sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Operação em Acari 30/10

Neste momento a polícia está fazendo uma operação na Comunidade de Acari. Policiais do BOPE encapuzados e sem identificação espalham o terror entre os morados. São denúncias de insultos e revistas aleatórias, além de invasão e destruição de residências sem mandados.
Sugerimos que os moradores registrassem a operação, mas fomos advertidos que é comum que os policiais roubem os celulares quando verificam a tentativa de filmagem.

A violência da polícia é tamanha que chegaram a jogar um copo de café quente no rosto de um rapaz de 17 anos. Completaram a violência ameaçando: "Se abrir a boca para alguém, vai se foder!"

Desde às 5 da manhã, o caveirão aéreo sobrevoou a Comunidade, espalhando ainda mais medo da eminência de tiros de grosso calibre que atravessam as paredes das casas.

Moradores impotentes se reúnem na casa de parentes. O apoio mútuo é o único consolo neste momento de medo e tensão.

Como Acari é uma favela distante e não aparece no noticiário, os policiais sentem-se mais livres para abusar da população. "Aqui não é favela de zona sul. Ninguém aqui vai virar Amarildo, nem DG." Douglas Rafael da Silva Pereira (DG) era dançarino da Rede Globo e foi morto na madrugada de 22 de abril no Pavão-Pavãozinho.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA

PORQUÊ EU NÃO VOTO NA DILMA

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Prisões

Dia 15 de outubro de 2013, eu e mais de 70 pessoas foram presas, outra centena levada para a delegacia. Naquela semana, teríamos a privatização de Libra, com valor estimado de até R$ 3 trilhões [1], equivalente a tudo o que o Brasil produz em um ano.

Com a Petrobras ocupada por manifestantes e o Sindipetro colaborando com a ocupação da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, governo estadual e judiciários sofreram uma enorme pressão para prender os manifestantes e, assim, garantir a privatização do campo de petróleo

Índios

A base do governo Dilma é composta da bancada ruralista (ou da bala), que recebe gordos investimentos do BNDES. A grilagem de terra tem ceifado a vida de muitos índios, que ficam no caminho do agronegócio. Para se ter uma ideia, no período FHC morriam em média 21 índios assassinados por ano. Dilma fez esse número aumentar em 150%.

Além disso, Belo Monte, que não trará a energia prometida, mas servirá apenas para encher os bolsos das empreiteiras e dos amigos de Sarney-Lobão, está destruindo a vida de inúmeros índios que vivem perto da usina.

Terra

Ao apoiar o agronegócio, Dilma também estancou qualquer possibilidade de realizar a reforma agrária. Hoje temos 120 mil famílias sem-terra acampadas, mas Dilma assenta apenas 30 mil por ano. No governo FHC, eram assentadas 45 mil famílias por ano, em média.

Copa

A Copa do Mundo foi um verdadeiro sucesso para as empreiteiras que patrocinaram as campanhas. Só no Maracanã, o preço da reforma foi de R$ 1,2 bilhões, R$800 milhões acima do valor inicial. Essa roubalheira foi financiada com o nosso dinheiro.

Além dos roubos, tivemos vários amigos sendo perseguidos, investigados, processados, ossos quebrados, presos, difamados, expostos e torturados. A Força de Segurança Nacional infiltrou um araponga no meio do movimento social.

Fuzil da guerrilheira

Também não votarei na Dilma por respeito às pessoas que estão sofrendo ou morrendo em decorrência da política do governo federal, como:

- Moradores da Maré, que sofrem com a ocupação militar;
- 217 mil presos que aguardam julgamento no Brasil;
- 15 pessoas que desapareceram por dia no Estado do Rio de Janeiro;
- 120 travestis mortos por ano no Brasil que é líder mundial da categoria;
- 1 milhão de mulheres que fazem aborto clandestino e 250 mil que são internadas no SUS por complicações decorrentes de tal procedimento;

Como escolher entre o menos pior neste caso?
Como votar em quem me ataca ferozmente?


[1] http://www.offshore-technology.com/projects/libra-oil-field-santos-basin/

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA

TODA MANIFESTAÇÃO SERÁ CONDENADA

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Vídeo: Ellan Lustosa | Cinza Sem Filtro
Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Nesta terça-feira 30 de setembro, tivemos o lançamento da

Campanha Unificada: Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e Extinção de Todos os Processos Políticos.

