CAIO, RAFAEL E FÁBIO: VÍTIMAS DO SISTEMA
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Muito criticamos a manipulação da mídia mercantil que criminaliza a manifestação popular. Entretanto, essa manipulação não atinge apenas coxinhas que assistem o Jornal da Goebbles. Fico surpreendido mesmo quando esse discurso incriminatório atinge manifestantes de longa data.
Aqui no Rio, temos três detentos considerados presos políticos: Rafael Braga, Fabio Raposo e Caio Silva Rangel. O primeiro, foi preso apenas por ser negro, catador e estar no meio da maior manifestação da história do Brasil. Os dois outros foram acusados de assassinar o cinegrafista Santiago Andrade utilizando um rojão.
NEM MANIFESTANTE ELE É
O que eu mais ouço é dizerem que o caso do Rafael é diferente porque nem manifestante ele era. Implícito neste pensamento está a criminalização da manifestação. Manifestante ou não, as pessoas deveriam ter um tratamento igual pela "Justiça". Manifestar não é crime, lembra?
Ao diferenciarmos Caio e Fábio por serem manifestantes, estamos caindo como palhaços na armadilha do Estado e da mídia mercantil. Pior ainda, estamos aceitando a nossa própria criminalização.
AUMENTAR A REPRESSÃO OU ENFRENTAR A MÁFIA DO TRANSPORTE?
Em janeiro e fevereiro deste ano, as manifestações estavam crescendo, o aumento da passagem já havia ocorrido e os catracaços eram diários.
As alternativas do governo eram: reprimir as manifestações violentamente ou voltar atrás nos aumentos. Qualquer das opções seria um desastre. Colocamos o governo em um dilema de decisão, contra a parede. Se reprimissem, a população poderia voltar às ruas como em junho de 2013. Se abaixassem os preços, teriam que enfrentar as máfias do transporte público.
A MORTE QUE SALVOU O GOVERNO
A morte do Santiago salvou o governo do dilema. Depois disso, a opção pela repressão violenta estava clara e justificada. Centenas de manifestantes foram investigados e ameaçados. A defesa dos rapazes foi criminalizada.
Colocaram um advogado da milícia para supostamente defendê-los, mas o tal Dr. Jonas Tadeu Nunes apenas acusou e forjou provas. Este carrasco ainda tentou incriminar os que defendiam os garotos, como no caso de acusar Elisa Quadros e Marcelo Freixo. Ligar para o Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ALERJ se tornou crime, ser presidente da CDH se tornou crime.
Quando um manifestante me fala que o caso é diferente porque houve uma morte, eu digo que você está fazendo o jogo da mídia e do governo. Usar a morte para justificar um tratamento diferente de Caio e Fábio é agir como os nossos carrascos.
FÁBIO E CAIO FIZERAM BESTEIRA
Já me falaram também que Caio e Fábio fizeram besteira. Vindo da Rede Bobo, eu não me surpreenderia. Fico estarrecido quando esta afirmação vem de um manifestante.
Primeiro, o que ocorreu foi um acidente. Um rojão-de-vara-sem-vara não possui direção definida. Portanto, eles não poderiam planejar tal ato.
Segundo, o Fábio é visto apenas entregando o rojão pra alguém. Se o incidente não poderia ser planejado, como o Fábio teria controle do que aconteceria? Tudo indica que ele não queria acender o rojão. Pelo simples fato de entregar o rojão na mão de alguém o Fábio merece ficar 7 meses sofrendo torturas na cadeia? Qual o tamanho da besteira que ele fez?
Já no caso do Caio, temos a acusação feita pelo seu advogado de defesa (na época, o Dr. Jonas Tadeu). Somente pelo motivo do acusador ser o advogado de defesa, já temos indícios de que o Caio caiu em uma armadilha. Nas entrevistas à "jornalista" da Rede Goebbles, que viajou com a Polícia Civil, Caio aparece visivelmente atordoado, dizendo que teme pela própria vida.
Pra piorar, a perícia que identifica o Caio como ascendedor do rojão foi forjada nos estúdios da Rede Goebbles [1].
Ou seja, Caio não teve direito a defesa, foi acusado pelo próprio advogado e incriminado pela Globo. Qual a besteira que ele fez?
Quem diz que Caio e Fábio fizeram besteira são a mídia mercantil e o órgãos de repressão do Estado. Você concorda com eles?
PARE DE CRIMINALIZAR A MANIFESTAÇÃO
Por tudo isso, eu gostaria de chamar a atenção de todos os manifestantes que de uma forma ou de outra ajudam a criminalizar a manifestações: pare! Pare de ajudar o governo! Pare de ajudar a mídia mercantil!
Caio, Rafael e Fábio são vítimas de um governo dos ricos, corrupto, racista e fascista. Temos que vencê-los no campo das ideias também.
Liberdade para Caio, Rafael e Fábio!
[1] - http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/perito-confirma-que-caio-souza-lancou-rojao-que-matou-cinegrafista.html
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
sábado, 13 de setembro de 2014
SP: PM obriga jornalista do Mariachi a deletar suas fotos
Hoje, 13 de setembro, ocorreu o Ato Contra a Farsa Eleitoral, que começou às 15h em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Estavam reunidos manifestantes de vários movimentos populares que se uniram para denunciar que as eleições foram montadas e controladas pelos ricos. Deixando a maioria do povo sem possibilidades reais de participação no poder.
Já na concentração para o ato, os manifestantes pintaram cavaletes e santinhos, dando um novo significado para as propagandas dos políticos.
Quando a manifestação decidiu sair em marcha, a tropa de choque já a cercou, fazendo uma barreira para isolá-los. Mesmo com a intimidação, o ato partiu para a Rua da Consolação. Na Av. Ipiranga, um manifestante colou nas costas de um policial um adesivo com os dizeres "Eleição é farsa. Não vote, lute!".
