Ainda tem a parte chata de não poder abraçar amigo pra não parecer ... sabe ... gay. Ter amigos bem-resolvidos, ou gays sempre ajuda, mas dada a heteronormatividade, temos que cumprimentar os amigos como se tivéssemos querendo lhes bater.
Infelizmente, a pauta das discussões deste dia divergiram um pouco do que eu classificaria como importante. Gostei, contudo, de algumas mensagens carinhosas aos homens:
Não sabia que ser homem representava tudo isso. Na verdade, nem escolhi nascer homem, foi um acaso fifty-fifty da natureza.
Li isso: "Hoje é o dia do Homem. Do Homem se Foder."
Muito engraçado isso, vou até rir: KKK!
Pra não deixar o dia passar em branco, teve até poesia:
"O grande e venerável homem
que trás o alimento em casa
Hoje é o seu dia
O dia de contemplar a sua vara."
Desculpe se a minha "vara" a perturba. A partir de hoje, para deixá-la mais confortável, só usarei roupas que a deixem bem escondida. Nenhum volume, prometo. Eu sei como é o sentimento, também não gosto de pênis. Bobeira de hétero - deixa pra lá.

Love is in the air! São tantos coraçõezinhos.
Na semana que passou, além de participar dos protestos, eu ajudei duas velhinhas no ônibus. Uma, ajudei a descer e ela me agradeceu. A outra, que iria subir, não quis a minha ajuda e agradeceu também. No sábado, eu distribui alimento e conversei com moradores de rua. Alguns não quiseram, mas também foram educados ao recusar. Apesar de homem, hétero e de classe média, eu sempre tento compensar a minha "natureza" com atividades que, pelo menos, redimam o mal que eu faço ao mundo.
Sábado a noite, fui ajudar uma menina com a bicicleta que caía. Ela me afastou quase com um tapa.
Sei que todo homem é um possível estuprador ou coisa pior. Por isso, não a julgo por me tratar tão mal, depois de eu tentar ajudá-la. Coitada, poderia ser um ómi agressor.
Eu entendo a lógica. É mais ou menos assim:
"A maioria dos machistas são homens brancos, héteros e classe média. Portanto, todos os homens brancos, héteros e classe média devem morrer!"
Estou rindo muito: KKK
Sei que parece a lógica do "Aquele homem abusou sexualmente do menino. Gays são um problema."
Homem que abusa sexualmente de meninos não é gay e sim um doente. Contudo, homens que abusam de mulheres estão sendo apenas homens. É intrínseco ao XY.
Ela tem homens enterrados no quintal, queimando, fazendo brincos com os seus corpos KKK
Que brincalhonas. Isso é uma óbvia referência a misandria. Afinal, quem mata são os homens. Isso mora no mundo das piadas, portanto não pode ofender ninguém.Decidi buscar o conselho de minhas amigas feministas.
"Se a sua aproximação for sussa, a reação também tende a ser. Agora, se a sua aproximação for, por exemplo, no sentido de explicar pra uma feminista o que vc acha que deveria ser o feminismo..."
Depois dessa reflexão, resolvi perguntar qual era o verdadeiro feminismo, tendo em vista um sem número de opções: feminismo liberal, radical, conservador, libertário, separatista, lésbico, ecofeminismo, etc.
"Se vc estiver falando sobre teorias existentes, criadas por mulheres feministas, sim, vc pode falar pra ela.
...
A mulher já não tem voz na sociedade. Daí vem homem falar em nome do feminismo?
Com todas as perspectivas de alguém em uma posição de privilégio?"
Agora entendi. Vou estudar todas as teorias existentes e verificar se foram criadas por mulheres. Só então irei falar alguma coisa. Pois, a partir da minha posição de privilégio, eu não devo dizer nada.
Como eu poderia reclamar de mulheres que dizem querer que os homens morram? Afinal, muitas mulheres morrem nas mão de homens todos os dias.
Como eu poderia reclamar quando mandam os homens se foderem? Afinal, é legítimo que um grupo oprimido odeie seu opressor. Se eu sou um homem, sou obviamente um opressor.
Como poderia reclamar que elas digam ter nojo do meu pênis. Afinal, esse é o grande símbolo do macho e, como tal, inspira unicamente repulsa.