O evento ocorreu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no campus Praia Vermelha.

Contamos com a presença especial de Marilene Silva, mãe de Caio Silva, uma das vítimas do julgamento prévio e tendencioso que colocou dois manifestantes na cadeia. O Estado e o monopólio da imprensa transformaram um acidente em homicido doloso (quando há a intenção de matar). Mesmo sabendo que o rojão-de-vara sem a vara não tem direção definida, o Judiciário decidiu punir os dois rapazes para que sirvam de exemplo, em uma tentativa covarde de amedrontar outros manifestantes.

Vale lembrar que quase 90% das agressões contra jornalistas são provocadas por policiais [1]. Além disso, o cinegrafista Santiago Andrade estava filmando sozinho naquele dia, sem um colega que o auxiliasse com a segurança, em uma área de risco. Pior ainda é o fato da Rede Bandeirantes não ter disponibilizado equipamento de segurança. Só a Bandeirantes já teve 2 cinegrafistas mortos nos últimos anos [2]. Este monopólio de imprensa, que ignora a segurança de seus funcionários, foi o grande responsável pela condenação antecipada dos jovens.

Outro fato importante é que Caio e Fábio se entregaram, com a esperança de aguardar o julgamento em liberdade. É tradição do Judiciário permitir que o réu se defenda em liberdade, neste caso. Entretanto, existem muitas evidências de que o Judiciário não está tratando este julgamento. Fica clara a vontade de transformar o caso em um exemplo, em uma tentativa covarde de intimidar outros manifestantes.

Além disso, Marilene relata que o filho está muito transtornado com a morte do cinegrafista. Sendo esta morte um peso maior do que a própria prisão.

Chamar a Penitenciária de Bangu de prisão é um eufemismo. A sociedade sabe que este lugar é uma câmara de tortura. Chamaremos de justiça quando dois jovens, acusados de participar de um acidente, são condenados a mais de 7 meses de tortura em Bangu?

Estes jovens, como muitos outros, foram às ruas para reclamar do preço das passagens. Uma luta que a sociedade apoiou. O Estado, no entanto, não aceita esse tipo rebeldia e condena quem protesta a penas desumanas. Note que a prisão para dar exemplo escancara o Estado de Exceção que vivemos.

A senhora Marilene nos lembrou ainda que nossos governantes são os mesmos que lutaram contra a ditadura, neste caso a dupla de facínoras corruptos PT+PMDB. A vida nos prega peças, das mais irônicas. Os que nos governam agora, são os mesmos que lutaram contra o regime autoritário iniciado em 64. Parece que a única lição que tiveram foi aprender a controlar e oprimir.

Seriam este Estado, a Polícia Militar e a imprensa mercantil compatíveis com a democracia?

Todos os fatos nos mostram que não, pois estes poderes criminalizam a política das ruas. Como protestar sabendo que a justiça tem ânsia em nos condenar?

Toda essa opressão um dia voltará contra os algozes. PM e PMDB deveriam ter aprendido com a ditadura que é muito difícil governar sem o povo. Não há governo que segure o povo unido.

Todo apoio a Caio e Fábio!


Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=gVfJ2GI-Bu4

[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839
[2] - http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cinegrafista-da-band-morre-com-tiro-em-favela-do-rio,795294

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Liberdade para Rafael Braga. Para Fábio e Caio Não?

CAIO, RAFAEL E FÁBIO: VÍTIMAS DO SISTEMA

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Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
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Muito criticamos a manipulação da mídia mercantil que criminaliza a manifestação popular. Entretanto, essa manipulação não atinge apenas coxinhas que assistem o Jornal da Goebbles. Fico surpreendido mesmo quando esse discurso incriminatório atinge manifestantes de longa data.

Aqui no Rio, temos três detentos considerados presos políticos: Rafael Braga, Fabio Raposo e Caio Silva Rangel. O primeiro, foi preso apenas por ser negro, catador e estar no meio da maior manifestação da história do Brasil. Os dois outros foram acusados de assassinar o cinegrafista Santiago Andrade utilizando um rojão.