Essa atitude enfureceu o PM que partiu para cima de todos os fotógrafos que tentaram registrar a colagem. Desta vez, o PM escolheu um jornalista do Coletivo Mariachi para externar sua raiva. Órfão da Ditadura, o PM exigiu que o fotógrafo apresentasse documento de "fé pública" e rejeitou a validade do crachá de jornalista.
A VOLTA DA CENSURA
O ápice da repressão ocorreu quando o policial exigiu que o jornalista eliminasse as suas fotos.
"Ela colou ali e você passou o pano."
Nesta frase, o PM tenta dizer que o jornalista consente com a atitude da manifestante que supostamente colou o adesivo.
Fica claro a prepotência e autoritarismo da polícia contra a atividade jornalística. Retornamos a época da censura, quando o Estado reprimia a atividade de imprensa.
Fica a pergunta: se a polícia pode censurar jornalistas, vivemos em um Estado verdadeiramente democrático? Se um órgão do Estado não tolera atitudes simples como a colagem de adesivo, imagina o que ela faria longe das câmeras, em um bairro de periferia.
Por tudo isso, a PM mostrou a sua incompatibilidade com a democracia.
NÃO ACABOU
TEM QUE ACABAR
EU QUERO O FIM
DA POLÍCIA MILITAR
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Já na concentração para o ato, os manifestantes pintaram cavaletes e santinhos, dando um novo significado para as propagandas dos políticos.
Quando a manifestação decidiu sair em marcha, a tropa de choque já a cercou, fazendo uma barreira para isolá-los. Mesmo com a intimidação, o ato partiu para a Rua da Consolação. Na Av. Ipiranga, um manifestante colou nas costas de um policial um adesivo com os dizeres "Eleição é farsa. Não vote, lute!".
Essa atitude enfureceu o PM que partiu para cima de todos os fotógrafos que tentaram registrar a colagem. Desta vez, o PM escolheu um jornalista do Coletivo Mariachi para externar sua raiva. Órfão da Ditadura, o PM exigiu que o fotógrafo apresentasse documento de "fé pública" e rejeitou a validade do crachá de jornalista.
A VOLTA DA CENSURA
O ápice da repressão ocorreu quando o policial exigiu que o jornalista eliminasse as suas fotos.
"Ela colou ali e você passou o pano."
Nesta frase, o PM tenta dizer que o jornalista consente com a atitude da manifestante que supostamente colou o adesivo.
Fica claro a prepotência e autoritarismo da polícia contra a atividade jornalística. Retornamos a época da censura, quando o Estado reprimia a atividade de imprensa.
Fica a pergunta: se a polícia pode censurar jornalistas, vivemos em um Estado verdadeiramente democrático? Se um órgão do Estado não tolera atitudes simples como a colagem de adesivo, imagina o que ela faria longe das câmeras, em um bairro de periferia.
Por tudo isso, a PM mostrou a sua incompatibilidade com a democracia.
NÃO ACABOU
TEM QUE ACABAR
EU QUERO O FIM
DA POLÍCIA MILITAR
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Midiativismo em debate
NÃO GOSTA DA MÍDIA? SEJA A MÍDIA!
No dia 20 de outubro, mídiativistas de diversos coletivos participaram de uma discussão na Assembleia Popular do Grande Méier. Discutimos o trabalho do midiativista e a influência transformadora na sociedade.
O TRABALHO DO MIDIATIVISTA
Parte do trabalho do midiativista passa por cobrir as manifestações. Nelas, a polícia mostra seu caráter de classe ao atacar os manifestantes. Tais ataques, quando filmados, tem uma grande capacidade de transformar a opinião das massas, colocando em cheque a legitimidade do Estado e sua polícia.
Por exemplo, em junho de 2013, uma jornalista teve o olho atingido por uma bala de borracha, disparada pela Polícia Militar (PM). Esta imagem deixou clara para uma parcela grande da população quem era violento. O Estado ficou nu!
Além dessa agressão, os midiativistas registraram a PM atacando covardemente advogados e jornalistas. Hoje, 28 de agosto, tivemos o julgamento do Major Pinto e o Tenente Bruno Andrade pela tentativa de forjar flagrante contra um adolescente de 15 anos durante uma manifestação, flagrado por um cinegrafista. Assim, o registro das manifestações garante não só a integridade física dos manifestantes, mas também impede abusos maiores pela PM.
MOMENTO HISTÓRICO E NOVAS TECNOLOGIAS
O midiativismo surge em um momento histórico de grandes transformações no tráfego da informação. Vivemos a popularização da internet de alta velocidade, podendo disseminar vídeos em tempo real. Ao mesmo tempo, as redes sociais fazem a ligação entre o real e o virtual, entre amigos, colegas de trabalho ou de escola.
Neste cenário, as mídias tradicionais, como jornais, TVs e rádios não tiveram tempo (nem capacidade) de ocupar todos os espaços na rede, deixando uma lacuna a ser preenchida. Jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos ocuparam estes espaços. Entretanto, o mais surpreendente a participação de cidadãos comuns das mais variadas profissões.
Aliado a isso, ocorre uma convulsão social no Brasil, que foi às ruas questionar as relações de poder, reivindicando o aumento das garantias sociais e maior participação nas decisões.
Assim, juntou-se o desejo de mudança com ferramentas mais democráticas. O resultado foi a criação do midiativismo. Este não pretende apenas informar. Depois de pouco tempo escrevendo textos políticos, percebi que não existe informação isenta. Pra mim, ficou claro que quem domina a informação pode relatar o mesmo fato, mas transmitir uma mensagem completamente diferente. O midiativismo, portanto, já no seu nascimento é um discurso transformador, pois põe a prova o discurso oficial.
TRANSFORMAR O QUE?
