PRETO NO BRANCO
Não é a primeira vez que Sívia Pilz irrita leitores ao expelir preconceito e raiva sem nem mesmo perceber.
Para demonstrar como essa senhora é uma aberração, vamos analisar um texto seu, "Preto no Branco".
(http://oglobo.globo.com/blogs/silvia-pilz/posts/2014/07/15/preto-no-branco-542612.asp)
"Eu quero voltar pro mundo onde anões eram chamados de anões e não de pessoas verticalmente prejudicadas. De cara, um anão assusta, assim como, de cara, crianças com Síndrome de Down também nos causam certo desconforto."
Quem usa o termo "pessoas verticalmente prejudicadas"? Nunca ouvi, mas acho que foi uma piada. Ih... foi uma piada! Super-preconceituosa, pra começar. Alguém pode até se assustar ao ver um anão, mas isso indica uma aversão ao incomum, mas conhecido como "intolerância". Tão absorvida pelo seu modelo de pessoa, a Sílvia esqueceu que antes de ser anão ou ter Síndrome de Down, as pessoas sentem da mesma forma, têm sonhos, têm pessoas queridas, alegrias, comem, bebem e se divertem. Tantas coisas em comum, mas o cérebro da Sílvia se concentra no diferente.
"Disfarçar o estranhamento é mais vergonhoso que demonstrá-lo. É covardia. Crianças não disfarçam. Perguntam, tentam entender e optam por se aproximar ou não. É tão, mas tão hipócrita essa regra de tratar o diferente com naturalidade que chega a ser uma forma de desprezo invertido."
Por que alguém disfarçaria o estranhamento? Por respeito e pra não deixar o outro desconfortável, talvez. A maioria de nós se importa com o que o outro sente. Talvez a Sílvia desconheça a empatia.
Pra piorar, o argumento de que deveríamos fazer como as crianças é simplesmente ridículo. Crianças são maravilhosas para aprender, trazem alegria, são fofas às vezes, mas podem ser extremamente cruéis e erram com frequência. Hipocrisia é agir como uma criança e usar isso como se fosse algo nobre.
"Eu quero voltar pro mundo onde negros eram chamados de negros, já que chamá-los de afrodescendentes não mudou em nada o preconceito que eles sofrem, sofreram ou sofrerão. Todo mundo quer ser branco e ter olhos claros. Negras alisam cabelos, pais e mães, quando resolvem adotar bebês, vão pro Sul do país. Se bem que os mini-afrodescentes estão em alta. Simbolizam o "eu não tenho preconceito", porque o que acontece em Hollywood, depois de um tempinho, acontece aqui. Parece uma espécie de campanha na qual quem adotar o mais feio garante seu lugar no céu."
Vale lembrar que as palavras tem uma conotação forjada pela cultura. Assim, as palavras podem trazem consigo uma forte carga de preconceito. Ao mesmo tempo, uma senhora branca como a Sílvia nunca sentiu na pele como é ser negra no Brasil, não foi perseguida pelo segurança do shopping, não foi destratada pela polícia, nem deixou de ganhar um emprego pelo racismo de quem poderia contrata-la. Portanto, Sílvia nunca entenderá. Mesmo que tivesse empatia, ela não entenderia a força de palavras preconceituosas.
Por falar em palavras, quem usa "afrodescendente"? Professor de história, talvez. Tenho usado a palavra "negro" quase sempre para discutir preconceito. Se você está reduzindo outras pessoas à cor de sua pele, não se engane, você é preconceituoso.
O ápice do preconceito, entretanto, foi quando ela disse que todos querem ser brancos. Existe muita pressão cultural para parecermos com a Barbie e o Ken, mas isso não demostra a saúde da sociedade e sim sua doença, seus fetiches inventados.
Além disso, nem todos perseguem um padrão de beleza europeu. Estude a história do Movimento Negro, Sílvia, que você verá que muitos acham que black is beutiful!
Ainda neste mesmo parágrafo, Sílvia associou o "negro" a "feio". Feia é você! Por ser preconceituosa e ignorante.
"O colono sofre desse mal. Ele quer ser parecido com quem o colonizou. Deve ser instintivo, primitivo. Como diria um dos meus melhores amigos, se Michael Jackson acordasse no enterro dele, teria uma síncope ao ver tantos pretos ao seu redor. Melhor exemplo de preto que detestava ser preto não há."
Respire fundo! Agora ela confundiu as palavras "colono" com "colonizado". Não esperava muito de alguém que escreve para O Globo, mas entender o sentido das palavras é básico para colunistas. Curso de redação para a Sílvia, já!
Ela completa mencionando Michael Jackson. Não sei se ele odiava ser negro, mas o importante aí é perceber o uso de uma falácia lógica: viés de confirmação. Nesta falácia, usa-se exemplos que confirmem a teoria e ignora-se os contrários. Ela usou o exemplo do Michael que, supostamente, odiava se negro e esqueceu de mencionar as pessoas que amam ser negras.
Na foto, Tommie Smith depois de derrubar a barreira dos 20 segundos nos 200 metros rasos nos Jogos Olímpicos de 1968, ergueu o punho fechado, uma saudação do Black Power.

Nenhum comentário:
Postar um comentário