NEM MANIFESTANTE ELE É

O que eu mais ouço é dizerem que o caso do Rafael é diferente porque nem manifestante ele era. Implícito neste pensamento está a criminalização da manifestação. Manifestante ou não, as pessoas deveriam ter um tratamento igual pela "Justiça". Manifestar não é crime, lembra?

Ao diferenciarmos Caio e Fábio por serem manifestantes, estamos caindo como palhaços na armadilha do Estado e da mídia mercantil. Pior ainda, estamos aceitando a nossa própria criminalização.

AUMENTAR A REPRESSÃO OU ENFRENTAR A MÁFIA DO TRANSPORTE?

Em janeiro e fevereiro deste ano, as manifestações estavam crescendo, o aumento da passagem já havia ocorrido e os catracaços eram diários.

As alternativas do governo eram: reprimir as manifestações violentamente ou voltar atrás nos aumentos. Qualquer das opções seria um desastre. Colocamos o governo em um dilema de decisão, contra a parede. Se reprimissem, a população poderia voltar às ruas como em junho de 2013. Se abaixassem os preços, teriam que enfrentar as máfias do transporte público.

A MORTE QUE SALVOU O GOVERNO

A morte do Santiago salvou o governo do dilema. Depois disso, a opção pela repressão violenta estava clara e justificada. Centenas de manifestantes foram investigados e ameaçados. A defesa dos rapazes foi criminalizada.

Colocaram um advogado da milícia para supostamente defendê-los, mas o tal Dr. Jonas Tadeu Nunes apenas acusou e forjou provas. Este carrasco ainda tentou incriminar os que defendiam os garotos, como no caso de acusar Elisa Quadros e Marcelo Freixo. Ligar para o Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ALERJ se tornou crime, ser presidente da CDH se tornou crime.

Quando um manifestante me fala que o caso é diferente porque houve uma morte, eu digo que você está fazendo o jogo da mídia e do governo. Usar a morte para justificar um tratamento diferente de Caio e Fábio é agir como os nossos carrascos.

FÁBIO E CAIO FIZERAM BESTEIRA

Já me falaram também que Caio e Fábio fizeram besteira. Vindo da Rede Bobo, eu não me surpreenderia. Fico estarrecido quando esta afirmação vem de um manifestante.

Primeiro, o que ocorreu foi um acidente. Um rojão-de-vara-sem-vara não possui direção definida. Portanto, eles não poderiam planejar tal ato.

Segundo, o Fábio é visto apenas entregando o rojão pra alguém. Se o incidente não poderia ser planejado, como o Fábio teria controle do que aconteceria? Tudo indica que ele não queria acender o rojão. Pelo simples fato de entregar o rojão na mão de alguém o Fábio merece ficar 7 meses sofrendo torturas na cadeia? Qual o tamanho da besteira que ele fez?

Já no caso do Caio, temos a acusação feita pelo seu advogado de defesa (na época, o Dr. Jonas Tadeu). Somente pelo motivo do acusador ser o advogado de defesa, já temos indícios de que o Caio caiu em uma armadilha. Nas entrevistas à "jornalista" da Rede Goebbles, que viajou com a Polícia Civil, Caio aparece visivelmente atordoado, dizendo que teme pela própria vida.

Pra piorar, a perícia que identifica o Caio como ascendedor do rojão foi forjada nos estúdios da Rede Goebbles [1].

Ou seja, Caio não teve direito a defesa, foi acusado pelo próprio advogado e incriminado pela Globo. Qual a besteira que ele fez?

Quem diz que Caio e Fábio fizeram besteira são a mídia mercantil e o órgãos de repressão do Estado. Você concorda com eles?

PARE DE CRIMINALIZAR A MANIFESTAÇÃO

Por tudo isso, eu gostaria de chamar a atenção de todos os manifestantes que de uma forma ou de outra ajudam a criminalizar a manifestações: pare! Pare de ajudar o governo! Pare de ajudar a mídia mercantil!

Caio, Rafael e Fábio são vítimas de um governo dos ricos, corrupto, racista e fascista. Temos que vencê-los no campo das ideias também.

Liberdade para Caio, Rafael e Fábio!