Os meios de comunicação, hoje, são controlados por empresas que dependem de publicidade e, portanto, de outras empresas. Assim, ao contrariar um patrocinador, um jornal pode enfrentar problemas. O resultado trágico disso é que as matérias são pautadas pelos que compram espaço de publicidade, nunca contrariando os interesses das grandes empresas.
Estes grandes empresários são, por essência, capitalistas. Além disso, eles controlam não só a mídia, mas também muitos políticos e se fundamentam em um discurso fascista. Parte desse discurso passa por repetir uma visão patriarcal, machista, racista e homofóbico, esquecendo assim a divisão de classes. "O nosso problema são as vagabundas, os negros e os gays", dizem.
Ao fazer o discurso contra-hegemônico, a mídia livre ataca esta estrutura de poder.
CONTRAPOR O DISCURSO HEGEMÔNICO
As agressões policiais constituem o maior risco a nossa atividade. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), durante a Copa do Mundo, 88% dos casos registrados de violência contra jornalistas foram provocados por policiais, dos quais 44% foram intencionais[1].
Ou seja, o pior inimigo do jornalismo é o Estado, que usa a Polícia como braço armado.
Mesmo com evidências mostrando que a Polícia ataca sistematicamente os jornalistas, houve um caso emblemático que levou uma ideia diferente à população - o caso Santiago Andrade. Este acidente foi amplamente divulgado pela mídia mercantil como intencional, o que permitiu ao Judiciário acusar os manifestantes Caio e Fábio de homicídio doloso.
Neste episódio, apesar do intenso trabalho, as mídias independentes não conseguiram contrapor o discurso hegemônico e a população se convenceu de que aqueles dois jovens representavam um perigo à sociedade.
DEMOCRACIA INCOMPLETA
A democracia conquistada pelos brasileiros em 1984 nasceu com dois antigos tumores: a Polícia Militar e a mídia mercantil. Esses dois braços de poder dos ricos têm atacado, de forma sistemática, o povo pobre do nosso país. Crias da ditadura, elas sofrem dos mesmos problemas do regime totalitário: são fascistas, racistas, machistas, etc.
Neste sentido, o midiativismo vem para aprofundar nossa democracia. Ao denunciar a violência policial e fazer o discurso contra-hegemônico, estamos enfrentando estes dois poderes. Assim, a democracia só terá um caráter mais popular quando a mídia mercantil e a PM estiverem extintas. Para isso, o trabalho das mídias independentes será fundamental.
Você também está insatisfeito com a mídia mercantil? Então seja você a nova mídia!
[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
No dia 20 de outubro, mídiativistas de diversos coletivos participaram de uma discussão na Assembleia Popular do Grande Méier. Discutimos o trabalho do midiativista e a influência transformadora na sociedade.
O TRABALHO DO MIDIATIVISTA
Parte do trabalho do midiativista passa por cobrir as manifestações. Nelas, a polícia mostra seu caráter de classe ao atacar os manifestantes. Tais ataques, quando filmados, tem uma grande capacidade de transformar a opinião das massas, colocando em cheque a legitimidade do Estado e sua polícia.
Por exemplo, em junho de 2013, uma jornalista teve o olho atingido por uma bala de borracha, disparada pela Polícia Militar (PM). Esta imagem deixou clara para uma parcela grande da população quem era violento. O Estado ficou nu!
Além dessa agressão, os midiativistas registraram a PM atacando covardemente advogados e jornalistas. Hoje, 28 de agosto, tivemos o julgamento do Major Pinto e o Tenente Bruno Andrade pela tentativa de forjar flagrante contra um adolescente de 15 anos durante uma manifestação, flagrado por um cinegrafista. Assim, o registro das manifestações garante não só a integridade física dos manifestantes, mas também impede abusos maiores pela PM.
MOMENTO HISTÓRICO E NOVAS TECNOLOGIAS
O midiativismo surge em um momento histórico de grandes transformações no tráfego da informação. Vivemos a popularização da internet de alta velocidade, podendo disseminar vídeos em tempo real. Ao mesmo tempo, as redes sociais fazem a ligação entre o real e o virtual, entre amigos, colegas de trabalho ou de escola.
Neste cenário, as mídias tradicionais, como jornais, TVs e rádios não tiveram tempo (nem capacidade) de ocupar todos os espaços na rede, deixando uma lacuna a ser preenchida. Jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos ocuparam estes espaços. Entretanto, o mais surpreendente a participação de cidadãos comuns das mais variadas profissões.
Aliado a isso, ocorre uma convulsão social no Brasil, que foi às ruas questionar as relações de poder, reivindicando o aumento das garantias sociais e maior participação nas decisões.
Assim, juntou-se o desejo de mudança com ferramentas mais democráticas. O resultado foi a criação do midiativismo. Este não pretende apenas informar. Depois de pouco tempo escrevendo textos políticos, percebi que não existe informação isenta. Pra mim, ficou claro que quem domina a informação pode relatar o mesmo fato, mas transmitir uma mensagem completamente diferente. O midiativismo, portanto, já no seu nascimento é um discurso transformador, pois põe a prova o discurso oficial.
TRANSFORMAR O QUE?
Os meios de comunicação, hoje, são controlados por empresas que dependem de publicidade e, portanto, de outras empresas. Assim, ao contrariar um patrocinador, um jornal pode enfrentar problemas. O resultado trágico disso é que as matérias são pautadas pelos que compram espaço de publicidade, nunca contrariando os interesses das grandes empresas.
Estes grandes empresários são, por essência, capitalistas. Além disso, eles controlam não só a mídia, mas também muitos políticos e se fundamentam em um discurso fascista. Parte desse discurso passa por repetir uma visão patriarcal, machista, racista e homofóbico, esquecendo assim a divisão de classes. "O nosso problema são as vagabundas, os negros e os gays", dizem.
Ao fazer o discurso contra-hegemônico, a mídia livre ataca esta estrutura de poder.
