domingo, 8 de fevereiro de 2015

Lapa Presente

Neste sábado, 7 de fevereiro, celebrávamos um aniversário em um bar da Lapa quando policiais da operação Lapa Presente decidiram revistar dois garotos, na calçada próxima. Tendo em vista o histórico da PM carioca, decidi filmar a ação para garantir a segurança dos garotos.

Neste momento o Cabo Freitas, que comandava a operação, decidiu mostrar toda a sua autoridade e mandou eu ficasse de cara contra a parede. Eu perguntei se era suspeito de algo para ser tratado daquele jeito. Outro policial disse apenas que se a imagem que eu fazia com a minha câmera vazasse, eles poderiam saber quem a gerou.

Jogar contra a parede quem filma, especialmente quem trabalha com isso como eu, vai contra as nossas liberdades democráticas duramente conquistadas.

Como o policial não encontrou nada comigo, decidiu atingir a mulher que estava comigo. Pediram não só a identidade como quiseram revistar sua bolsa. Óbvio que ninguém deve entregar a bolsa a uma pessoa dessas, visto que existem muitos relatos de que eles carregam o "kit-flagrante", normalmente um pouco de droga.

Dissemos que abriríamos a bolsa e mostraríamos o que estava dentro, mas sem entregar nas mãos do policial. Este repetiu com voz mais autoritária que queria a bolsa, aumentando a tensão, até que ele disse que estava ordenando. Foi quando o policial puxou a mulher pelo braço, o que deixou os presentes muito indignados.

A tensão foi aumentando até que o Cabo Fritas decidiu que havia sido ofendido pelas filmagens e pelas pessoas que eram jogadas contra a parede e tinham seus pertences revirados.

Eu fui detido apenas para averiguação, como na época da ditadura. Infelizmente, minha companheira irá responder por desacato. Apesar de estarem filmando, os policiais não tinham nenhuma prova da infração.

A Operação Lapa presente tem constrangido centenas de frequentadores do bairro boêmio. Os abusos de autoridade são frequentes. Policiais mostram seu total desprepara para lidar com a população. Querem apenas exercer sua autoridade. Deve ser baixa auto-estima ou coisa pior. Somos, cada vez mais, reféns de um Estado Policial que trata o cidadão como inimigo.

Eu também quero o fim da Polícia Militar!




- Queria agradecer à Dr. Natasha Zadorosny por sair de casa no meio da noite e ir à delegacia nos atender.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Preto no Branco

PRETO NO BRANCO

Não é a primeira vez que Sívia Pilz irrita leitores ao expelir preconceito e raiva sem nem mesmo perceber.
Para demonstrar como essa senhora é uma aberração, vamos analisar um texto seu, "Preto no Branco".
(http://oglobo.globo.com/blogs/silvia-pilz/posts/2014/07/15/preto-no-branco-542612.asp)

"Eu quero voltar pro mundo onde anões eram chamados de anões e não de pessoas verticalmente prejudicadas. De cara, um anão assusta, assim como, de cara, crianças com Síndrome de Down também nos causam certo desconforto."

Quem usa o termo "pessoas verticalmente prejudicadas"? Nunca ouvi, mas acho que foi uma piada. Ih... foi uma piada! Super-preconceituosa, pra começar. Alguém pode até se assustar ao ver um anão, mas isso indica uma aversão ao incomum, mas conhecido como "intolerância". Tão absorvida pelo seu modelo de pessoa, a Sílvia esqueceu que antes de ser anão ou ter Síndrome de Down, as pessoas sentem da mesma forma, têm sonhos, têm pessoas queridas, alegrias, comem, bebem e se divertem. Tantas coisas em comum, mas o cérebro da Sílvia se concentra no diferente.

"Disfarçar o estranhamento é mais vergonhoso que demonstrá-lo. É covardia. Crianças não disfarçam. Perguntam, tentam entender e optam por se aproximar ou não. É tão, mas tão hipócrita essa regra de tratar o diferente com naturalidade que chega a ser uma forma de desprezo invertido."