[1] - http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/perito-confirma-que-caio-souza-lancou-rojao-que-matou-cinegrafista.html

sábado, 13 de setembro de 2014

SP: PM obriga jornalista do Mariachi a deletar suas fotos

Hoje, 13 de setembro, ocorreu o Ato Contra a Farsa Eleitoral, que começou às 15h em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Estavam reunidos manifestantes de vários movimentos populares que se uniram para denunciar que as eleições foram montadas e controladas pelos ricos. Deixando a maioria do povo sem possibilidades reais de participação no poder.

Já na concentração para o ato, os manifestantes pintaram cavaletes e santinhos, dando um novo significado para as propagandas dos políticos.

Quando a manifestação decidiu sair em marcha, a tropa de choque já a cercou, fazendo uma barreira para isolá-los. Mesmo com a intimidação, o ato partiu para a Rua da Consolação. Na Av. Ipiranga, um manifestante colou nas costas de um policial um adesivo com os dizeres "Eleição é farsa. Não vote, lute!".

Essa atitude enfureceu o PM que partiu para cima de todos os fotógrafos que tentaram registrar a colagem. Desta vez, o PM escolheu um jornalista do Coletivo Mariachi para externar sua raiva. Órfão da Ditadura, o PM exigiu que o fotógrafo apresentasse documento de "fé pública" e rejeitou a validade do crachá de jornalista.

A VOLTA DA CENSURA

O ápice da repressão ocorreu quando o policial exigiu que o jornalista eliminasse as suas fotos.

"Ela colou ali e você passou o pano."

Nesta frase, o PM tenta dizer que o jornalista consente com a atitude da manifestante que supostamente colou o adesivo.

Fica claro a prepotência e autoritarismo da polícia contra a atividade jornalística. Retornamos a época da censura, quando o Estado reprimia a atividade de imprensa.

Fica a pergunta: se a polícia pode censurar jornalistas, vivemos em um Estado verdadeiramente democrático? Se um órgão do Estado não tolera atitudes simples como a colagem de adesivo, imagina o que ela faria longe das câmeras, em um bairro de periferia.

Por tudo isso, a PM mostrou a sua incompatibilidade com a democracia.

NÃO ACABOU
TEM QUE ACABAR
EU QUERO O FIM
DA POLÍCIA MILITAR

Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Midiativismo em debate

NÃO GOSTA DA MÍDIA? SEJA A MÍDIA!

No dia 20 de outubro, mídiativistas de diversos coletivos participaram de uma discussão na Assembleia Popular do Grande Méier. Discutimos o trabalho do midiativista e a influência transformadora na sociedade.

O TRABALHO DO MIDIATIVISTA

Parte do trabalho do midiativista passa por cobrir as manifestações. Nelas, a polícia mostra seu caráter de classe ao atacar os manifestantes. Tais ataques, quando filmados, tem uma grande capacidade de transformar a opinião das massas, colocando em cheque a legitimidade do Estado e sua polícia.

Por exemplo, em junho de 2013, uma jornalista teve o olho atingido por uma bala de borracha, disparada pela Polícia Militar (PM). Esta imagem deixou clara para uma parcela grande da população quem era violento. O Estado ficou nu!

Além dessa agressão, os midiativistas registraram a PM atacando covardemente advogados e jornalistas. Hoje, 28 de agosto, tivemos o julgamento do Major Pinto e o Tenente Bruno Andrade pela tentativa de forjar flagrante contra um adolescente de 15 anos durante uma manifestação, flagrado por um cinegrafista. Assim, o registro das manifestações garante não só a integridade física dos manifestantes, mas também impede abusos maiores pela PM.

MOMENTO HISTÓRICO E NOVAS TECNOLOGIAS

O midiativismo surge em um momento histórico de grandes transformações no tráfego da informação. Vivemos a popularização da internet de alta velocidade, podendo disseminar vídeos em tempo real. Ao mesmo tempo, as redes sociais fazem a ligação entre o real e o virtual, entre amigos, colegas de trabalho ou de escola.

Neste cenário, as mídias tradicionais, como jornais, TVs e rádios não tiveram tempo (nem capacidade) de ocupar todos os espaços na rede, deixando uma lacuna a ser preenchida. Jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos ocuparam estes espaços. Entretanto, o mais surpreendente a participação de cidadãos comuns das mais variadas profissões.

