quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Agitadores, não passarão!

AGITADORES, NÃO PASSARÃO!

O poder estabelecido no Palácio Guanabara e do Planalto foram sempre hostis às manifestações que eclodiram a partir de Junho de 2013. Para sufocar a tentativa do povo de tomar o poder, os governantes usaram das táticas mais indecentes. Esperar o quê de comandos de batalhões nazifascistas como os da PMERJ?

As táticas de repressão incluíam os famigerados Policiais Infiltrados (P2 ou Papa 2). Esses policiais são vistos em vários momentos nas manifestações, seja quebrando vidros [1], ou atirando coquetéis molotov [2]. Na visita do Papa, por exemplo, haviam dezenas destes policiais infiltrados [3].

Os objetivos principais de infiltrar agentes da Polícia Militar entre os manifestantes são: adquirir informações, ações localizadas e, principalmente, criar justificativas para ações violentas de repressão, quebrando um vidro de banco, por exemplo. Outro efeito indireto dessa tática é a ruptura interna, pois os manifestantes passam a não confiar em desconhecidos nas ruas, gerando uma paranoia e tolhendo o apoio mútuo.

Além disso, as forças de repressão usaram táticas mais elaboradas para conseguir informações - os policiais infiltrados nos grupos. Também chamados de P2, esses policiais se distinguem dos anteriores por não participar apenas das manifestações, mas também por se infiltrar em assembleias, reuniões e até mesmo nas rodinhas de bar. A forma de atuação desses infiltrados envolvia buscar confiança e amizade dos manifestantes, às vezes pagando bebidas e fazendo outros pequenos favores. Fica o alerta: quando a esmola é muita, desconfie.

Outro tipo de delator é o que se envolveu de alguma forma com os manifestante mas, por desentendimentos pessoais, decidiu se vingar fazendo acusações absurdas e criando inverdades. Este é o caso de Clayton, Felipe Bráz e Anne Josephine, os delatores do processo contra os 23 manifestantes presos na Copa do Mundo [4]. Estes delatores são os mais perigosos pois suas mentiras são tratadas como se fossem confissões de um ex-manifestante, que saiu por discordar dos rumos que os radicais tomaram. Na verdade, são quase sempre expulsos, mas insistem na mentira e dizem ter saído por divergências ideológicas.

Depois de muito sofrer com esses traíras, os manifestantes ganharam muita experiência em identificar pessoas assim e está cada vez mais difícil para os inimigos do povo agir com esse tipo de malícia.

Neste sentido, os grupos organizados deveriam estar trabalhando muito bem, depois de tamanha experiência adquirida. Entretanto, existe um último tipo de pessoa que continua a minar os grupos e a criar discórdia e desconfiança: o agitador.

O agitador é, em geral, uma pessoa com muita energia para os trabalhos, mas que tem uma lupa que enxerga bem os pequenos erros e falhas dos outros companheiros. Note que este tipo normalmente se apoia em suas colaborações e gasta muito tempo para convencer a todos que seu trabalho é essencial. Por outro lado, ele cobra dos companheiros um posicionamento ideológico e comportamento prático parecido ou idêntico ao seu. Quando alguém discorda dele, esta pessoa se torna inimiga pessoal. O agitador irá usar de xingamentos, ameaças, acusações, mentiras, meias-verdades e outras armas para se vingar dos seus inimigos.

Outra característica do agitador é o perfil mandão, agressivo e paranoico: quem não está comigo é contra mim. É natural que este parasita queira aliciar outros membros nos grupos e trazê-los para o seu lado. Os que concordam com ele em determinados assuntos são intimados a tomar as suas dores. Os que não fazem como ele manda, sentirão a sua ira.

Diferente dos policiais infiltrados, o agitador tem ideologia parecida com a dos manifestantes. Ele diz pensar assim para ganhar a confiança dos outros companheiros. Entretanto, essa aparente concordância tem algumas limitações. Em seus comentários peçonhentos e raivosos, você sempre encontrará resquícios de machismo, homofobia e moralismo.