Por que alguém disfarçaria o estranhamento? Por respeito e pra não deixar o outro desconfortável, talvez. A maioria de nós se importa com o que o outro sente. Talvez a Sílvia desconheça a empatia.

Pra piorar, o argumento de que deveríamos fazer como as crianças é simplesmente ridículo. Crianças são maravilhosas para aprender, trazem alegria, são fofas às vezes, mas podem ser extremamente cruéis e erram com frequência. Hipocrisia é agir como uma criança e usar isso como se fosse algo nobre.

"Eu quero voltar pro mundo onde negros eram chamados de negros, já que chamá-los de afrodescendentes não mudou em nada o preconceito que eles sofrem, sofreram ou sofrerão. Todo mundo quer ser branco e ter olhos claros. Negras alisam cabelos, pais e mães, quando resolvem adotar bebês, vão pro Sul do país. Se bem que os mini-afrodescentes estão em alta. Simbolizam o "eu não tenho preconceito", porque o que acontece em Hollywood, depois de um tempinho, acontece aqui. Parece uma espécie de campanha na qual quem adotar o mais feio garante seu lugar no céu."

Vale lembrar que as palavras tem uma conotação forjada pela cultura. Assim, as palavras podem trazem consigo uma forte carga de preconceito. Ao mesmo tempo, uma senhora branca como a Sílvia nunca sentiu na pele como é ser negra no Brasil, não foi perseguida pelo segurança do shopping, não foi destratada pela polícia, nem deixou de ganhar um emprego pelo racismo de quem poderia contrata-la. Portanto, Sílvia nunca entenderá. Mesmo que tivesse empatia, ela não entenderia a força de palavras preconceituosas.

Por falar em palavras, quem usa "afrodescendente"? Professor de história, talvez. Tenho usado a palavra "negro" quase sempre para discutir preconceito. Se você está reduzindo outras pessoas à cor de sua pele, não se engane, você é preconceituoso.

O ápice do preconceito, entretanto, foi quando ela disse que todos querem ser brancos. Existe muita pressão cultural para parecermos com a Barbie e o Ken, mas isso não demostra a saúde da sociedade e sim sua doença, seus fetiches inventados.

Além disso, nem todos perseguem um padrão de beleza europeu. Estude a história do Movimento Negro, Sílvia, que você verá que muitos acham que black is beutiful!

Ainda neste mesmo parágrafo, Sílvia associou o "negro" a "feio". Feia é você! Por ser preconceituosa e ignorante.

"O colono sofre desse mal. Ele quer ser parecido com quem o colonizou. Deve ser instintivo, primitivo. Como diria um dos meus melhores amigos, se Michael Jackson acordasse no enterro dele, teria uma síncope ao ver tantos pretos ao seu redor. Melhor exemplo de preto que detestava ser preto não há."

Respire fundo! Agora ela confundiu as palavras "colono" com "colonizado". Não esperava muito de alguém que escreve para O Globo, mas entender o sentido das palavras é básico para colunistas. Curso de redação para a Sílvia, já!

Ela completa mencionando Michael Jackson. Não sei se ele odiava ser negro, mas o importante aí é perceber o uso de uma falácia lógica: viés de confirmação. Nesta falácia, usa-se exemplos que confirmem a teoria e ignora-se os contrários. Ela usou o exemplo do Michael que, supostamente, odiava se negro e esqueceu de mencionar as pessoas que amam ser negras.

Na foto, Tommie Smith depois de derrubar a barreira dos 20 segundos nos 200 metros rasos nos Jogos Olímpicos de 1968, ergueu o punho fechado, uma saudação do Black Power.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Agitadores, não passarão!

AGITADORES, NÃO PASSARÃO!

O poder estabelecido no Palácio Guanabara e do Planalto foram sempre hostis às manifestações que eclodiram a partir de Junho de 2013. Para sufocar a tentativa do povo de tomar o poder, os governantes usaram das táticas mais indecentes. Esperar o quê de comandos de batalhões nazifascistas como os da PMERJ?