CONTRAPOR O DISCURSO HEGEMÔNICO
As agressões policiais constituem o maior risco a nossa atividade. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), durante a Copa do Mundo, 88% dos casos registrados de violência contra jornalistas foram provocados por policiais, dos quais 44% foram intencionais[1].
Ou seja, o pior inimigo do jornalismo é o Estado, que usa a Polícia como braço armado.
Mesmo com evidências mostrando que a Polícia ataca sistematicamente os jornalistas, houve um caso emblemático que levou uma ideia diferente à população - o caso Santiago Andrade. Este acidente foi amplamente divulgado pela mídia mercantil como intencional, o que permitiu ao Judiciário acusar os manifestantes Caio e Fábio de homicídio doloso.
Neste episódio, apesar do intenso trabalho, as mídias independentes não conseguiram contrapor o discurso hegemônico e a população se convenceu de que aqueles dois jovens representavam um perigo à sociedade.
DEMOCRACIA INCOMPLETA
A democracia conquistada pelos brasileiros em 1984 nasceu com dois antigos tumores: a Polícia Militar e a mídia mercantil. Esses dois braços de poder dos ricos têm atacado, de forma sistemática, o povo pobre do nosso país. Crias da ditadura, elas sofrem dos mesmos problemas do regime totalitário: são fascistas, racistas, machistas, etc.
Neste sentido, o midiativismo vem para aprofundar nossa democracia. Ao denunciar a violência policial e fazer o discurso contra-hegemônico, estamos enfrentando estes dois poderes. Assim, a democracia só terá um caráter mais popular quando a mídia mercantil e a PM estiverem extintas. Para isso, o trabalho das mídias independentes será fundamental.
Você também está insatisfeito com a mídia mercantil? Então seja você a nova mídia!
[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Marina Silva, Ecocapitalista e seu Dono de Escravos
O PSB acabou de oficializar Marina Silva como candidata a presidência da República e esta já decola nas pesquisas eleitorais [1]. Conhecida pelo seu discurso ecológico-capitalista, ela já foi ministra do Meio Ambiente por sete anos, quando tivemos a aprovação dos transgênicos. Em 2004, o vice de Marina, Beto Albuquerque, esteve envolvido no desenvolvimento da Medida Provisória que autorizou o plantio de soja transgênica no Brasil [2]. Marina, também como ministra, defendeu a transposição do Rio São Francisco em 2007 [3].
A campanha do PSB, agora encabeçada por Marina, é a terceira mais rica. Eis os patrocinadores que investiram mais de R$ 1 milhão [4]:
A campanha do PSB, agora encabeçada por Marina, é a terceira mais rica. Eis os patrocinadores que investiram mais de R$ 1 milhão [4]:
- Arosuco Aromas e Sucos LTDA;
- JBS S/A;
- Copersucar S/A;
- Cosan Lubrificantes e Especialidades S/A.
Faremos agora uma pequena investigação sobre estes grandes doadores.
A Arosuco financia PT, PMDB e PSDB [5]. Ela pertence à Ambev do homem mais rico do Brasil [6],
Jorge Paulo Lemann. Ele comprou a sorveteria Diletto de Verônica Serra, filha de José Serra, por 17 vezes o faturamento de uma sorveteria sem lucratividade estimada[7]. Ele também foi investigado por um buraco de US$ 200 milhões nas contas do Banco Garantia [8].
Continuemos. O dono da JBS, Joesley Batista, também um dos homens mais ricos do Brasil, é acusado de sonegação fiscal e empréstimos cruzados [9]. Além disso, a Polícia Federal o investiga por evasão de divisas e de financiar "caixa 2" de campanha político-partidária [10].
O nosso campeão do crime é o dono da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, a segundo empresário mais rico do mundo em "energia verde" [12]. Ele é acusado de fazer parte de um cartel para aumentar o preço de combustíveis [13]. Além disso, ele está em outro inquérito por crime ambiental e contra o patrimônio genético [14]. Por fim, ele é acusado de ter 28 ESCRAVOS em sua fazenda no Pará [15].
Em suma, nos seus 7 anos a frente do Ministério do Meio Ambiente, Marina não foi capaz de enfrentar problemas ambientais graves e, agora, se alia a um notório agrocriminoso. Já seu patrocinadores sofrem das tradicionais doenças das grandes fortunas - a corrupção. Um chega até a ser proprietário de escravos.
Neste cenário, uma eventual eleição de Marina na presidência não representaria reais mudanças no paradigma político do Brasil. Não esperemos que ela enfrente os poderosos. Parece que os políticos que poderiam fazer transformações reais, nunca teriam chance no sistema eleitoral que temos.
Eleição é farsa!
Não vote, Lute!
Eleição é farsa!
Não vote, Lute!