Assim, os espaços que deveriam ser de construção coletiva, para conscientização e ação política, tornam-se panelinhas. Viram um espaço cênico de espetáculo social, onde a estética fala mais alto que a ética.

Os resultados práticos desse tipo de parasitismo são a ruptura interna e o diminuição do apoio mútuo, muito parecido ao efeito dos P2.

O desafio atual do movimento político que se organizou a partir de Junho de 2013 é identificar os agitadores e se proteger de seus venenos. Os agitadores normalmente têm um histórico de vacilações que geraram a discórdia em grupos, não sendo difícil, portanto, o seu reconhecimento. Quando alguém estiver desarticulando o seu grupo, pegunte aos companheiros mais antigos se essa pessoa já não provocou o mesmo em grupos anteriores.

Concluindo, a proteção contra esse tipo de gente é aprofundarmos a colaboração e confiança entre os companheiros mais comprometidos com a luta social e menos preocupados com seus traumas internos.

Agitadores, não passarão!

[1] http://youtu.be/RsLM9AcJHXk?t=43s
[2] https://www.youtube.com/watch?v=OC_rns9bSG0
[3] https://www.youtube.com/watch?v=6p63miupDx8
[4] - Clayton: rapaz vulnerável, com visíveis problemas mentais, confessou ser apaixonado por Sininho e se arrepender das acusações;
- Felipe Bráz: foi expulso do movimento por atitudes machistas. Em entrevista para O Dia ( http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-07-24/ex-lider-da-fip-e-a-principal-testemunha-em-inquerito-contra-ativistas.html), chamou o Desembargador Siro Darlan de "viado" e mostrou estar muito feliz com a prisão da Sininho. Além disso, responde à pergunta da jornalista com "Pô, você deve ser muito gatinha, mas por que eu falaria isso pra você?".
- Anne Josephine: companheira de um ex-namorado da Elisa Quadros (Sininho), que se sentiu traída com a relação destes dois.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SLAVOJ ZIZEK NO COMÍCIO DO SYRIZA

SLAVOJ ZIZEK NO COMÍCIO DA SYRIZA

O sul da Europa tem enfrentado grandes desafios desde a crise de 2008. Quando a bolha econômica estourou nos EUA, uma onda abalou as dívidas públicas e os bancos europeus. Como acontece em todas as crises do Capitalismo, os Estados europeus trabalharam duro para garantir que os 1% mais ricos não fossem prejudicados, o que resultou na política de austeridade.

Como resposta a essa política que levou a um desemprego recorde, a esquerda se uniu em torno de novos projetos como o Podemos espanhol, com 5 deputados no Parlamento Europeu, e a Syriza grega, que venceu as eleições gerais neste domingo, prometendo acabar com a política de austeridades.

Em terras tupiniquins, os reflexos da crise demoraram pra chegar. A política de aumentar o consumo de produtos nacionais, como carne bovina e carros, aliada ao crescimento econômico impulsionado pelo Pré-sal, fez com que o Brasil não sentisse de toda a profundidade da crise.

Em 2015, no entanto, a presidenta Dilma colocou um ministro-banqueiro para gerir as contas brasileiras, implantando o plano levyano de austeridades. Já perdemos direitos trabalhistas [1] no primeiro mês dessa política e o aumento dos juros irá consumir até R$ 10 bilhões dos cofres públicos [2]. Ou seja, a política de austeridades chegou ao Brasil e pretende garantir os lucros dos banqueiros e empresários.

QUAL SERÁ A RESPOSTA DA ESQUERDA BRASILEIRA?

Poderíamos dividir a esquerda brasileira em três grupos que disputam o espaço criado desde Junho de 2013. Parte está envolvida com o projeto político do PSol [3] e outros partidos de esquerda. Outros acreditam que apenas as ruas poderão responder aos anseios do povo. Um terceiro grupo pretende ainda traduzir a fórmula criada pelo Podemos na Espanha.

