A concentração de renda é uma marca do sistema que vivemos. Segundo o IBGE, em 2012, um em cada cinco brasileiros vive com menos de 1/2 salário mínimo mensais. Em valores de hoje, menos de R$362. Neste cenário, torna-se natural que uma parcela destas pessoas se revoltem contra o sistema, incorrendo em crimes como comércio de entorpecentes, que responde por 27% dos encarcerados [1]. Para conter esses revoltados, o Estado brasileiro mantém 548.003 presos, ou seja, 1 em cada 348 habitantes.
Se contarmos as pessoas mortas ou desaparecidas pelas ações da polícia, este número poderia aumentar muito. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) [2], aproximadamente 6 mil pessoas desaparecem anualmente, somente no Rio de Janeiro, tendo como caso mais emblemático o do pedreiro e pai de família Amarildo.
Por muito tempo, o destino destes indesejados tem sido a morte ou cadeias superlotadas e torturas sistemáticas. Entretanto, o cenário pode mudar nos próximos anos pois vários estados brasileiros pretendem implementar Parcerias Público Privadas (PPP) para criação dos chamados "presídios terceirizados", onde a iniciativa privada controla toda a gestão da penitenciária [3,4].
Além de lucrar com a gestão, os empresários ainda podem instalar linhas industrias dentro do presídio. No caso específico da penitenciária de Ribeirão das Neves, a intenção é transformá-la “pólo de EPI” (equipamento de proteção individual), colocando os presos para fabricar sirenes, alarmes, circuitos de segurança, coturnos e botas de proteção, uniformes e artigos militares.
Ao transformar o detento em trabalhador, abre-se outra janela, pois este trabalhador pode consumir produtos e serviços como assistência médica, odontológica e jurídica.
Neste "paraíso" capitalista, transformou-se o indesejado que onerava o estado em um trabalhador-consumidor. Genial, não?
Texto: Gustavo Dopcke / Coletivo Mariachi
[1] - http://www.infopen.gov.br/
[2] - http://www.isp.rj.gov.br/
[3] - http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-construira-3-complexos-de-prisoes-privadas,1075138,0.htm
[4] - http://apublica.org/2014/05/quanto-mais-presos-maior-o-lucro/
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