Sempre achei minha conduta correta, em ralação aos problemas de gênero. Nunca deixei um amigo fazer um comentário machista sem resposta e sempre estive disposto a rever minhas posições de privilégio na sociedade. Participei até das passeatas contra o estatuto do nascituro (que nome engraçado KKK).
Hoje, contudo, descobri que o meu lugar não é entre elas (male tears KKK). Só as mulheres podem ser feministas, pois somente elas tem o direito de discutir em progredir no assunto.
Sendo assim, deixo o movimento feminista para elas. Já tenho muito trabalho com as outras atividades políticas. Vou, portanto, concentrar-me nas outras atividades.
No dia do homem: Viva o feminismo! KKK

7 comentários:
Olha só: você não precisa fazer parte do movimento feminista se você não quiser, sabe. Assim como você não precisa fazer parte de qualquer dos movimentos que eu sei que você faz. Mas enfim, o ponto é: ninguém tá implorando pra você fazer parte do movimento feminista. Ou de algum movimento feminista. Você faz parte se você quiser, e você vai ser aceito ou não aceito ali de acordo com as regras desse espaço, como em qualquer outro espaço.
Quer dizer, não exatamente como em qualquer outro espaço. Porque “em qualquer outro espaço”, você homem branco cis hétero classe média, sempre têm, necessariamente, privilégios os quais certas vezes você nem se dá conta de que têm, porque né, você já nasceu com eles, e passou boa parte da sua vida sem nunca ter sido questionado sobre eles. Nos espaços feministas, em geral, você é obrigado a rever esses privilégios se você quiser ser aceito. Na minha opinião, rever privilégios nem sempre é uma coisa fácil, mas é bastante importante se a sua idéia for crescer intelectualmente e ajudar os movimentos que tentam ajudar o mundo a se tornar um espaço mais justo pra todo mundo.
Por exemplo: eu, mulher branca, classe média. Eu não faço a menor idéia do que significa, do que implica, ter nascido negra, e ter escutado, de todas as formas possíveis, que eu sou feia, que minha pele é feia, que meu cabelo é horroroso. Não dá pra imaginar a dimensão de ter passado uma vida inteira sendo bombardeado com esse tipo de coisa. É exatamente a mesma coisa: você, homem branco, classe média, não faz idéia do que representa a opressão contra a mulher. Quer dizer, você pode estudar, você pode se informar, e essas ações fazem diferença, mas em nenhum momento elas vão legitimar você a falar em nome dessa mulher, ou do movimento que essa mulher criou para se defender dessa opressão.
Ainda na temática privilégios: um dos seus privilégios, como homem branco hetero classe média, é ter voz em todo lugar. Você fala e é ouvido, sempre. Quando você fala, não existe uma força cultural enorme dizendo: “ihh, papo de mulherzinha”, por exemplo. Você não precisa lutar para ser ouvido, você é ouvido desde que você nasceu. As mulheres não. Daí você, homem branco hetero classe media, vêm requisitar o seu direito de voz dentro do feminismo... é no mínimo absurdo, vai contra o movimento. Porque uma das lutas feministas é dar voz à mulher, e não dar voz ao homem, mesmo que ele seja um homem feminista. Mesmo que ele seja um homem feminista: ele não é oprimido, ele têm garantido o direito de voz dele na sociedade. As mulheres não. Um dos seus privilégios, como homem branco hetero classe média, é ter voz em todo lugar. No feminismo, você precisa rever esse privilégio.
Você já deve ter ouvido algumas ou muitas piadas na temática “classe média sofre”. Tá difícil encontrar emprega doméstica, aeroporto virou rodoviária, e por aí vai. É ridículo ver a classe média “sofrendo”, não? Mas você, e eu também, fazemos parte da classe média brasileira. Mas isso nos impede de fazer piadas contra a classe média? – lembrando que o humor, nesses casos, também é uma estratégia de luta?
É óbvio ululante que existem exceções quando generalizamos “classe média sofre”. Mas essas exceções são, necessariamente, minoria – do contrário não teríamos no Brasil uma classe média que consegue ser tão expressivamente opressora.
Você compara, no seu texto, esses dois raciocínios:
“Todos os pedófilos são homens. E, portanto, gays – logo, todos os gays são pedófilos” e
“Todos os estupradores são homens. logo, todos os homens são estupradores”.
Nós dois concordamos, acredito eu, em um aspecto: a primeira parte de cada raciocínio procede. Todos os pedófilos são homens e todos os estupradores são homens. É na segunda parte dos raciocínios que se cria a confusão, a falácia, a falsa lógica.