As táticas de repressão incluíam os famigerados Policiais Infiltrados (P2 ou Papa 2). Esses policiais são vistos em vários momentos nas manifestações, seja quebrando vidros [1], ou atirando coquetéis molotov [2]. Na visita do Papa, por exemplo, haviam dezenas destes policiais infiltrados [3].

Os objetivos principais de infiltrar agentes da Polícia Militar entre os manifestantes são: adquirir informações, ações localizadas e, principalmente, criar justificativas para ações violentas de repressão, quebrando um vidro de banco, por exemplo. Outro efeito indireto dessa tática é a ruptura interna, pois os manifestantes passam a não confiar em desconhecidos nas ruas, gerando uma paranoia e tolhendo o apoio mútuo.

Além disso, as forças de repressão usaram táticas mais elaboradas para conseguir informações - os policiais infiltrados nos grupos. Também chamados de P2, esses policiais se distinguem dos anteriores por não participar apenas das manifestações, mas também por se infiltrar em assembleias, reuniões e até mesmo nas rodinhas de bar. A forma de atuação desses infiltrados envolvia buscar confiança e amizade dos manifestantes, às vezes pagando bebidas e fazendo outros pequenos favores. Fica o alerta: quando a esmola é muita, desconfie.

Outro tipo de delator é o que se envolveu de alguma forma com os manifestante mas, por desentendimentos pessoais, decidiu se vingar fazendo acusações absurdas e criando inverdades. Este é o caso de Clayton, Felipe Bráz e Anne Josephine, os delatores do processo contra os 23 manifestantes presos na Copa do Mundo [4]. Estes delatores são os mais perigosos pois suas mentiras são tratadas como se fossem confissões de um ex-manifestante, que saiu por discordar dos rumos que os radicais tomaram. Na verdade, são quase sempre expulsos, mas insistem na mentira e dizem ter saído por divergências ideológicas.

Depois de muito sofrer com esses traíras, os manifestantes ganharam muita experiência em identificar pessoas assim e está cada vez mais difícil para os inimigos do povo agir com esse tipo de malícia.

Neste sentido, os grupos organizados deveriam estar trabalhando muito bem, depois de tamanha experiência adquirida. Entretanto, existe um último tipo de pessoa que continua a minar os grupos e a criar discórdia e desconfiança: o agitador.

O agitador é, em geral, uma pessoa com muita energia para os trabalhos, mas que tem uma lupa que enxerga bem os pequenos erros e falhas dos outros companheiros. Note que este tipo normalmente se apoia em suas colaborações e gasta muito tempo para convencer a todos que seu trabalho é essencial. Por outro lado, ele cobra dos companheiros um posicionamento ideológico e comportamento prático parecido ou idêntico ao seu. Quando alguém discorda dele, esta pessoa se torna inimiga pessoal. O agitador irá usar de xingamentos, ameaças, acusações, mentiras, meias-verdades e outras armas para se vingar dos seus inimigos.

Outra característica do agitador é o perfil mandão, agressivo e paranoico: quem não está comigo é contra mim. É natural que este parasita queira aliciar outros membros nos grupos e trazê-los para o seu lado. Os que concordam com ele em determinados assuntos são intimados a tomar as suas dores. Os que não fazem como ele manda, sentirão a sua ira.

Diferente dos policiais infiltrados, o agitador tem ideologia parecida com a dos manifestantes. Ele diz pensar assim para ganhar a confiança dos outros companheiros. Entretanto, essa aparente concordância tem algumas limitações. Em seus comentários peçonhentos e raivosos, você sempre encontrará resquícios de machismo, homofobia e moralismo.

Assim, os espaços que deveriam ser de construção coletiva, para conscientização e ação política, tornam-se panelinhas. Viram um espaço cênico de espetáculo social, onde a estética fala mais alto que a ética.

