sábado, 13 de setembro de 2014

SP: PM obriga jornalista do Mariachi a deletar suas fotos

Hoje, 13 de setembro, ocorreu o Ato Contra a Farsa Eleitoral, que começou às 15h em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Estavam reunidos manifestantes de vários movimentos populares que se uniram para denunciar que as eleições foram montadas e controladas pelos ricos. Deixando a maioria do povo sem possibilidades reais de participação no poder.

Já na concentração para o ato, os manifestantes pintaram cavaletes e santinhos, dando um novo significado para as propagandas dos políticos.

Quando a manifestação decidiu sair em marcha, a tropa de choque já a cercou, fazendo uma barreira para isolá-los. Mesmo com a intimidação, o ato partiu para a Rua da Consolação. Na Av. Ipiranga, um manifestante colou nas costas de um policial um adesivo com os dizeres "Eleição é farsa. Não vote, lute!".

Essa atitude enfureceu o PM que partiu para cima de todos os fotógrafos que tentaram registrar a colagem. Desta vez, o PM escolheu um jornalista do Coletivo Mariachi para externar sua raiva. Órfão da Ditadura, o PM exigiu que o fotógrafo apresentasse documento de "fé pública" e rejeitou a validade do crachá de jornalista.

A VOLTA DA CENSURA

O ápice da repressão ocorreu quando o policial exigiu que o jornalista eliminasse as suas fotos.

"Ela colou ali e você passou o pano."

Nesta frase, o PM tenta dizer que o jornalista consente com a atitude da manifestante que supostamente colou o adesivo.

Fica claro a prepotência e autoritarismo da polícia contra a atividade jornalística. Retornamos a época da censura, quando o Estado reprimia a atividade de imprensa.

Fica a pergunta: se a polícia pode censurar jornalistas, vivemos em um Estado verdadeiramente democrático? Se um órgão do Estado não tolera atitudes simples como a colagem de adesivo, imagina o que ela faria longe das câmeras, em um bairro de periferia.

Por tudo isso, a PM mostrou a sua incompatibilidade com a democracia.

NÃO ACABOU
TEM QUE ACABAR
EU QUERO O FIM
DA POLÍCIA MILITAR

Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi

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