Qual desses grupos irá conquistar o espaço vazio na esquerda política do Brasil? As cenas dos próximos capítulos prometem.

A quadrilha do Levy tem um amplo espaço de tempo para assaltar o povo Brasileiro e é imprescindível que nos organizemos para evitar que levem tudo. Escolha um espaço de atuação e ajude a se salvar, antes que seja tarde demais. Precisamos de você!

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi

[1] http://www.cartacapital.com.br/revista/833/punhalada-fiscal-5133.html
[2] http://tribunadainternet.com.br/com-a-alta-da-selic-governo-pagara-mais-10-bilhoes-em-juros/
[3] http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-10-22/psol-elege-cinco-deputados-federais-e-mira-papel-de-oposicao-deixado-pelo-pt.html

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Operação em Acari 30/10

Neste momento a polícia está fazendo uma operação na Comunidade de Acari. Policiais do BOPE encapuzados e sem identificação espalham o terror entre os morados. São denúncias de insultos e revistas aleatórias, além de invasão e destruição de residências sem mandados.
Sugerimos que os moradores registrassem a operação, mas fomos advertidos que é comum que os policiais roubem os celulares quando verificam a tentativa de filmagem.

A violência da polícia é tamanha que chegaram a jogar um copo de café quente no rosto de um rapaz de 17 anos. Completaram a violência ameaçando: "Se abrir a boca para alguém, vai se foder!"

Desde às 5 da manhã, o caveirão aéreo sobrevoou a Comunidade, espalhando ainda mais medo da eminência de tiros de grosso calibre que atravessam as paredes das casas.

Moradores impotentes se reúnem na casa de parentes. O apoio mútuo é o único consolo neste momento de medo e tensão.

Como Acari é uma favela distante e não aparece no noticiário, os policiais sentem-se mais livres para abusar da população. "Aqui não é favela de zona sul. Ninguém aqui vai virar Amarildo, nem DG." Douglas Rafael da Silva Pereira (DG) era dançarino da Rede Globo e foi morto na madrugada de 22 de abril no Pavão-Pavãozinho.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA

PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Prisões

Dia 15 de outubro de 2013, eu e mais de 70 pessoas foram presas, outra centena levada para a delegacia. Naquela semana, teríamos a privatização de Libra, com valor estimado de até R$ 3 trilhões [1], equivalente a tudo o que o Brasil produz em um ano.

Com a Petrobras ocupada por manifestantes e o Sindipetro colaborando com a ocupação da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, governo estadual e judiciários sofreram uma enorme pressão para prender os manifestantes e, assim, garantir a privatização do campo de petróleo

Índios

A base do governo Dilma é composta da bancada ruralista (ou da bala), que recebe gordos investimentos do BNDES. A grilagem de terra tem ceifado a vida de muitos índios, que ficam no caminho do agronegócio. Para se ter uma ideia, no período FHC morriam em média 21 índios assassinados por ano. Dilma fez esse número aumentar em 150%.

Além disso, Belo Monte, que não trará a energia prometida, mas servirá apenas para encher os bolsos das empreiteiras e dos amigos de Sarney-Lobão, está destruindo a vida de inúmeros índios que vivem perto da usina.

Terra

Ao apoiar o agronegócio, Dilma também estancou qualquer possibilidade de realizar a reforma agrária. Hoje temos 120 mil famílias sem-terra acampadas, mas Dilma assenta apenas 30 mil por ano. No governo FHC, eram assentadas 45 mil famílias por ano, em média.

Copa

A Copa do Mundo foi um verdadeiro sucesso para as empreiteiras que patrocinaram as campanhas. Só no Maracanã, o preço da reforma foi de R$ 1,2 bilhões, R$800 milhões acima do valor inicial. Essa roubalheira foi financiada com o nosso dinheiro.

