O
projeto para a transformação da região portuária deverá consumir
investimentos em torno de R$ 8,2 bilhões, por parte da prefeitura
[1]. Isso se encaixa no modelo de "Cidade-Balneário"
pretendida pelos administradores atuais. Os principais beneficiários
desse modelo serão as tradicionais empreiteiras Odebrecht,
Carioca Christiani-Nielsen Engenharia e OAS Engenharia [2].
O
prefeito fez com que ficássemos muito mais tempo nos engarrafamentos
e multiplicou a nossa dívida em 3 vezes. Mas não parou por aí! Muito ambicioso na sua tarefa de dificultar a vida dos cariocas,
Eduardo Paes está realizando inúmeras remoções, que tiram as
pessoas de suas casas e as jogam, muitas vezes, na rua. Claro que os
afetados não foram os moradores dos bairros nobres, mas o pobres
ocupantes de casas próximas às obras do Porto.
Um caso
específico é a remoção dos moradores da ocupação dos galpões
da Av. Francisco Bicalho 49. Nos dois galpões, haviam 499 famílias
que foram desalojadas em duas fases. Na primeira fase, em dezembro de
2013, 200 famílias foram expulsas de suas casas. Como indenização,
o município ofereceu um cheque de R$1.200, mais a promessa da
inclusão no sistema de financiamento federal do Minha Casa, Minha
Vida. Ou seja, além de endividar o município em bilhões, ainda
precisou utilizar recursos federais (que também são do povo) para
concluir o plano de enriquecer os empresários.
No dia 27 de fevereiro, um
carro da Polícia Civil dispara tiros em direção ao galpão. O
recado está claro: se não saírem por bem, sairão na bala. Assim,
algumas pessoas já saem de suas casas e dormem na casa de parentes.
Quando voltam para seus lares no dia seguinte, 28 de fevereiro, são
impedidas de entrar e recolher seus pertences.
Dois casos
trágicos ilustram a nossa estória: uma jovem 18 anos, com 3 filhos,
é impedida de voltar ao lar, perdendo inclusive documentos. Estes
documentos são necessários para entrar no programa de habitação
do governo federal. Assim, com três filhos, a jovem fica sem lar,
sem documentos, sem móveis e sem a perspectiva de dias melhores.
Qual será o futuro dessas quatro pessoas? Morar na calçada?
Já
um senhor, que tinha 5 filhos e esposa, foi trabalhar no dia 28 de
fevereiro e, quando voltou, não tinha mais geladeira, televisão,
cama, nem lar. Tudo que conseguiu com seu trabalho árduo foi
destruído. Qual será o futuro destes sete cariocas? Poderão ficar na casa de parentes? Ou terão que dormir na calçada?
![]() |
| Guarda Municipal com cães é chamada para dissuadir os manifestantes a desocuparem a frente da Prefeitura. |
![]() |
| Funcionários da prefeitura oferecem cafezinho aos manifestantes, após acordo com a prefeitura ser fechado. |
No
dia 11 de março, muitas destas famílias, que foram agredidas e
usurpadas de seus bens pela prefeitura, fecharam uma das vias da Av.
Pres. Getúlio Vargas em frente à prefeitura. Cobravam uma solução
para o problema.
Saíram de lá com uma promessa: entrarão no
programa de habitação do governo federal. Ou seja, depois de
expulsar pessoas de seus lares, a prefeitura paga com a inscrição
em um programa federal. No final da noite do dia 11, após aceitarem
a proposta, a prefeitura ofereceu inclusive um cafezinho para as
pessoas que protestavam.
Cuidado: se o seu lar está nas áreas de investimentos dos empresários, você pode ser expulso! Mas não se preocupe, a prefeitura irá lhe dar um cadastro e um cafezinho.
------------------------------
Fotos de Katja Schilirò
[1]
-
http://portomaravilha.com.br/conteudo/canalInvestidor/prospecto-sem-marcas-de-revisao-4-termo-aditivo-8-1-14.pdf
[2]
- http://www.portonovosa.com/pt-br/estrutura-acionaria
[3]
- http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/3027604/DLFE-246831.pdf/RESCGM7.7.5._2.7..9..2.0.0.7.comanexo.pdf
[4]
-
http://mail.camara.rj.gov.br/APL/Legislativos/scpro1316.nsf/6a8bd790cdd0b0270325775900511db3/18aa339da55232ee03257bf600714cb7?OpenDocument