Aliado a isso, ocorre uma convulsão social no Brasil, que foi às ruas questionar as relações de poder, reivindicando o aumento das garantias sociais e maior participação nas decisões.

Assim, juntou-se o desejo de mudança com ferramentas mais democráticas. O resultado foi a criação do midiativismo. Este não pretende apenas informar. Depois de pouco tempo escrevendo textos políticos, percebi que não existe informação isenta. Pra mim, ficou claro que quem domina a informação pode relatar o mesmo fato, mas transmitir uma mensagem completamente diferente. O midiativismo, portanto, já no seu nascimento é um discurso transformador, pois põe a prova o discurso oficial.

TRANSFORMAR O QUE?

Os meios de comunicação, hoje, são controlados por empresas que dependem de publicidade e, portanto, de outras empresas. Assim, ao contrariar um patrocinador, um jornal pode enfrentar problemas. O resultado trágico disso é que as matérias são pautadas pelos que compram espaço de publicidade, nunca contrariando os interesses das grandes empresas.

Estes grandes empresários são, por essência, capitalistas. Além disso, eles controlam não só a mídia, mas também muitos políticos e se fundamentam em um discurso fascista. Parte desse discurso passa por repetir uma visão patriarcal, machista, racista e homofóbico, esquecendo assim a divisão de classes. "O nosso problema são as vagabundas, os negros e os gays", dizem.

Ao fazer o discurso contra-hegemônico, a mídia livre ataca esta estrutura de poder.

CONTRAPOR O DISCURSO HEGEMÔNICO

As agressões policiais constituem o maior risco a nossa atividade. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), durante a Copa do Mundo, 88% dos casos registrados de violência contra jornalistas foram provocados por policiais, dos quais 44% foram intencionais[1].

Ou seja, o pior inimigo do jornalismo é o Estado, que usa a Polícia como braço armado.

Mesmo com evidências mostrando que a Polícia ataca sistematicamente os jornalistas, houve um caso emblemático que levou uma ideia diferente à população - o caso Santiago Andrade. Este acidente foi amplamente divulgado pela mídia mercantil como intencional, o que permitiu ao Judiciário acusar os manifestantes Caio e Fábio de homicídio doloso.

Neste episódio, apesar do intenso trabalho, as mídias independentes não conseguiram contrapor o discurso hegemônico e a população se convenceu de que aqueles dois jovens representavam um perigo à sociedade.

DEMOCRACIA INCOMPLETA

A democracia conquistada pelos brasileiros em 1984 nasceu com dois antigos tumores: a Polícia Militar e a mídia mercantil. Esses dois braços de poder dos ricos têm atacado, de forma sistemática, o povo pobre do nosso país. Crias da ditadura, elas sofrem dos mesmos problemas do regime totalitário: são fascistas, racistas, machistas, etc.

Neste sentido, o midiativismo vem para aprofundar nossa democracia. Ao denunciar a violência policial e fazer o discurso contra-hegemônico, estamos enfrentando estes dois poderes. Assim, a democracia só terá um caráter mais popular quando a mídia mercantil e a PM estiverem extintas. Para isso, o trabalho das mídias independentes será fundamental.

Você também está insatisfeito com a mídia mercantil? Então seja você a nova mídia!

[1] - http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2839

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Marina Silva, Ecocapitalista e seu Dono de Escravos

O PSB acabou de oficializar Marina Silva como candidata a presidência da República e esta já decola nas pesquisas eleitorais [1]. Conhecida pelo seu discurso ecológico-capitalista, ela já foi ministra do Meio Ambiente por sete anos, quando tivemos a aprovação dos transgênicos. Em 2004, o vice de Marina, Beto Albuquerque, esteve envolvido no desenvolvimento da Medida Provisória que autorizou o plantio de soja transgênica no Brasil [2].  Marina, também como ministra, defendeu a transposição do Rio São Francisco em 2007 [3].

A campanha do PSB, agora encabeçada por Marina, é a terceira mais rica. Eis os patrocinadores que investiram mais de R$ 1 milhão [4]:

- Arosuco Aromas e Sucos LTDA;
- JBS S/A;
- Copersucar S/A;
- Cosan Lubrificantes e Especialidades S/A.

Faremos agora uma pequena investigação sobre estes grandes doadores.