Os resultados práticos desse tipo de parasitismo são a ruptura interna e o diminuição do apoio mútuo, muito parecido ao efeito dos P2.

O desafio atual do movimento político que se organizou a partir de Junho de 2013 é identificar os agitadores e se proteger de seus venenos. Os agitadores normalmente têm um histórico de vacilações que geraram a discórdia em grupos, não sendo difícil, portanto, o seu reconhecimento. Quando alguém estiver desarticulando o seu grupo, pegunte aos companheiros mais antigos se essa pessoa já não provocou o mesmo em grupos anteriores.

Concluindo, a proteção contra esse tipo de gente é aprofundarmos a colaboração e confiança entre os companheiros mais comprometidos com a luta social e menos preocupados com seus traumas internos.

Agitadores, não passarão!

[1] http://youtu.be/RsLM9AcJHXk?t=43s
[2] https://www.youtube.com/watch?v=OC_rns9bSG0
[3] https://www.youtube.com/watch?v=6p63miupDx8
[4] - Clayton: rapaz vulnerável, com visíveis problemas mentais, confessou ser apaixonado por Sininho e se arrepender das acusações;
- Felipe Bráz: foi expulso do movimento por atitudes machistas. Em entrevista para O Dia ( http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-24/ex-lider-da-fip-e-a-principal-testemunha-em-inquerito-contra-ativistas.html), chamou o Desembargador Siro Darlan de "viado" e mostrou estar muito feliz com a prisão da Sininho. Além disso, responde à pergunta da jornalista com "Pô, você deve ser muito gatinha, mas por que eu falaria isso pra você?".
- Anne Josephine: companheira de um ex-namorado da Elisa Quadros (Sininho), que se sentiu traída com a relação destes dois.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SLAVOJ ZIZEK NO COMÍCIO DO SYRIZA

SLAVOJ ZIZEK NO COMÍCIO DA SYRIZA

O sul da Europa tem enfrentado grandes desafios desde a crise de 2008. Quando a bolha econômica estourou nos EUA, uma onda abalou as dívidas públicas e os bancos europeus. Como acontece em todas as crises do Capitalismo, os Estados europeus trabalharam duro para garantir que os 1% mais ricos não fossem prejudicados, o que resultou na política de austeridade.

Como resposta a essa política que levou a um desemprego recorde, a esquerda se uniu em torno de novos projetos como o Podemos espanhol, com 5 deputados no Parlamento Europeu, e a Syriza grega, que venceu as eleições gerais neste domingo, prometendo acabar com a política de austeridades.

Em terras tupiniquins, os reflexos da crise demoraram pra chegar. A política de aumentar o consumo de produtos nacionais, como carne bovina e carros, aliada ao crescimento econômico impulsionado pelo Pré-sal, fez com que o Brasil não sentisse de toda a profundidade da crise.

Em 2015, no entanto, a presidenta Dilma colocou um ministro-banqueiro para gerir as contas brasileiras, implantando o plano levyano de austeridades. Já perdemos direitos trabalhistas [1] no primeiro mês dessa política e o aumento dos juros irá consumir até R$ 10 bilhões dos cofres públicos [2]. Ou seja, a política de austeridades chegou ao Brasil e pretende garantir os lucros dos banqueiros e empresários.

QUAL SERÁ A RESPOSTA DA ESQUERDA BRASILEIRA?

Poderíamos dividir a esquerda brasileira em três grupos que disputam o espaço criado desde Junho de 2013. Parte está envolvida com o projeto político do PSol [3] e outros partidos de esquerda. Outros acreditam que apenas as ruas poderão responder aos anseios do povo. Um terceiro grupo pretende ainda traduzir a fórmula criada pelo Podemos na Espanha.

Qual desses grupos irá conquistar o espaço vazio na esquerda política do Brasil? As cenas dos próximos capítulos prometem.

A quadrilha do Levy tem um amplo espaço de tempo para assaltar o povo Brasileiro e é imprescindível que nos organizemos para evitar que levem tudo. Escolha um espaço de atuação e ajude a se salvar, antes que seja tarde demais. Precisamos de você!