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Cartum: Carlos Latuff
Cartum: Carlos Latuff
[1] - http://www.infomoney.com.br/mercados/eleicoes/noticia/3533350/ibope-divulga-primeira-pesquisa-apos-confirmacao-marina-proxima-semana
[2] - http://www.cartacapital.com.br/politica/beto-albuquerque-3550.html
[3] - http://reporterbrasil.org.br/2007/03/marina-silva-defende-transposicao-do-rio-sao-francisco/
[4] - http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/veja-as-doacoes-feitas-para-a-campanha-de-eduardo-campos/
[5] - http://www.donosdocongresso.com.br/donatarios/?doador=03134910
[6] - http://noticias.r7.com/economia/fotos/sem-eike-lista-de-bilionarios-traz-o-dono-da-ambev-e-do-banco-safra-entre-os-brasileiros-mais-ricos-05032014#!/foto/3
[7] - http://www.brasil247.com/pt/247/economia/96697/Por-que-Lemann-e-Ver%C3%B4nica-pagaram-tanto-pelo-picol%C3%A9.htm
[8] - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,ERT156504-15259-156504-3934,00.html
[9] - http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pf-indicia-joesley-batista-e-katia-rabello-por-emprestimos-cruzados-entre-empresas-imp-,1131884
[10] - http://www.brasilnoticia.com.br/justica/policia-federal-descobre-vinculo-de-wesley-batista-com-lavagem-de-dinheiro/18538
[11] - http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/bioagroenergia/2012/11/07/copersucar-nos-eua-o-pulo-do-gato/
[12] - http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/noticia/2410475/dono-cosan-esta-entre-mais-ricos-mundo-que-investem-energia
[13] - http://www.aredacao.com.br/noticias/7506/aprovado-relatorio-que-indicia-25-suspeitos-de-cartel
[14] - http://www.sermateczaninionline.com.br/posts/tj-sp-manda-trancar-acao-penal-contra-rubens-ometto/
[15] - http://reporterbrasil.org.br/2010/04/fazenda-com-30-mil-cabecas-de-gado-mantinha-28-escravos/
domingo, 10 de agosto de 2014
Marcha das Vadias 2014
A Marcha das Vadias teve, neste ano, um motivo especial. No final de 2013, o IPEA divulgou que 1 em cada 4 brasileiros acham que mulheres merecem ser atacadas por usarem roupas curtas[1]. Afinal, é muito difícil de se controlar e não estuprar alguém de mini-saia. Isso explica porquê são estupradas 50 mil mulheres no Brasil, todos os anos.
"Nada pode ser motivo de estupro!"
Com esta frase, a organização da Marcha termina um lindo manifesto, que vale a pena ler na íntegra [2].
Viver em uma cultura do estupro não é fácil. Nela, as mulheres não têm direito ao próprio corpo. Se você é mulher, negra e mora em comunidade, cuidado! Outros 'motivos' para perder o direito sobre o seu corpo incluem profissão, identidade de gênero e orientação sexual.
Entretanto, nem tudo são espinhos. Como chefe do Executivo, temos uma presidenta (com ênfase no "a") que insiste em falar de melhorias para a mulher. Vejamos o quanto a presidenta se preocupa com as mulheres. Enquanto o Brasil pretende investir 10% do PIB para a educação até 2024, sabe qual o valor investido na Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)?
- 0,004% do PIB!
Em 2013, a SPM teve um orçamento de R$191 milhões, o que representa 0,7% dos valores repassados aos outros órgãos [3]. Isso mostra como evitar a violência contra a mulher não é, nem de longe, prioridade.
Outras reivindicações da Marcha incluem:
- regulamentação da prostituição;
- humanização, qualidade e segurança do atendimento aos casos de aborto legal no SUS;
- ampliação do acesso e a boa qualidade dos serviços de saúde integral para as mulheres e gestantes;
- acesso a informação e métodos de qualidade sobre contracepção e planejamento familiar;
- autonomia da mulher sobre seus corpos;
- aborto legal, seguro, raro e gratuito;
- partos seguros e sem violência física ou psicológica.
Vale a pena lembrar também, que o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo [4]. Segundo o projeto Transgender Europe’s Trans Murder Monitoring, em 2013, o Brasil contabilizou 95 mortes, 138% acima do segundo colocado, o México com 40.
Como se não pudesse piorar, poucos dias antes da marcha, três mulheres foram estupradas por uma gangue de Policias Militares [5], por estarem próximas a um local de uso de crack. Bancados pelo dinheiro público, estes policiais consideraram que a pena por usar crack é o estupro, executado por eles próprios. Não sabiam que duas das mulheres estupradas eram mãe e filha, que estavam lá para convencer a amiga a abandonar o uso de drogas.
Já passou da hora de tomarmos uma atitude frente a essa violência. Transformar a cultura de uma sociedade não é fácil. Por isso, devemos tomar essa responsabilidade em nossas mãos. Pressionar governos para que adequem as leis no sentido de diminuir a violência. Aumentar o orçamento dos programas que enfrentam a violência contra a mulher e pessoa trans. Criemos uma educação da não-violência contra a mulher. Não podemos permitir o machismo ou transfobia nos nossos círculos de amigos.
Nossos corpos, nossas regras!
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Foto: Érica Rocha | Mídia Independente Coletiva - MIC
[1] - http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres_novo.pdf
[2] - http://marchadasvadiasrio.blogspot.com.br/2014/08/normal-0-false-false-false-es-mx-ja-x.html
[3] - http://www.cfemea.org.br/images/stories/analise_spm.pdf
[4] - http://www.tgeu.org/node/435
[5] - http://www2.tupi.am/programas/Jornalismo/85106/PMs-sao-acusados-de-espancar-usuarios-de-crack-e-estuprar-tres-mulheres-na-comunidade-do-Jacare-[5] - http://www2.tupi.am/programas/Jornalismo/85106/PMs-sao-acusados-de-espancar-usuarios-de-crack-e-estuprar-tres-mulheres-na-comunidade-do-Jacare-
"Nada pode ser motivo de estupro!"
Com esta frase, a organização da Marcha termina um lindo manifesto, que vale a pena ler na íntegra [2].
Viver em uma cultura do estupro não é fácil. Nela, as mulheres não têm direito ao próprio corpo. Se você é mulher, negra e mora em comunidade, cuidado! Outros 'motivos' para perder o direito sobre o seu corpo incluem profissão, identidade de gênero e orientação sexual.
Entretanto, nem tudo são espinhos. Como chefe do Executivo, temos uma presidenta (com ênfase no "a") que insiste em falar de melhorias para a mulher. Vejamos o quanto a presidenta se preocupa com as mulheres. Enquanto o Brasil pretende investir 10% do PIB para a educação até 2024, sabe qual o valor investido na Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)?
- 0,004% do PIB!