Além dos roubos, tivemos vários amigos sendo perseguidos, investigados, processados, ossos quebrados, presos, difamados, expostos e torturados. A Força de Segurança Nacional infiltrou um araponga no meio do movimento social.

Fuzil da guerrilheira

Também não votarei na Dilma por respeito às pessoas que estão sofrendo ou morrendo em decorrência da política do governo federal, como:

- Moradores da Maré, que sofrem com a ocupação militar;
- 217 mil presos que aguardam julgamento no Brasil;
- 15 pessoas que desapareceram por dia no Estado do Rio de Janeiro;
- 120 travestis mortos por ano no Brasil que é líder mundial da categoria;
- 1 milhão de mulheres que fazem aborto clandestino e 250 mil que são internadas no SUS por complicações decorrentes de tal procedimento;

Como escolher entre o menos pior neste caso?
Como votar em quem me ataca ferozmente?


[1] http://www.offshore-technology.com/projects/libra-oil-field-santos-basin/

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA

TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA

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Vídeo: Ellan Lustosa | Cinza Sem Filtro
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Nesta terça-feira 30 de setembro, tivemos o lançamento da

Campanha Unificada: Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.

O evento ocorreu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no campus Praia Vermelha.

Contamos com a presença especial de Marilene Silva, mãe de Caio Silva, uma das vítimas do julgamento prévio e tendencioso que colocou dois manifestantes na cadeia. O Estado e o monopólio da imprensa transformaram um acidente em homicido doloso (quando há a intenção de matar). Mesmo sabendo que o rojão-de-vara sem a vara não tem direção definida, o Judiciário decidiu punir os dois rapazes para que sirvam de exemplo, em uma tentativa covarde de amedrontar outros manifestantes.

Vale lembrar que quase 90% das agressões contra jornalistas são provocadas por policiais [1]. Além disso, o cinegrafista Santiago Andrade estava filmando sozinho naquele dia, sem um colega que o auxiliasse com a segurança, em uma área de risco. Pior ainda é o fato da Rede Bandeirantes não ter disponibilizado equipamento de segurança. Só a Bandeirantes já teve 2 cinegrafistas mortos nos últimos anos [2]. Este monopólio de imprensa, que ignora a segurança de seus funcionários, foi o grande responsável pela condenação antecipada dos jovens.

Outro fato importante é que Caio e Fábio se entregaram, com a esperança de aguardar o julgamento em liberdade. É tradição do Judiciário permitir que o réu se defenda em liberdade, neste caso. Entretanto, existem muitas evidências de que o Judiciário não está tratando este julgamento. Fica clara a vontade de transformar o caso em um exemplo, em uma tentativa covarde de intimidar outros manifestantes.

Além disso, Marilene relata que o filho está muito transtornado com a morte do cinegrafista. Sendo esta morte um peso maior do que a própria prisão.

Chamar a Penitenciária de Bangu de prisão é um eufemismo. A sociedade sabe que este lugar é uma câmara de tortura. Chamaremos de justiça quando dois jovens, acusados de participar de um acidente, são condenados a mais de 7 meses de tortura em Bangu?

Estes jovens, como muitos outros, foram às ruas para reclamar do preço das passagens. Uma luta que a sociedade apoiou. O Estado, no entanto, não aceita esse tipo rebeldia e condena quem protesta a penas desumanas. Note que a prisão para dar exemplo escancara o Estado de Exceção que vivemos.

A senhora Marilene nos lembrou ainda que nossos governantes são os mesmos que lutaram contra a ditadura, neste caso a dupla de facínoras corruptos PT+PMDB. A vida nos prega peças, das mais irônicas. Os que nos governam agora, são os mesmos que lutaram contra o regime autoritário iniciado em 64. Parece que a única lição que tiveram foi aprender a controlar e oprimir.

Seriam este Estado, a Polícia Militar e a imprensa mercantil compatíveis com a democracia?