Para se tornar um pedófilo, um homem não precisa ser, necessariamente, gay.
Obviamente, eu tampouco acredito que todos os homens sejam estupradores. Mas, para se tornar um estuprador, o sujeito precisa ser, necessariamente, homem. Mulheres não estupram e matam todos os dias. Homens sim.
Daí vem a ironia que você não entendeu, nos prints da página “movimento iuzômi”. Mulheres não matam homens todos os dias, e tampouco a página é uma página de ódio no sentido de pregar, efetivamente, o assassinato de homens. Isso não é o FEMEN. A página é uma página de humor, que satiriza a opressão contra a mulher. Mais especificamente: que satiriza a idéia de “feminazi”, a mistura entre “feminista” e “nazista”, que seriam mulheres cuja a única preocupação na vida seria oprimir os pobres homens. O que fazem as feminazis? Matam os homens, claro! E comem seus corações!
Talvez esse humor não tenha sentido pra você. Ele tem, pra mim, por exemplo. Porque eu acho um absurdo o termo “feminazi”. Porque eu acho ridículo o homem branco hetero classe média se dizendo oprimido pelo patriarcado ou pelo feminismo. Acho tão ridículo quanto a classe média que sofre em aeroporto que parece rodoviária.
Não tenho dúvidas de que você se esforça pra ser um cara bacana, e você é um cara bacana, bem diferente desse branco hetero classe media sofredor. Mas sabe, pra que fazer uma lista de boas ações da semana? Dos velhinhos, dos moradores de rua, da moça que caiu da bicicleta...?
O que você tá tentando mostrar? Que brancos hetero classe media também podem ser gente boa? Isso todo mundo já sabe, aliás, esse é o senso comum na sociedade.
O que a gente precisa, o que o movimento feminista precisa, é de gente denunciando o quanto homens hetero branco classe media podem ser opressores, porque eles são. A gente precisa de gente denunciando o quanto o patriarcado oprime as mulheres. Porque ele oprime. E essas noções estão LONGE de serem senso comum.
A gente não precisa de gente falando: “olha só, existe exceção”. E muito menos: “Olha só, eu sou uma exceção mas as feminazis não deram bola pra mim”. – porque é isso que você fez no seu texto, presta atenção.
Eu acredito que você pode rever uns conceitos aí.
Oi Paty,
Vou comentar o seu comentário linha a linha para facilitar.
"Olha só: você não precisa fazer parte do movimento feminista se você não quiser, sabe."
Na verdade, eu preciso. Não me sinto confortável vendo injustiça. Me sinto mal, mesmo. É uma necessidade da minha personalidade
"Assim como você não precisa fazer parte de qualquer dos movimentos que eu sei que você faz. Mas enfim, o ponto é: ninguém tá implorando pra você fazer parte do movimento feminista. Ou de algum movimento feminista."
A minha crítica também se refere a como alguns movimentos feministas recebem homens que tenham a vontade de lutar pela mesma causa. Na verdade, existem várias feministas que me convidam para participar dos atos e discussões. Até hoje, só tive problemas com as representantes do feminismo. Com essa auto-intitulação, fica difícil discutir mesmo.
"Você faz parte se você quiser, e você vai ser aceito ou não aceito ali de acordo com as regras desse espaço, como em qualquer outro espaço.
Quer dizer, não exatamente como em qualquer outro espaço. Porque “em qualquer outro espaço”, você homem branco cis hétero classe média, sempre têm, necessariamente, privilégios os quais certas vezes você nem se dá conta de que têm, porque né, você já nasceu com eles, e passou boa parte da sua vida sem nunca ter sido questionado sobre eles. Nos espaços feministas, em geral, você é obrigado a rever esses privilégios se você quiser ser aceito. Na minha opinião, rever privilégios nem sempre é uma coisa fácil, mas é bastante importante se a sua idéia for crescer intelectualmente e ajudar os movimentos que tentam ajudar o mundo a se tornar um espaço mais justo pra todo mundo."
Se eu já mostrei a boa vontade de participar das discussões e atos, acho que já mostrei que estou disposto a rever minha posição privilegiada.