Em 2013, a SPM teve um orçamento de R$191 milhões, o que representa 0,7% dos valores repassados aos outros órgãos [3]. Isso mostra como evitar a violência contra a mulher não é, nem de longe, prioridade.
Outras reivindicações da Marcha incluem:
- regulamentação da prostituição;
- humanização, qualidade e segurança do atendimento aos casos de aborto legal no SUS;
- ampliação do acesso e a boa qualidade dos serviços de saúde integral para as mulheres e gestantes;
- acesso a informação e métodos de qualidade sobre contracepção e planejamento familiar;
- autonomia da mulher sobre seus corpos;
- aborto legal, seguro, raro e gratuito;
- partos seguros e sem violência física ou psicológica.
Vale a pena lembrar também, que o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo [4]. Segundo o projeto Transgender Europe’s Trans Murder Monitoring, em 2013, o Brasil contabilizou 95 mortes, 138% acima do segundo colocado, o México com 40.
Como se não pudesse piorar, poucos dias antes da marcha, três mulheres foram estupradas por uma gangue de Policias Militares [5], por estarem próximas a um local de uso de crack. Bancados pelo dinheiro público, estes policiais consideraram que a pena por usar crack é o estupro, executado por eles próprios. Não sabiam que duas das mulheres estupradas eram mãe e filha, que estavam lá para convencer a amiga a abandonar o uso de drogas.
Já passou da hora de tomarmos uma atitude frente a essa violência. Transformar a cultura de uma sociedade não é fácil. Por isso, devemos tomar essa responsabilidade em nossas mãos. Pressionar governos para que adequem as leis no sentido de diminuir a violência. Aumentar o orçamento dos programas que enfrentam a violência contra a mulher e pessoa trans. Criemos uma educação da não-violência contra a mulher. Não podemos permitir o machismo ou transfobia nos nossos círculos de amigos.
Nossos corpos, nossas regras!
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Foto: Érica Rocha | Mídia Independente Coletiva - MIC
[1] - http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres_novo.pdf
[2] - http://marchadasvadiasrio.blogspot.com.br/2014/08/normal-0-false-false-false-es-mx-ja-x.html
[3] - http://www.cfemea.org.br/images/stories/analise_spm.pdf
[4] - http://www.tgeu.org/node/435
[5] - http://www2.tupi.am/programas/Jornalismo/85106/PMs-sao-acusados-de-espancar-usuarios-de-crack-e-estuprar-tres-mulheres-na-comunidade-do-Jacare-[5] - http://www2.tupi.am/programas/Jornalismo/85106/PMs-sao-acusados-de-espancar-usuarios-de-crack-e-estuprar-tres-mulheres-na-comunidade-do-Jacare-
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Controle Social pelo Terror
Dizem que vivemos no tal Estado Democrático de Direito. Nele, temos direita à manifestação livre, sem sermos agredidos pela polícia. Outro princípio é o da presunção da inocência, o velho "inocente até que se prove o contrário".
Entretanto, as jornadas de junho de 2013 colocaram o governo contra a parede: ou ele acata as reivindicações do povo, ou manifestantes continuariam tomando ruas e prédios públicos.
Devemos lembrar também que temos uma polícia "cria da ditadura", que vê o povo como inimigo e potencial terrorista.
Assim, quando o povo tomou as ruas, a resposta dos governos foi usar a repressão policial, atirando balas e bombas, que cegaram e mataram muitos manifestantes.
O resultado deste terror foi que muitos pais e mães já não permitiam que seus filhos arriscassem suas vidas nas passeatas. A mídia abraçou o terror, exibindo repetidamente imagens de violência e colocando a culpa nos que protestavam.
Mesmo com todo esse medo disseminado, governos e mídia não foram capazes de retirar todos das ruas. As demandas foram além dos 20 centavos, queríamos mais investimentos em saúde e educação.
Frente a isso, o Estado não teve alternativa. Se a violência Polícia Militar não foi suficiente, ele podem acionar a Polícia Civil.
As polícias começaram com a tática comum das ditaduras: escutas, grampos e violações de correspondências. No Rio de Janeiro, usaram a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), que invadiu casas de ativistas, com mandados de prisão por crime de lei de proteção a propriedade intelectual de programa de computador [1]. Na verdade, estes arapongas invadem a privacidade de ativistas buscando pequenos delitos que incriminem.
Depois do uso desse tipo de tática repressiva, muitos manifestantes começaram a medir cada palavra escrita em rede social, falada ao telefone. Mesmo assim, na prisão da final da Copa do Mundo, as acusações diziam que a palavra 'caneta' era código para rojão, 'drinque' virou coquetel molotov e 'livro' virou bomba. A Polícia Civil ainda roubou da casa de manifestantes grampeadores, jornais, bandeiras e camisetas, que seriam usadas como provas de grupo criminoso armado. Talvez temessem que manifestantes grampeassem uma bandeira na testa de político corrupto.
Desde o ano passado, centenas de manifestantes foram detidos, presos e torturados pelos motivos mais banais. Jornalistas agredidos, espancados e presos. Advogados tiveram os telefones grampeados, violando princípios da Constituição. Garotas foram torturadas nas cadeias.
Neste cenário, muitos manifestantes, jornalistas e advogados já temem dormir em casa. Acordam às 5:00 com medo da visita da Polícia Civil. O que farão com meu filho se eu for preso? Quem cuidará da minha família?
Bem vindo ao Estado de Terror!
[1] - https://www.youtube.com/watch?v=SIf4HD7ppJk
Entretanto, as jornadas de junho de 2013 colocaram o governo contra a parede: ou ele acata as reivindicações do povo, ou manifestantes continuariam tomando ruas e prédios públicos.
Devemos lembrar também que temos uma polícia "cria da ditadura", que vê o povo como inimigo e potencial terrorista.