A Arosuco financia PT, PMDB e PSDB [5]. Ela pertence à Ambev do homem mais rico do Brasil [6], 
Jorge Paulo Lemann. Ele comprou a sorveteria Diletto de Verônica Serra, filha de José Serra, por 17 vezes o faturamento de uma sorveteria sem lucratividade estimada[7]. Ele também foi investigado por um buraco de US$ 200 milhões nas contas do Banco Garantia [8].

Continuemos. O dono da JBS, Joesley Batista, também um dos homens mais ricos do Brasil, é acusado de sonegação fiscal e empréstimos cruzados [9]. Além disso, a Polícia Federal o investiga por evasão de divisas e de financiar "caixa 2" de campanha político-partidária [10].

Já os proprietários da Copersucar são a família Atalla [11] do falecido empresário Jorge Wolney Atalla, um dos financiadores da Operação Bandeirantes, organismo repressivo que torturou e assassinou estudantes, líderes sindicais e vários oposicionistas ou suspeitos de fazerem oposição ao regime militar em sua fase mais dura, nos anos 60 e 70.

O nosso campeão do crime é o dono da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, a segundo empresário mais rico do mundo em "energia verde" [12]. Ele é acusado de fazer parte de um cartel para aumentar o preço de combustíveis [13]. Além disso, ele está em outro inquérito por crime ambiental e contra o patrimônio genético [14]. Por fim, ele é acusado de ter 28 ESCRAVOS em sua fazenda no Pará [15].

Em suma, nos seus 7 anos a frente do Ministério do Meio Ambiente, Marina não foi capaz de enfrentar problemas ambientais graves e, agora, se alia a um notório agrocriminoso. Já seu patrocinadores sofrem das tradicionais doenças das grandes fortunas - a corrupção. Um chega até a ser proprietário de escravos.

Neste cenário, uma eventual eleição de Marina na presidência não representaria reais mudanças no paradigma político do Brasil. Não esperemos que ela enfrente os poderosos. Parece que os políticos que poderiam fazer transformações reais, nunca teriam chance no sistema eleitoral que temos.

Eleição é farsa!
Não vote, Lute!

Texto: Gustavo Dopcke | Coletivo Mariachi
Cartum: Carlos Latuff

[1] - http://www.infomoney.com.br/mercados/eleicoes/noticia/3533350/ibope-divulga-primeira-pesquisa-apos-confirmacao-marina-proxima-semana
[2] - http://www.cartacapital.com.br/politica/beto-albuquerque-3550.html
[3] - http://reporterbrasil.org.br/2007/03/marina-silva-defende-transposicao-do-rio-sao-francisco/
[4] - http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/veja-as-doacoes-feitas-para-a-campanha-de-eduardo-campos/
[5] - http://www.donosdocongresso.com.br/donatarios/?doador=03134910
[6] - http://noticias.r7.com/economia/fotos/sem-eike-lista-de-bilionarios-traz-o-dono-da-ambev-e-do-banco-safra-entre-os-brasileiros-mais-ricos-05032014#!/foto/3
[7] - http://www.brasil247.com/pt/247/economia/96697/Por-que-Lemann-e-Ver%C3%B4nica-pagaram-tanto-pelo-picol%C3%A9.htm
[8] - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,ERT156504-15259-156504-3934,00.html
[9] - http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pf-indicia-joesley-batista-e-katia-rabello-por-emprestimos-cruzados-entre-empresas-imp-,1131884
[10] - http://www.brasilnoticia.com.br/justica/policia-federal-descobre-vinculo-de-wesley-batista-com-lavagem-de-dinheiro/18538
[11] - http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/bioagroenergia/2012/11/07/copersucar-nos-eua-o-pulo-do-gato/
[12] - http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/noticia/2410475/dono-cosan-esta-entre-mais-ricos-mundo-que-investem-energia
[13] - http://www.aredacao.com.br/noticias/7506/aprovado-relatorio-que-indicia-25-suspeitos-de-cartel
[14] - http://www.sermateczaninionline.com.br/posts/tj-sp-manda-trancar-acao-penal-contra-rubens-ometto/
[15] - http://reporterbrasil.org.br/2010/04/fazenda-com-30-mil-cabecas-de-gado-mantinha-28-escravos/