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi

[1] http://www.cartacapital.com.br/revista/833/punhalada-fiscal-5133.html
[2] http://tribunadainternet.com.br/com-a-alta-da-selic-governo-pagara-mais-10-bilhoes-em-juros/
[3] http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-10-22/psol-elege-cinco-deputados-federais-e-mira-papel-de-oposicao-deixado-pelo-pt.html

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Operação em Acari 30/10

Neste momento a polícia está fazendo uma operação na Comunidade de Acari. Policiais do BOPE encapuzados e sem identificação espalham o terror entre os morados. São denúncias de insultos e revistas aleatórias, além de invasão e destruição de residências sem mandados.
Sugerimos que os moradores registrassem a operação, mas fomos advertidos que é comum que os policiais roubem os celulares quando verificam a tentativa de filmagem.

A violência da polícia é tamanha que chegaram a jogar um copo de café quente no rosto de um rapaz de 17 anos. Completaram a violência ameaçando: "Se abrir a boca para alguém, vai se foder!"

Desde às 5 da manhã, o caveirão aéreo sobrevoou a Comunidade, espalhando ainda mais medo da eminência de tiros de grosso calibre que atravessam as paredes das casas.

Moradores impotentes se reúnem na casa de parentes. O apoio mútuo é o único consolo neste momento de medo e tensão.

Como Acari é uma favela distante e não aparece no noticiário, os policiais sentem-se mais livres para abusar da população. "Aqui não é favela de zona sul. Ninguém aqui vai virar Amarildo, nem DG." Douglas Rafael da Silva Pereira (DG) era dançarino da Rede Globo e foi morto na madrugada de 22 de abril no Pavão-Pavãozinho.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA

PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Prisões

Dia 15 de outubro de 2013, eu e mais de 70 pessoas foram presas, outra centena levada para a delegacia. Naquela semana, teríamos a privatização de Libra, com valor estimado de até R$ 3 trilhões [1], equivalente a tudo o que o Brasil produz em um ano.

Com a Petrobras ocupada por manifestantes e o Sindipetro colaborando com a ocupação da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, governo estadual e judiciários sofreram uma enorme pressão para prender os manifestantes e, assim, garantir a privatização do campo de petróleo

Índios

A base do governo Dilma é composta da bancada ruralista (ou da bala), que recebe gordos investimentos do BNDES. A grilagem de terra tem ceifado a vida de muitos índios, que ficam no caminho do agronegócio. Para se ter uma ideia, no período FHC morriam em média 21 índios assassinados por ano. Dilma fez esse número aumentar em 150%.

Além disso, Belo Monte, que não trará a energia prometida, mas servirá apenas para encher os bolsos das empreiteiras e dos amigos de Sarney-Lobão, está destruindo a vida de inúmeros índios que vivem perto da usina.

Terra

Ao apoiar o agronegócio, Dilma também estancou qualquer possibilidade de realizar a reforma agrária. Hoje temos 120 mil famílias sem-terra acampadas, mas Dilma assenta apenas 30 mil por ano. No governo FHC, eram assentadas 45 mil famílias por ano, em média.

Copa

A Copa do Mundo foi um verdadeiro sucesso para as empreiteiras que patrocinaram as campanhas. Só no Maracanã, o preço da reforma foi de R$ 1,2 bilhões, R$800 milhões acima do valor inicial. Essa roubalheira foi financiada com o nosso dinheiro.

Além dos roubos, tivemos vários amigos sendo perseguidos, investigados, processados, ossos quebrados, presos, difamados, expostos e torturados. A Força de Segurança Nacional infiltrou um araponga no meio do movimento social.