"Por exemplo: eu, mulher branca, classe média. Eu não faço a menor idéia do que significa, do que implica, ter nascido negra, e ter escutado, de todas as formas possíveis, que eu sou feia, que minha pele é feia, que meu cabelo é horroroso. Não dá pra imaginar a dimensão de ter passado uma vida inteira sendo bombardeado com esse tipo de coisa. É exatamente a mesma coisa: você, homem branco, classe média, não faz idéia do que representa a opressão contra a mulher."
Concordo plenamente. Por isso, sou todo ouvidos. Se alguém me fala que ficou ofendido, eu normalmente não discuto. A pessoa ficou ofendida e pronto. Certo?
"Quer dizer, você pode estudar, você pode se informar, e essas ações fazem diferença, mas em nenhum momento elas vão legitimar você a falar em nome dessa mulher, ou do movimento que essa mulher criou para se defender dessa opressão.
Ainda na temática privilégios: um dos seus privilégios, como homem branco hetero classe média, é ter voz em todo lugar. Você fala e é ouvido, sempre. Quando você fala, não existe uma força cultural enorme dizendo: “ihh, papo de mulherzinha”, por exemplo. Você não precisa lutar para ser ouvido, você é ouvido desde que você nasceu. As mulheres não. Daí você, homem branco hetero classe media, vêm requisitar o seu direito de voz dentro do feminismo... é no mínimo absurdo, vai contra o movimento."
Esse discurso é de "ou você é por nós ou é contra nós" é muito antigo. Um dos maiores representantes é o Stalin. TODO movimento, por mais que ele se ache o representante do feminismo, é passível de crítica. Claro que eu devo levar em conta que eu sou homem, etc., mas isso não invalida a minha crítica. Ela só deve ser vista a partir da minha perspectiva, entende?
A minha crítica foi machista?
Foi uma crítica "homem sofre"?
Se foi, eu a retiro imediatamente.
"Porque uma das lutas feministas é dar voz à mulher, e não dar voz ao homem, mesmo que ele seja um homem feminista. Mesmo que ele seja um homem feminista: ele não é oprimido, ele têm garantido o direito de voz dele na sociedade. As mulheres não. Um dos seus privilégios, como homem branco hetero classe média, é ter voz em todo lugar. No feminismo, você precisa rever esse privilégio."
Preciso sim. Quando eu me intrometo na luta por justiça, eu sempre ouço mais do que falo. Contudo, se não há espaço para discussão e crítica, não há espaço para avanços. Se vc decide excluir alguém das discussões, essa pessoa simplesmente não pertence ao movimento. Isso exclui peremptoriamente. Não estou buscando protagonismo.
-> respondo o resto mais tarde.
Oi Tchê!
Acabei de ler sua resposta. Vou esperar você terminar de responder, e depois respondo, tá?
beijo
"Você já deve ter ouvido algumas ou muitas piadas na temática “classe média sofre”. Tá difícil encontrar emprega doméstica, aeroporto virou rodoviária, e por aí vai. É ridículo ver a classe média “sofrendo”, não? Mas você, e eu também, fazemos parte da classe média brasileira. Mas isso nos impede de fazer piadas contra a classe média? – lembrando que o humor, nesses casos, também é uma estratégia de luta?
É óbvio ululante que existem exceções quando generalizamos “classe média sofre”. Mas essas exceções são, necessariamente, minoria – do contrário não teríamos no Brasil uma classe média que consegue ser tão expressivamente opressora."
Existe uma diferença entre "classe média" e "homem, branco, hétero de classe média" (hbhcm). Bem fácil de explicar: a classe média é algo formado pelas pessoas que tem uma certa renda. Já "hbhcm" é um atributo. Não existe a classe dos "hbhcm". Por isso, quando vc faz piada com "a classe média sofre", vc não atinge as pessoas de classe média de esquerda. Já quando vc fala que hbhcm devem morrer, vc estará incluindo necessariamente homens feministas.
"Você compara, no seu texto, esses dois raciocínios:
“Todos os pedófilos são homens. E, portanto, gays – logo, todos os gays são pedófilos” e
“Todos os estupradores são homens. logo, todos os homens são estupradores”.
Nós dois concordamos, acredito eu, em um aspecto: a primeira parte de cada raciocínio procede. Todos os pedófilos são homens e todos os estupradores são homens. É na segunda parte dos raciocínios que se cria a confusão, a falácia, a falsa lógica.
Para se tornar um pedófilo, um homem não precisa ser, necessariamente, gay.