Todos os fatos nos mostram que não, pois estes poderes criminalizam a política das ruas. Como protestar sabendo que a justiça tem ânsia em nos condenar?

Toda essa opressão um dia voltará contra os algozes. PM e PMDB deveriam ter aprendido com a ditadura que é muito difícil governar sem o povo. Não há governo que segure o povo unido.

Todo apoio a Caio e Fábio!


Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=gVfJ2GI-Bu4

[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
[2] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cinegrafista-da-band-morre-com-tiro-em-favela-do-rio,795294

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Liberdade para Rafael Braga. Para Fábio e Caio Não?

CAIO, RAFAEL E FÁBIO: VÍTIMAS DO SISTEMA

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Muito criticamos a manipulação da mídia mercantil que criminaliza a manifestação popular. Entretanto, essa manipulação não atinge apenas coxinhas que assistem o Jornal da Goebbles. Fico surpreendido mesmo quando esse discurso incriminatório atinge manifestantes de longa data.

Aqui no Rio, temos três detentos considerados presos políticos: Rafael Braga, Fabio Raposo e Caio Silva Rangel. O primeiro, foi preso apenas por ser negro, catador e estar no meio da maior manifestação da história do Brasil. Os dois outros foram acusados de assassinar o cinegrafista Santiago Andrade utilizando um rojão.

NEM MANIFESTANTE ELE É

O que eu mais ouço é dizerem que o caso do Rafael é diferente porque nem manifestante ele era. Implícito neste pensamento está a criminalização da manifestação. Manifestante ou não, as pessoas deveriam ter um tratamento igual pela "Justiça". Manifestar não é crime, lembra?

Ao diferenciarmos Caio e Fábio por serem manifestantes, estamos caindo como palhaços na armadilha do Estado e da mídia mercantil. Pior ainda, estamos aceitando a nossa própria criminalização.

AUMENTAR A REPRESSÃO OU ENFRENTAR A MÁFIA DO TRANSPORTE?

Em janeiro e fevereiro deste ano, as manifestações estavam crescendo, o aumento da passagem já havia ocorrido e os catracaços eram diários.

As alternativas do governo eram: reprimir as manifestações violentamente ou voltar atrás nos aumentos. Qualquer das opções seria um desastre. Colocamos o governo em um dilema de decisão, contra a parede. Se reprimissem, a população poderia voltar às ruas como em junho de 2013. Se abaixassem os preços, teriam que enfrentar as máfias do transporte público.

A MORTE QUE SALVOU O GOVERNO

A morte do Santiago salvou o governo do dilema. Depois disso, a opção pela repressão violenta estava clara e justificada. Centenas de manifestantes foram investigados e ameaçados. A defesa dos rapazes foi criminalizada.

Colocaram um advogado da milícia para supostamente defendê-los, mas o tal Dr. Jonas Tadeu Nunes apenas acusou e forjou provas. Este carrasco ainda tentou incriminar os que defendiam os garotos, como no caso de acusar Elisa Quadros e Marcelo Freixo. Ligar para o Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ALERJ se tornou crime, ser presidente da CDH se tornou crime.

Quando um manifestante me fala que o caso é diferente porque houve uma morte, eu digo que você está fazendo o jogo da mídia e do governo. Usar a morte para justificar um tratamento diferente de Caio e Fábio é agir como os nossos carrascos.

FÁBIO E CAIO FIZERAM BESTEIRA

Já me falaram também que Caio e Fábio fizeram besteira. Vindo da Rede Bobo, eu não me surpreenderia. Fico estarrecido quando esta afirmação vem de um manifestante.

Primeiro, o que ocorreu foi um acidente. Um rojão-de-vara-sem-vara não possui direção definida. Portanto, eles não poderiam planejar tal ato.