Fuzil da guerrilheira

Também não votarei na Dilma por respeito às pessoas que estão sofrendo ou morrendo em decorrência da política do governo federal, como:

- Moradores da Maré, que sofrem com a ocupação militar;
- 217 mil presos que aguardam julgamento no Brasil;
- 15 pessoas que desapareceram por dia no Estado do Rio de Janeiro;
- 120 travestis mortos por ano no Brasil que é líder mundial da categoria;
- 1 milhão de mulheres que fazem aborto clandestino e 250 mil que são internadas no SUS por complicações decorrentes de tal procedimento;

Como escolher entre o menos pior neste caso?
Como votar em quem me ataca ferozmente?


[1] http://www.offshore-technology.com/projects/libra-oil-field-santos-basin/

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA

TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA

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Vídeo: Ellan Lustosa | Cinza Sem Filtro
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Nesta terça-feira 30 de setembro, tivemos o lançamento da

Campanha Unificada: Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.

O evento ocorreu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no campus Praia Vermelha.

Contamos com a presença especial de Marilene Silva, mãe de Caio Silva, uma das vítimas do julgamento prévio e tendencioso que colocou dois manifestantes na cadeia. O Estado e o monopólio da imprensa transformaram um acidente em homicido doloso (quando há a intenção de matar). Mesmo sabendo que o rojão-de-vara sem a vara não tem direção definida, o Judiciário decidiu punir os dois rapazes para que sirvam de exemplo, em uma tentativa covarde de amedrontar outros manifestantes.

Vale lembrar que quase 90% das agressões contra jornalistas são provocadas por policiais [1]. Além disso, o cinegrafista Santiago Andrade estava filmando sozinho naquele dia, sem um colega que o auxiliasse com a segurança, em uma área de risco. Pior ainda é o fato da Rede Bandeirantes não ter disponibilizado equipamento de segurança. Só a Bandeirantes já teve 2 cinegrafistas mortos nos últimos anos [2]. Este monopólio de imprensa, que ignora a segurança de seus funcionários, foi o grande responsável pela condenação antecipada dos jovens.

Outro fato importante é que Caio e Fábio se entregaram, com a esperança de aguardar o julgamento em liberdade. É tradição do Judiciário permitir que o réu se defenda em liberdade, neste caso. Entretanto, existem muitas evidências de que o Judiciário não está tratando este julgamento. Fica clara a vontade de transformar o caso em um exemplo, em uma tentativa covarde de intimidar outros manifestantes.

Além disso, Marilene relata que o filho está muito transtornado com a morte do cinegrafista. Sendo esta morte um peso maior do que a própria prisão.

Chamar a Penitenciária de Bangu de prisão é um eufemismo. A sociedade sabe que este lugar é uma câmara de tortura. Chamaremos de justiça quando dois jovens, acusados de participar de um acidente, são condenados a mais de 7 meses de tortura em Bangu?

Estes jovens, como muitos outros, foram às ruas para reclamar do preço das passagens. Uma luta que a sociedade apoiou. O Estado, no entanto, não aceita esse tipo rebeldia e condena quem protesta a penas desumanas. Note que a prisão para dar exemplo escancara o Estado de Exceção que vivemos.

A senhora Marilene nos lembrou ainda que nossos governantes são os mesmos que lutaram contra a ditadura, neste caso a dupla de facínoras corruptos PT+PMDB. A vida nos prega peças, das mais irônicas. Os que nos governam agora, são os mesmos que lutaram contra o regime autoritário iniciado em 64. Parece que a única lição que tiveram foi aprender a controlar e oprimir.

Seriam este Estado, a Polícia Militar e a imprensa mercantil compatíveis com a democracia?

Todos os fatos nos mostram que não, pois estes poderes criminalizam a política das ruas. Como protestar sabendo que a justiça tem ânsia em nos condenar?

Toda essa opressão um dia voltará contra os algozes. PM e PMDB deveriam ter aprendido com a ditadura que é muito difícil governar sem o povo. Não há governo que segure o povo unido.

Todo apoio a Caio e Fábio!


Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=gVfJ2GI-Bu4

[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
[2] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cinegrafista-da-band-morre-com-tiro-em-favela-do-rio,795294