Obviamente, eu tampouco acredito que todos os homens sejam estupradores. Mas, para se tornar um estuprador, o sujeito precisa ser, necessariamente, homem. Mulheres não estupram e matam todos os dias. Homens sim."
Primeiro, você confirma que é uma falácia lógica. Depois, vc a repete! Explicar uma falácia não a torna verdadeira. É a falácia da falácia lógica. Falácia ao quadrado.
"Daí vem a ironia que você não entendeu, nos prints da página “movimento iuzômi”. Mulheres não matam homens todos os dias, e tampouco a página é uma página de ódio no sentido de pregar, efetivamente, o assassinato de homens. Isso não é o FEMEN. A página é uma página de humor, que satiriza a opressão contra a mulher. Mais especificamente: que satiriza a idéia de “feminazi”, a mistura entre “feminista” e “nazista”, que seriam mulheres cuja a única preocupação na vida seria oprimir os pobres homens. O que fazem as feminazis? Matam os homens, claro! E comem seus corações!
Talvez esse humor não tenha sentido pra você. Ele tem, pra mim, por exemplo. Porque eu acho um absurdo o termo “feminazi”. Porque eu acho ridículo o homem branco hetero classe média se dizendo oprimido pelo patriarcado ou pelo feminismo. Acho tão ridículo quanto a classe média que sofre em aeroporto que parece rodoviária."
Eu sei o que é feminazi, eu leio o blog da Lola desde sempre. Adoro humor e, deixando a modéstia de lado, entendo bastante do assunto. Entendi perfeitamente qual era a intenção da piada. Concordo e apoio quem usa o humor contra o opressor.
Assim como, de boas intenções o inferno está cheio, as piadas que reagem a opressão podem ser descabidas. O descabido está em perder o opressor de vista. O opressor são todos os hbhcm? Se a resposta é sim, então as piadas são engraçadas.
"Não tenho dúvidas de que você se esforça pra ser um cara bacana, e você é um cara bacana, bem diferente desse branco hetero classe media sofredor. Mas sabe, pra que fazer uma lista de boas ações da semana? Dos velhinhos, dos moradores de rua, da moça que caiu da bicicleta...?
O que você tá tentando mostrar? Que brancos hetero classe media também podem ser gente boa? Isso todo mundo já sabe, aliás, esse é o senso comum na sociedade."
Adoraria que isso fosse senso comum. O que eu vejo, todos os dias, é que a maioria das pessoas é indiferente ao resto das pessoas. Eu escrevi isso pra contrastar com o comportamento da menina que eu tentei ajudar. A sensação de quase tomar uma bofetada ao tentar ajudar alguém é muito ruim. Por pressa ou por hábito, a menina que quase me esbofeteou foi indiferente ao que eu poderia sentir. Ela não quis entender, pois estava muito ocupada consigo mesma. Típico de quem não faz nada pra mudar o estado das coisas.
"O que a gente precisa, o que o movimento feminista precisa, é de gente denunciando o quanto homens hetero branco classe media podem ser opressores, porque eles são. A gente precisa de gente denunciando o quanto o patriarcado oprime as mulheres. Porque ele oprime. E essas noções estão LONGE de serem senso comum.
A gente não precisa de gente falando: “olha só, existe exceção”. E muito menos: “Olha só, eu sou uma exceção mas as feminazis não deram bola pra mim”. – porque é isso que você fez no seu texto, presta atenção.
Eu acredito que você pode rever uns conceitos aí."
Primeiro, as únicas pessoas que eu conheço que sabem da existência desse grupo são vc e a Pi. Se vcs não derem bola pra mim, eu me preocupo. O resto é apenas um grupo de desconhecidas.
Outra intenção do meu texto foi explicitar uma escolha enrustida do grupo que comentava.
Existe uma vasta discussão, desde que houve o primeiro embate entre grupos, em definir qual é o inimigo. Por exemplo: o pequeno burguês pode participar da revolução? Engels era um. A solução foi que -sim-, mas o protagonista seria a classe trabalhadora.
O que há enrustido, escondido nas entrelinhas das piadas é a generalização do opressor.
Se vc acha que todo hbhcm oprime, não esconda isso, assuma.
Se a escolha foi por um feminismo que acredita que homem "representa tudo que é ruim no mundo", assuma! Não se esconda atrás de um "KKK".
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