Assim, quando o povo tomou as ruas, a resposta dos governos foi usar a repressão policial, atirando balas e bombas, que cegaram e mataram muitos manifestantes.
O resultado deste terror foi que muitos pais e mães já não permitiam que seus filhos arriscassem suas vidas nas passeatas. A mídia abraçou o terror, exibindo repetidamente imagens de violência e colocando a culpa nos que protestavam.
Mesmo com todo esse medo disseminado, governos e mídia não foram capazes de retirar todos das ruas. As demandas foram além dos 20 centavos, queríamos mais investimentos em saúde e educação.
Frente a isso, o Estado não teve alternativa. Se a violência Polícia Militar não foi suficiente, ele podem acionar a Polícia Civil.
As polícias começaram com a tática comum das ditaduras: escutas, grampos e violações de correspondências. No Rio de Janeiro, usaram a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), que invadiu casas de ativistas, com mandados de prisão por crime de lei de proteção a propriedade intelectual de programa de computador [1]. Na verdade, estes arapongas invadem a privacidade de ativistas buscando pequenos delitos que incriminem.
Depois do uso desse tipo de tática repressiva, muitos manifestantes começaram a medir cada palavra escrita em rede social, falada ao telefone. Mesmo assim, na prisão da final da Copa do Mundo, as acusações diziam que a palavra 'caneta' era código para rojão, 'drinque' virou coquetel molotov e 'livro' virou bomba. A Polícia Civil ainda roubou da casa de manifestantes grampeadores, jornais, bandeiras e camisetas, que seriam usadas como provas de grupo criminoso armado. Talvez temessem que manifestantes grampeassem uma bandeira na testa de político corrupto.
Desde o ano passado, centenas de manifestantes foram detidos, presos e torturados pelos motivos mais banais. Jornalistas agredidos, espancados e presos. Advogados tiveram os telefones grampeados, violando princípios da Constituição. Garotas foram torturadas nas cadeias.
Neste cenário, muitos manifestantes, jornalistas e advogados já temem dormir em casa. Acordam às 5:00 com medo da visita da Polícia Civil. O que farão com meu filho se eu for preso? Quem cuidará da minha família?
Bem vindo ao Estado de Terror!
[1] - https://www.youtube.com/watch?v=SIf4HD7ppJk
terça-feira, 29 de julho de 2014
A Calúnia
A CALÚNIA
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Sabe quando você está assistindo um filme e, no meio, percebe que a estória é muito mirabolante? Parece que o autor não soube como conectar os fatos e inventou qualquer coisa. Pois nas últimas semanas, no Rio de Janeiro, a vida tem imitado a arte.
Neste quadro de Botticelli "A Calúnia", um homem inocente é arrastado diante do rei pelas personificações da Calúnia, Malícia, Fraude e Inveja. São seguidos pelo Remorso, a esquerda. Uma velha que vira o rosto para a Verdade. A nudez da Verdade a conecto com o jovem inocente, cujas mãos atadas mostram um apelo a um poder maior. Cochichando no ouvido do rei estão Ignorância e Desconfiança.
Já a calúnia que levou à prisão de dezenas de ativistas inclui corações partidos, traições, planos incendiários, personagens principais e secundários. Seria cômico se isso tudo não implicasse pessoas presas, torturadas e difamadas.
Para entender a profundidade do poço de vergonha que polícia civil, juiz e Ministério Público cavaram, eu listei alguns dos fatos mais interessantes do processo. Ajude a completar a lista nos comentários!
Malícia:
- Escuta em advogada: proibido pela lei nº 11.767/08 [1], fere o Estado Democrático de Direito, uma vez que ataca o direito de defesa.
- Sigilo do processo: o processo não pôde ser apreciado pelo advogado de defesa, nem pelo desembargador responsável por avaliar o pedido de habeas corpus. Entretanto, a Rede Goebbles teve acesso a todo o processo, incluindo escutas. Delegado e jornalistas poderias responder pelos crimes, se houvesse justiça.
- Crime inexistente: os manifestantes foram presos por planejar cometer crimes, conhecido como "crime de pensamento". Ou seja, o delegado "previu" que crimes ocorressem, por isso prendeu todo mundo.
- Sininho foi presa em Porto Alegre, o que indica o conluio entre o Secretário Estadual de Segurança Beltrame e o Ministro da Justiça Cardozo. Pezão (PMDB) e Dilma (PT) se mostram unidos para reprimir.
Inveja e Remorso:
As principais testemunhas de acusação são pessoas que tinham razões pessoais para prejudicar alguns manifestantes.
- Clayton: rapaz vulnerável, com visíveis problemas mentais, confessou ser apaixonado por Sininho e se arrepender das acusações;
- Felipe Bráz: foi expulso do movimento por atitudes machistas. Em entrevista[2], chamou o Desembargador Siro Darlan de "viado" e mostrou estar muito feliz com a prisão da Sininho. Além disso, responde à pergunta da jornalista com "Pô, você deve ser muito gatinha, mas por que eu falaria isso pra você?".
- Anne Josephine: companheira de Game Over, que foi traída quando este namorou com Sininho.
Ignorância:
- Inquérito coloca o filósofo Bakunin, morto em 1876, como potencial suspeito.
- Em um depoimento, Sininho foi acusada de carregar 3 galões com 10 litros de gasolina cada um. Essa mulher é forte mesmo!
Fraude:
- Escutas mencionavam canetas, livros, drinques e pisca-pisca. Estes foram interpretados pela polícia como sendo rojões e coquetéis molotov.
- Arma apreendida tinha licença e não era dos acusados, mas do pai de uma das presas. Ao chegar na delegacia, a arma foi incluída como prova contra todos, pois estava com a licença vencida.