Segundo, o Fábio é visto apenas entregando o rojão pra alguém. Se o incidente não poderia ser planejado, como o Fábio teria controle do que aconteceria? Tudo indica que ele não queria acender o rojão. Pelo simples fato de entregar o rojão na mão de alguém o Fábio merece ficar 7 meses sofrendo torturas na cadeia? Qual o tamanho da besteira que ele fez?

Já no caso do Caio, temos a acusação feita pelo seu advogado de defesa (na época, o Dr. Jonas Tadeu). Somente pelo motivo do acusador ser o advogado de defesa, já temos indícios de que o Caio caiu em uma armadilha. Nas entrevistas à "jornalista" da Rede Goebbles, que viajou com a Polícia Civil, Caio aparece visivelmente atordoado, dizendo que teme pela própria vida.

Pra piorar, a perícia que identifica o Caio como ascendedor do rojão foi forjada nos estúdios da Rede Goebbles [1].

Ou seja, Caio não teve direito a defesa, foi acusado pelo próprio advogado e incriminado pela Globo. Qual a besteira que ele fez?

Quem diz que Caio e Fábio fizeram besteira são a mídia mercantil e o órgãos de repressão do Estado. Você concorda com eles?

PARE DE CRIMINALIZAR A MANIFESTAÇÃO

Por tudo isso, eu gostaria de chamar a atenção de todos os manifestantes que de uma forma ou de outra ajudam a criminalizar a manifestações: pare! Pare de ajudar o governo! Pare de ajudar a mídia mercantil!

Caio, Rafael e Fábio são vítimas de um governo dos ricos, corrupto, racista e fascista. Temos que vencê-los no campo das ideias também.

Liberdade para Caio, Rafael e Fábio!

[1] - http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/perito-confirma-que-caio-souza-lancou-rojao-que-matou-cinegrafista.html

sábado, 13 de setembro de 2014

SP: PM obriga jornalista do Mariachi a deletar suas fotos

Hoje, 13 de setembro, ocorreu o Ato Contra a Farsa Eleitoral, que começou às 15h em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Estavam reunidos manifestantes de vários movimentos populares que se uniram para denunciar que as eleições foram montadas e controladas pelos ricos. Deixando a maioria do povo sem possibilidades reais de participação no poder.

Já na concentração para o ato, os manifestantes pintaram cavaletes e santinhos, dando um novo significado para as propagandas dos políticos.

Quando a manifestação decidiu sair em marcha, a tropa de choque já a cercou, fazendo uma barreira para isolá-los. Mesmo com a intimidação, o ato partiu para a Rua da Consolação. Na Av. Ipiranga, um manifestante colou nas costas de um policial um adesivo com os dizeres "Eleição é farsa. Não vote, lute!".

Essa atitude enfureceu o PM que partiu para cima de todos os fotógrafos que tentaram registrar a colagem. Desta vez, o PM escolheu um jornalista do Coletivo Mariachi para externar sua raiva. Órfão da Ditadura, o PM exigiu que o fotógrafo apresentasse documento de "fé pública" e rejeitou a validade do crachá de jornalista.

A VOLTA DA CENSURA

O ápice da repressão ocorreu quando o policial exigiu que o jornalista eliminasse as suas fotos.

"Ela colou ali e você passou o pano."

Nesta frase, o PM tenta dizer que o jornalista consente com a atitude da manifestante que supostamente colou o adesivo.

Fica claro a prepotência e autoritarismo da polícia contra a atividade jornalística. Retornamos a época da censura, quando o Estado reprimia a atividade de imprensa.

Fica a pergunta: se a polícia pode censurar jornalistas, vivemos em um Estado verdadeiramente democrático? Se um órgão do Estado não tolera atitudes simples como a colagem de adesivo, imagina o que ela faria longe das câmeras, em um bairro de periferia.

Por tudo isso, a PM mostrou a sua incompatibilidade com a democracia.

NÃO ACABOU
TEM QUE ACABAR
EU QUERO O FIM
DA POLÍCIA MILITAR

Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi