amigos de Sarney-Lobão, está destruindo a vida de inúmeros índios que vivem perto da usina.

Terra

Ao apoiar o agronegócio, Dilma também estancou qualquer possibilidade de realizar a reforma agrária. Hoje temos 120 mil famílias sem-terra acampadas, mas Dilma assenta apenas 30 mil por ano. No governo FHC, eram assentadas 45 mil famílias por ano, em média.

Copa

A Copa do Mundo foi um verdadeiro sucesso para as empreiteiras que patrocinaram as campanhas. Só no Maracanã, o preço da reforma foi de R$ 1,2 bilhões, R$800 milhões acima do valor inicial. Essa roubalheira foi financiada com o nosso dinheiro.

Além dos roubos, tivemos vários amigos sendo perseguidos, investigados, processados, ossos quebrados, presos, difamados, expostos e torturados. A Força de Segurança Nacional infiltrou um araponga no meio do movimento social.

Fuzil da guerrilheira

Também não votarei na Dilma por respeito às pessoas que estão sofrendo ou morrendo em decorrência da política do governo federal, como:

- Moradores da Maré, que sofrem com a ocupação militar;
- 217 mil presos que aguardam julgamento no Brasil;
- 15 pessoas que desapareceram por dia no Estado do Rio de Janeiro;
- 120 travestis mortos por ano no Brasil que é líder mundial da categoria;
- 1 milhão de mulheres que fazem aborto clandestino e 250 mil que são internadas no SUS por complicações decorrentes de tal procedimento;

Como escolher entre o menos pior neste caso?
Como votar em quem me ataca ferozmente?


[1] http://www.offshore-technology.com/projects/libra-oil-field-santos-basin/

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA

TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA

--------------------------------------------------------------------
Vídeo: Ellan Lustosa | Cinza Sem Filtro
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
--------------------------------------------------------------------

Nesta terça-feira 30 de setembro, tivemos o lançamento da

Campanha Unificada: Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.

O evento ocorreu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no campus Praia Vermelha.

Contamos com a presença especial de Marilene Silva, mãe de Caio Silva, uma das vítimas do julgamento prévio e tendencioso que colocou dois manifestantes na cadeia. O Estado e o monopólio da imprensa transformaram um acidente em homicido doloso (quando há a intenção de matar). Mesmo sabendo que o rojão-de-vara sem a vara não tem direção definida, o Judiciário decidiu punir os dois rapazes para que sirvam de exemplo, em uma tentativa covarde de amedrontar outros manifestantes.

Vale lembrar que quase 90% das agressões contra jornalistas são provocadas por policiais [1]. Além disso, o cinegrafista Santiago Andrade estava filmando sozinho naquele dia, sem um colega que o auxiliasse com a segurança, em uma área de risco. Pior ainda é o fato da Rede Bandeirantes não ter disponibilizado equipamento de segurança. Só a Bandeirantes já teve 2 cinegrafistas mortos nos últimos anos [2]. Este monopólio de imprensa, que ignora a segurança de seus funcionários, foi o grande responsável pela condenação antecipada dos jovens.

Outro fato importante é que Caio e Fábio se entregaram, com a esperança de aguardar o julgamento em liberdade. É tradição do Judiciário permitir que o réu se defenda em liberdade, neste caso. Entretanto, existem muitas evidências de que o Judiciário não está tratando este julgamento. Fica clara a vontade de transformar o caso em um exemplo, em uma tentativa covarde de intimidar outros manifestantes.

Além disso, Marilene relata que o filho está muito transtornado com a morte do cinegrafista. Sendo esta morte um peso maior do que a própria prisão.

Chamar a Penitenciária de Bangu de prisão é um eufemismo. A sociedade sabe que este lugar é uma câmara de tortura. Chamaremos de justiça quando dois jovens, acusados de participar de um acidente, são condenados a mais de 7 meses de tortura em Bangu?

Estes jovens, como muitos outros, foram às ruas para reclamar do preço das passagens. Uma luta que a sociedade apoiou. O Estado, no entanto, não aceita esse tipo rebeldia e condena quem protesta a penas desumanas. Note que a prisão para dar exemplo escancara o Estado de Exceção que vivemos.

A senhora Marilene nos lembrou ainda que nossos governantes são os mesmos que lutaram contra a ditadura, neste caso a dupla de facínoras corruptos PT+PMDB. A vida nos prega peças, das mais irônicas. Os que nos governam agora, são os mesmos que lutaram contra o regime autoritário iniciado em 64. Parece que a única lição que tiveram foi aprender a controlar e oprimir.

Seriam este Estado, a Polícia Militar e a imprensa mercantil compatíveis com a democracia?

Todos os fatos nos mostram que não, pois estes poderes criminalizam a política das ruas. Como protestar sabendo que a justiça tem ânsia em nos condenar?

Toda essa opressão um dia voltará contra os algozes. PM e PMDB deveriam ter aprendido com a ditadura que é muito difícil governar sem o povo. Não há governo que segure o povo unido.

Todo apoio a Caio e Fábio!


Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=gVfJ2GI-Bu4

[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
[2] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cinegrafista-da-band-morre-com-tiro-em-favela-do-rio,795294