- Outras provas incluem: saca-rolhas, grampeador, fita adesiva, caixa de papelão, revistas, jornais, bandeiras, camisetas pretas e mouse;
- Ligação entre Sininho e o pai, onde ela diz que não queria ir para Minas Gerais, pois "o negócio lá estava pegando fogo". Ou seja, ela foi incriminada por estar com receio de ser incriminada. Além disso, o verbo "bombar" e "patriotada nojenta" também incriminam os subversivos.
- Comprar quentinhas para manifestantes também está proibido.
- Outra acusação foi a de a advogada Eloisa Samy realizar reuniões em casa.
- Os mandados de prisão indicavam crimes contra a propriedade intelectual, como possuir software pirata [3]. Só ao chegar na delegacia, os presos descobriram que estavam sendo indiciados por formação de quadrilha armada.
- Ministério Público leu o processo de 2.000 páginas e indiciou manifestantes em apenas 2 horas.
Calúnia
- A Rede Goebbles foi a grande articuladora que, em conluio com delegado e juiz, transformou a atividade política em crime.
--------
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Imagem: Calunnia (Botticelli)
[1] - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11767.htm
[2] - http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-24/ex-lider-da-fip-e-a-principal-testemunha-em-inquerito-contra-ativistas.html
[3] - http://youtu.be/SIf4HD7ppJk
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Sabe quando você está assistindo um filme e, no meio, percebe que a estória é muito mirabolante? Parece que o autor não soube como conectar os fatos e inventou qualquer coisa. Pois nas últimas semanas, no Rio de Janeiro, a vida tem imitado a arte.
Neste quadro de Botticelli "A Calúnia", um homem inocente é arrastado diante do rei pelas personificações da Calúnia, Malícia, Fraude e Inveja. São seguidos pelo Remorso, a esquerda. Uma velha que vira o rosto para a Verdade. A nudez da Verdade a conecto com o jovem inocente, cujas mãos atadas mostram um apelo a um poder maior. Cochichando no ouvido do rei estão Ignorância e Desconfiança.
Já a calúnia que levou à prisão de dezenas de ativistas inclui corações partidos, traições, planos incendiários, personagens principais e secundários. Seria cômico se isso tudo não implicasse pessoas presas, torturadas e difamadas.
Para entender a profundidade do poço de vergonha que polícia civil, juiz e Ministério Público cavaram, eu listei alguns dos fatos mais interessantes do processo. Ajude a completar a lista nos comentários!
Malícia:
- Escuta em advogada: proibido pela lei nº 11.767/08 [1], fere o Estado Democrático de Direito, uma vez que ataca o direito de defesa.
- Sigilo do processo: o processo não pôde ser apreciado pelo advogado de defesa, nem pelo desembargador responsável por avaliar o pedido de habeas corpus. Entretanto, a Rede Goebbles teve acesso a todo o processo, incluindo escutas. Delegado e jornalistas poderias responder pelos crimes, se houvesse justiça.
- Crime inexistente: os manifestantes foram presos por planejar cometer crimes, conhecido como "crime de pensamento". Ou seja, o delegado "previu" que crimes ocorressem, por isso prendeu todo mundo.
- Sininho foi presa em Porto Alegre, o que indica o conluio entre o Secretário Estadual de Segurança Beltrame e o Ministro da Justiça Cardozo. Pezão (PMDB) e Dilma (PT) se mostram unidos para reprimir.
Inveja e Remorso:
As principais testemunhas de acusação são pessoas que tinham razões pessoais para prejudicar alguns manifestantes.
- Clayton: rapaz vulnerável, com visíveis problemas mentais, confessou ser apaixonado por Sininho e se arrepender das acusações;
- Felipe Bráz: foi expulso do movimento por atitudes machistas. Em entrevista[2], chamou o Desembargador Siro Darlan de "viado" e mostrou estar muito feliz com a prisão da Sininho. Além disso, responde à pergunta da jornalista com "Pô, você deve ser muito gatinha, mas por que eu falaria isso pra você?".
- Anne Josephine: companheira de Game Over, que foi traída quando este namorou com Sininho.
Ignorância:
- Inquérito coloca o filósofo Bakunin, morto em 1876, como potencial suspeito.
- Em um depoimento, Sininho foi acusada de carregar 3 galões com 10 litros de gasolina cada um. Essa mulher é forte mesmo!
Fraude:
- Escutas mencionavam canetas, livros, drinques e pisca-pisca. Estes foram interpretados pela polícia como sendo rojões e coquetéis molotov.
- Arma apreendida tinha licença e não era dos acusados, mas do pai de uma das presas. Ao chegar na delegacia, a arma foi incluída como prova contra todos, pois estava com a licença vencida.
- Outras provas incluem: saca-rolhas, grampeador, fita adesiva, caixa de papelão, revistas, jornais, bandeiras, camisetas pretas e mouse;
- Ligação entre Sininho e o pai, onde ela diz que não queria ir para Minas Gerais, pois "o negócio lá estava pegando fogo". Ou seja, ela foi incriminada por estar com receio de ser incriminada. Além disso, o verbo "bombar" e "patriotada nojenta" também incriminam os subversivos.
- Comprar quentinhas para manifestantes também está proibido.
- Outra acusação foi a de a advogada Eloisa Samy realizar reuniões em casa.
- Os mandados de prisão indicavam crimes contra a propriedade intelectual, como possuir software pirata [3]. Só ao chegar na delegacia, os presos descobriram que estavam sendo indiciados por formação de quadrilha armada.
- Ministério Público leu o processo de 2.000 páginas e indiciou manifestantes em apenas 2 horas.
Calúnia
- A Rede Goebbles foi a grande articuladora que, em conluio com delegado e juiz, transformou a atividade política em crime.
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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Imagem: Calunnia (Botticelli)
[1] - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11767.htm
[2] - http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-24/ex-lider-da-fip-e-a-principal-testemunha-em-inquerito-contra-ativistas.html
[3] - http://youtu.be/SIf4HD7ppJk
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