Amanhã, quinta-feira, 20 de junho de 2013, haverá novamente protesto no Rio de Janeiro. A chamada é para sairmos da Candelária, em direção à Central do Brasil, terminando a passeata em frente à prefeitura.
Antes de partirmos para mais uma empreitada destas, vale a pena fazer algumas reflexões a respeito do cenário político e midiático. A Globo, que antes chamava os protestantes de "caricatura violenta" e "revoltosos de classe média"(Arnaldo Jabor fala sobre onda de protestos contra aumento nas tarifas de ônibus), no dia seguinte já se reconciliava com o movimento (A PM começou a batalha na Maria Antônia).
Além da sanha da mídia, temos a oposição esquecida e minguada que tenta se reerguer - o PSDB. Este partido, na voz do Alckmin, que no começo dizia que não se podia tolerar os vândalos baderneiros ("É intolerável a ação de baderneiros" diz Alckmin sobre protestos), agora abrandou o discurso dizendo que "Ficou clara a dimensão nacional do movimento".
O que mudou daquela quinta-feira (13/06/13) trágica, com 105 feridos e 325 detidos pela PM comandada pelo Alckmin (Do sonho ao vandalismo e à brutalidade), para a segunda-feira? O que fez com que a mídia de direita e o PSDB mudassem de posição?
Se houve conluio é difícil saber, mas o fato é que no jornal da Globo News desta terça-feira, 18 de junho de 2013, o circo midiático já se arma para uma capitalização pelo PSDB desses protestos.
Ontem, quase de madrugada, o PSDB abriu o discurso, dizendo que o problema é a inflação e fizeram o milagre da ressurreição do FHC.
A Globo News já colocou o foco do noticiário nas reclamações dos manifestantes e associando o governo Dilma e Haddad. (Haddad: tarifa menor de transporte tira recurso de outras áreas, Avaliação positiva do governo Dilma cai a 55% em junho--CNI/Ibope).
A batalha do PSDB por espaço político, que parecia perdida, já mostra novo fôlego. Apenas dois políticos do PSDB aparecem: FHC e o futuro candidato a presidência, Aécio Neves (Aécio diz que há insatisfação nas ruas). Vemos uma verdadeira blindagem com os outros. Alckmin deve, portanto, sumir do noticiário nos próximos dias, mesmo que a PM volte a brutalizar.
Basicamente, o PSDB ficará de bonzinho e o PT de malzinho. O PT será responsabilizado por uma corrupção endêmica que, somada a sua inaptidão econômica, acordou o mostro adormecido da inflação. Quem poderá nos salvar? O FHC2, Aécio Neves. Será que o povo compra?
Os meus conhecidos que apoiam PSDB ainda não tinham me falado disso, mas certamente assumirão a posição da mídia. Alguns, que estavam no protesto, descobrirão a verdadeira face do PSDB - oportunista e ideologicamente vazio. Irão pro lado do bem - que é bem longe dos tucanos? Os PSDBistas militantes, cheios de teias no sofá, estes comprarão o discurso da mídia. Já ouço seus uivos pelos corredores, mas nunca nas ruas. Sem formação política, alienados até a décima geração, saudosistas da era FHC, eles farão suas interpretações do movimento, usando a tela da Globo como filtro.
A culpa dos protestos é da inflação do PT que também é antidemocrático. Inflação esta que o PSDB é experiente em resolver.
No apoio tático, a mídia vem trabalhando de forma inteligente. A Globo News colocou um comentarista político-pastor que é mais burro que o apresentador, mas prega como em um púlpito. Acho que é pra ganhar as massas, quiçá os evangélicos.
Há uma possível supercapitalização disso, pois o PSC já mostra querer deixar de apoiar o governo (Marco Feliciano ameaça 'rebelião' se governo interferir no projeto 'cura gay') e irá, provavelmente, apoiar o PSDB.
Eu quero ver o Aécio pousando de contra a legalização do aborto e a favor da 'cura gay'. O que aconteceu com o Mensalão Mineiro (Os documentos do mensalão mineiro)? Parece que Aécio já costura uma aliança com Eduardo Campos (PSB) para saírem juntos no ano que vem (Aécio e Campos costuram acordo contra Dilma em 2014).
Se a estratégia do PSDB for bem sucedida, o movimento tem muito a perder. Contudo, com uma posição coerente e centrada, o Movimento pelo Passe Livre (MPL) já sinalizou de que o protesto é exclusivamente pela redução do preço das passagens (“Não vamos permitir que parasitem a nossa pauta”, diz integrante do MPL, note que o termo "integrante" e não "dirigente" foi usado de forma intencional).
Vamos torcer para que os únicos a capitalizarem dessas manifestações sejam o povo, pagando menos (ou nada) para um transporte público melhor.

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